| Conferência Anual do Sector Privado (de Maputo) deve “deixar de ser um órgão de murmúrios” afirma Governo de Moçambique |
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| Escrito por Adérito Caldeira em 13 Março 2018 |
Na sua primeira CASP como timoneiro da CTA, em 2017 o evento não aconteceu, Agostinho Vuma começou por enaltecer algumas boas acções do Executivo assim como do Chefe de Estado mas manteve a tónica de lamentações do seu antecessor, “Senhor Presidente, gostaríamos de encorajar o Banco de Moçambique a ir mais a fundo nas reformas e ajustamentos macroeconómicos necessários para aliviar o sufoco que as PMEs enfrentam”.
O presidente do conselho directivo da CTA lamentou que a sua agremiação não foi auscultada pela Assembleia da República para enriquecer a proposta de Lei que Estabelece os princípios e Regras Aplicáveis ao Sector Empresarial do Estado e revelou que “nas actuais condições, não é possível aos agricultores nacionais competirem no mercado com o arroz importado da Tailândia prevalecendo a taxa de direitos aduaneiros de apenas 7,5 por cento. Mesmo que tripliquemos a produtividade actual do arroz, será impossível”. Confederação das Associações Económicas defende a revisão da Lei de Terras Agostinho Vuma saiu em defesa da indústria de sumos e refrigerantes, que na óptica do CTA estão a ser prejudicadas pela nova pauta aduaneira aprovada, e ainda defendeu a isenção da selagem das cervejas. O representante do sector privado, maioritariamente baseado na capital pois foi visível a ausência dos empresários das províncias, defendeu a revisão da Lei de Terras tendo proposto a “promulgação de procedimentos simplificados e menos restritivos para a aquisição e transferência de direitos fundiários, tanto nas áreas urbanas quanto nas rurais, protegendo-se, no entanto, os legítimos direitos costumeiros, comunitários e dos pequenos agricultores à terra”. Ainda no rol de lamentações Vuma queixou-se que “a CTA apresentou uma proposta de Lei para a participação pública nos processos legislativos e não foi levada adiante”. “Três cervejas cem, não, três blocos de construção cem, sim”, ministro Ragendra
“Porém, passado este tempo, mais um músico da nova geração nos lembra, a nós empresários, o que é que é ser empresário e diz o jovem “três cervejas cem, não, três blocos de construção cem, sim”. Esta frase encapsula dentro de si própria a função e o dever do empresário para com a sociedade moçambicana. As duas citação anteriores fazem com que a nossa grande batalha neste momento seja a transformação das mentes dos participantes na caminhada rumo ao desenvolvimento” referiu o ministro Ragendra de Sousa, numa indirecta a Agostinho Vuma que é do sector da construção civil. O governante aludiu a uma lei colonial de controlo dos preços para de forma indirecta responder aos pedidos de protecção que a CTA fez. “Muitos de nós envergamos fatos e capacetes do mercado mas ainda pensamos em controlo, esta é uma realidade que nos vem do passado. Para muitos diziam que recebemos uma economia e mercado, contudo aos mais atentos sabem que a Lei 6/63 não é deste Governo e encapsula dentro de si próprio uma economia semi-manejável, de amigos e nunca de mercado”. O ministro da Indústria e Comércio terminou a sua intervenção augurando que a Conferência Anual do Sector Privado “passasse a deixar de ser um órgão de murmúrios mas passasse a ser uma instituição mutualista onde os interesses convergem porque afinal os três actores principais o Governo, o sector privado, os trabalhadores e agora mais modernamente a sociedade civil, todos queremos o nosso desenvolvimento e a melhoria das condições de vida do nosso povo”.
Para além da ausência de empresários vindos das províncias, e quiçá dos distritos, a falta de representatividade da CTA está patente na foto de família onde não está presente sequer uma única mulher empresária! |







A Conferência Anual do Sector Privado (CASP) voltou a ser um muro para as lamentações dos empresários da Confederação das Associações Económicas (CTA) cujo presidente até defendeu a isenção da selagem para as cervejas. Em jeito de resposta o ministro da Indústria e Comércio afirmou que “três cervejas cem, não, três blocos de construção cem, sim”, citando um jovem músico. Ragendra de Sousa disse ainda que o Governo espera que a CASP deixe “de ser um órgão de murmúrios mas passe a ser uma instituição mutualista onde os interesses convergem”. O Presidente Filipe Nyusi, que
“O atraso de pagamentos de facturas pelo Estado ao Sector Privado, aliada à problemática do reembolso do IVA exacerbou as dificuldades das empresas em 2017. As empresas enfrentam hoje grandes dificuldades que seriam minimizadas com o reembolso, em tempo útil, do IVA pelo Estado. Gostaríamos de ver um plano para lidar-se com este assunto e uma melhor e mais comunicação com o sector privado”, declarou Vuma.
Reagindo em nome do Governo o ministro da Indústria e Comércio começou por socorrer-se da música popular para dar umas achegas aos empresários de Maputo “(...) ouvimos da CTA um conjunto de preocupações legítimas porém também nos cabe dizer que a CTA hoje já é uma instituição consolidada, já tem mais de 20 anos, contudo o nosso músico Chico António na sua música célebre “Me candongar” nos lembra de onde viemos. Ele diz-nos, e diz nos bem, que há bem pouco tempo nós que hoje estamos nesta sala como empresários dignos do nome éramos chamados candongueiros”.
Convidado pelo ministro para efectuar o discurso de abertura Chefe de Estado disse que “(...) vou dispensar de fazer o discurso porque tenho ocasiões de o fazer, podemos ganhar o tempo e ouvir as apresentações”. Na anterior CASP, que aconteceu em Julho de 2016, o Presidente Filipe Nyusi havia minimizado a dimensão da agremiação, “o sector privado em Moçambique é vasto, com preocupações diferentes e necessidades produtivas diversificadas”.











