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SELO: Paz…paz... - Por Eduardo Marcelo
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Vozes - @Hora da Verdade
Escrito por Redação  em 07 Fevereiro 2018
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Nos dias que correm nunca se falou tanto de paz. Nunca se ambicionou tanto a paz. Nunca se violou tanto a paz. O mundo de hoje é de tantos avanços cibernéticos, nas comunicações, na ciência. Evoluiu bastante, originou invenções e admiráveis progressos, mas esqueceu-se de fabricar a paz.

O grande inimigo, ao mesmo tempo meta do homem de nossa era, é um conjunto de coisas que, numa criação nova de palavras, dizemos ser a idolatria do egoísmo, onde o ter, o prazer e o poder são as vigas mestras que sustentam seu templo. Ter, prazer, e poder, não são coisas novas. Por elas o povo que marchava pelo deserto sofreu castigos, por elas muitos se perderam, por elas, até hoje, muita gente se corrompe, se vende e se prostitui, justamente porque pensa com essas três coisas: comprar a vida, possuir o mundo, fabricar a felicidade, conquistar a paz. Que ledo engano!

Se os homens soubessem de onde lhes pode vir a paz…o ter força-nos cada dia ter mais, pois desencadeia uma ambição, gera uma sede, que só pode ser aplacada com ter mais, com conquistar mais coisas, entrando-se numa ferrenha competição que cega, que solta quaisquer freios de ética e de respeito. Quem busca ter nunca se sacia, mas sempre quer ter mais, para sobrepujar, para estabelecer confrontos e competições que não levam a nada, apenas atormentam, apenas tira o sono e afastam-nos dos verdadeiros e legítimos sentimentos humanos, como o amor, solidariedade e respeito.

O prazer pode acontecer por diversas formas. Ora, é o prazer sensível das coisas da matéria, ora é o sexo buscando de forma indiscriminada e promíscua, que ao invés de acalmar, mais acende, mais excita, pois sua busca não é orientada pelos sentimentos, mas determinada tão-somente pelo instinto e, como tal, incontrolável pela razão e pelo bom senso. O prazer também ocorre pela lisonja, pela bajulação, pelos elogios que muitas vezes pagamos para ouvi-los. O prazer flui qual visgo pegajoso pela boca dos falsos amigos, dos interesseiros que nos dizem não a verdade, mas aquilo que nos deleita, que queremos ouvir, que alimenta nossa vaidade e reforça nosso “ego”.

O poder é a terceira coluna do egoísmo. Os poderosos geralmente se colocam numa posição de resguardo e de precaução. Raras vezes o poder é usado como serviço, mas quase sempre como forma de dominação, como maneira de oprimir e impor ideais ilegítimos e ilícitos que visam à satisfação de pequenos grupos que ao poder ascenderam sem a mínima condição de gerá-lo, de mantê-lo e de canalizá-lo para um serviço em prol do bem comum. Por esta fraqueza se desesperam e perdem a paz.

Estes três males, tão presentes na busca do homem de nosso século, são factores decisivos para a sua infelicidade, pois a felicidade é buscada longe quando está tão próxima, está ao alcance das mãos, nas coisas simples da vida e que dão a paz. O homem situa-se no centro dessa trilogia paga de ter, poder e prazer nelas busca seu consolo e sua satisfação e, por serem grandezas sem valor real, deixam um vazio de frustração, num processo de ilegitimidade que precisa ser mantido pela força e pela multiplicação do mal, coisas que banem para longe a paz.

Jesus, no deserto, sofre tentações justamente na linha do ter, do poder e do prazer. As pedras transformadas em pão, coisa carente naquele deserto, significariam a necessidade do ter, saciada. Os anjos protegendo sua queda, não permitindo que ele se ferisse contra as pedras, representaria o prestígio, a distinção, a diferenciação gerada de vaidade de quem é servido, o prazer das mordomias.

Por último, para chegar ao poder sobre toda a terra, Jesus deveria adorar ao maligno. Fácil é agente constatar que nós, homens de hoje somos ainda tentados a essa adoração sinistra. Em busca de uma paz falsa, corremos atrás das coisas do mundo, sempre enganosas, sempre fugidias, sempre despidas de um valor, acedendo velas ao diabo, prestando cultos pagãos e celebrando macabros pactos com a morte, esquecidos de que a Vida está exactamente para o lado oposto. Lá está o amor, a luz, a esperança, e a paz.

Por Eduardo Marcelo

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