| “Temos analistas que (...) desinformam os seus seguidores lançando suspeitas sobre a actividade do sector da Justiça” presidente do Tribunal Supremo |
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| Escrito por Adérito Caldeira em 05 Fevereiro 2019 |
Flávio Menete disse na passada sexta-feira (01) que a forma como decorre a instrução preparatória do processo das dívidas ilegais ou o recolher obrigatório declarado no município da Mocímboa da Praia colocam a Justiça moçambicana numa situação de “descrédito”. “(...) o descrédito constitui hoje uma triste realidade, com sinais evidentes de que perdemos o controlo da situação e tentamos socorrer-nos de expedientes indefensáveis. O tribunal de Kempton Park, na África do Sul, por sinal equiparado a de tribunal de distrito municipal no nosso país, tem estado a colocar na mesa cartas que embaraçam o nosso sistema de administração da justiça, cada dia que passa. Aqui a acolá pergunta-se se estamos diante de incapacidade ou se, ao invés, foram arquivados os critérios de legalidade e isenção.” Para o Bastonário da OAM: “Não pode, um Edil, restringir direitos e liberdades dos cidadãos. Estranho é que o Comandante-Geral da PRM defenda esta ilegalidade.” Relativamente às dívidas ilegais das empresas Proindicus, EMATUM e MAM, Manete anunciou que a instituição que dirige “requereu a sua constituição em assistente no Processo n.º 1/PGR/2015”, pediu a Procuradoria Geral da República que divulgue dos formalmente os nomes dos 17 arguidos no processo e declarou que “A Ordem dos Advogados espera que o Conselho Constitucional se pronuncie com relação à petição que lhe foi submetida por um grupo de cidadãos, requerendo a declaração de inconstitucionalidade da resolução da Assembleia da República, que inscreveu no orçamento do Estado as dívidas odiosas.” “Melhoremos os serviços e não os bolsos individuais”
Tal como o seu antecessor Flávio Menete continua a batalha pela redução das custas judiciais em Moçambique tendo revelado que a revisão da legislação, por parte do Governo, não está a ser conduzida rumo à mudança do paradigma. “Não defendemos a eliminação total das custas, mas é inaceitável manter um sistema que prevê o pagamento de uma percentagem aos para reforço dos salários de magistrados e funcionários judiciais. Melhoremos os serviços e não os bolsos individuais. Tenhamos coragem de fazer uma verdadeira reforma e não ensaios com interesses individuais à mistura. A expectativa de todos é que as alterações sejam substanciais e o código deixe de constituir obstáculo à justiça”, afirmou o Bastonário. “De nada valem ataques àquela ou outra instituição ou entidade porque ninguém virá fazer justiça por nós”
“É tempo de nos questionarmos sobre o que é que cada um de nós no judiciário, entre magistrados judiciais e do Ministério Público, advogados, oficiais de justiça, membros do SERNIC e do SERNAP, tem estado a fazer para o fortalecimento deste sector na prevenção e combate ao crime organizado” exortou Beatriz Buchili que insistiu na necessidade de melhorar a legislação. Sem se referir a nenhum processo em específico a PGR defendeu-se do descrédito da Justiça declarando que “De nada valem ataques àquela ou outra instituição ou entidade porque ninguém virá fazer justiça por nós” e prometeu que a instituição que dirige “continuará a servir-se de todos os instrumentos legais, incluindo no âmbito da cooperação jurídica e judiciária, para garantir a responsabilização criminal, civil ou administrativa de todos os infractores.” “Temos analistas que de tudo falam e (...)desinformam os seus seguidores lançando suspeitas sobre a actividade do sector da Justiça” Já o presidente do Tribunal Supremo, mais alto magistrado presente no evento que aconteceu em Maputo devido a “gazeta”, mais uma, do Presidente Filipe Nyusi, centrou o seu discurso no balanço dos 40 anos da Organização Judiciária de Moçambique. Aliás o evento solene iniciou com o reconhecimento do trabalho prestado por várias figuras que trabalharam na Justiça desde 1975 com particular enfoque nos “Brigadistas de 1978.
Relativamente ao “descrédito” do povo na Justiça no nosso país, e que tem nas dívidas ilegais o seu apogeu, inclusivamente com a participação do Tribunal Supremo, Adelino Muchanga disse constatou que vivemos “Numa sociedade de informação e de comunicação onde nada escapa aos meios de comunicação social e as redes sociais é cada vez mais escrutinado o trabalho da Justiça. Temos analistas que de tudo falam e dizem saber e que, as vezes, conscientemente ou não, desinformam os seus seguidores lançando suspeitas sobre a actividade do sector da Justiça.” “Sabemos que o tempo da Justiça nem sempre coincide com o idealizado pela sociedade ou pelas partes. Mas, podemos assegurar que a supremacia do Direito continuará a ser nossa obrigação e nossa obsessão”, prometeu o presidente do TS que ainda saiu em socorro dos seus pares: “O Juiz, que não representa nenhuma das partes no processo e não tem interesse próprio, deve e continuará a agir, de olhos vendados, apenas guiado pelo interesse de realizar a Justiça”. |







O Bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM) afirmou que a Justiça em Moçambique caiu “num descrédito total” devido a falta de seriedade que tem vindo a mostrar no processo das dívidas ilegais da Proindicus, EMATUM e MAM. Em jeito de resposta, discursando na abertura de mais um Ano Judicial sem a presença do Mais Alto Magistrado da Nação, a Procuradora-Geral da República (PGR) apelou a união: “De nada valem ataques àquela ou outra instituição ou entidade porque ninguém virá fazer justiça por nós”. O presidente do Tribunal Supremo (TS) apontou o dedo às redes sociais, “Temos analistas que de tudo falam e dizem saber e que, as vezes, conscientemente ou não, desinformam os seus seguidores lançando suspeitas sobre a actividade do sector da Justiça.”
O Bastonário destacou também na sua intervenção que: “A legalização de prisões ilegais constitui uma das mais graves situações que vivemos, num Estado que se pretende Direito Democrático” considerando “inaceitável” que um magistrado do Ministério Público promova a legalização do ilegal, sendo o caso recente e mais mediático o despacho do juiz que legalizou prisão do jornalista Amade Abubacar embora reconheça que a detenção foi ilegal.
Por seu turno a guardiã da legalidade apelou, e repetiu, a participação dos órgãos e instituições do Estado no combate ao “crime organizado e transnacional, como a corrupção, o branqueamento de capitais, terrorismo, tráfico de estupefacientes e substâncias psicotrópicas, tráfico de pessoas, crimes ambientais, entre outros, onde a cooperação jurídica e judiciária alcança particular relevo, e exige a todos os órgãos e instituições do Estado, atenção especial.”
No entanto, na sua fastidiosa viagem pelo passado, Adelino Muchanga acabou por concordar com a batalha da OAM sobre as elevadas custas judicias quando recordou um discurso do falecido Presidente Samora Machel: “O aparelho judiciário deve ser reorganizado para que a Justiça seja acessível e compreensível ao cidadão comum da nossa terra. O sistema burguês envolveu a administração da Justiça de uma complexidade desnecessária, de um jurisdicismo impenetrável para as massas, de um palavreado deliberadamente confuso e encoberto, de uma lentidão e custos que criam uma barreira entre o povo e a Justiça”.










