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Índice de Desenvolvimento Humano melhorou mas Moçambique continua a ser um dos dez piores do mundo
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Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  em 09 Dezembro 2019 (Actualizado em 10 Dezembro 2019)
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O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) melhorou um pouco em Moçambique, contudo o nosso país continua a ser um dos dez piores do mundo. Para o Representante do PNUD, Alfredo Teixeira, “A desigualdade é uma escolha da política pública, mas não é uma inevitabilidade, é possível tomar medidas para corrigi-las” tendo desafiado o Governo de Filipe Nyusi a reflectir no Plano Quinquenal 2020-2024 “as questões da desigualdade” tendo sugerido o uso dos recursos naturais para diminui-las.

O “Moçambique melhor” prometido por Filipe Nyusi a 15 de Janeiro de 2014 continua a ser uma miragem revela o recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) onde embora o IDH - que varia de 0 a 1e tem como base indicadores de Saúde, Educação e rendimentos - tenha subido de 0,418 para 0,446 o nosso país continua a ser um dos piores do mundo.

Moçambique ocupa a posição 180, a mesma do ano passado, sendo melhor do que a Serra Leoa, o Burkina Faso, a Eritreia, o Mali, o Burundi, o Sudão do Sul, o Chade, a República Centro Africana e o Níder. Alfredo Teixeira assinalou que “A desigualdade está-se a tornar numa das características do século XXI, o seu impacto está a desencadear tensões económicas e sociais crescentes em todo o mundo, tensões que infelizmente vemos quase diariamente em todo o mundo”.

Embora não tenha particularizado o regresso da tensão com o partido Renamo, no Centro de Moçambique, e o conflito com o Al-Shabaab, no Norte, o Representante do PNUD afirmou que: “Estes acontecimentos são muitas vezes motivados por um profundo sentimento de injustiça e marginalização por parte das pessoas preteridas pela transformação que assolou a economia global e política nas últimas décadas. A desigualdade é uma escolha da política pública, mas não é uma inevitabilidade, é possível tomar medidas para corrigi-las”.

“Apesar do progresso do desenvolvimento humano básico o mundo não está no caminho certo para a erradicação das privações extremas na área da Saúde, Educação até 2030, quando ainda se espera que 3 milhões de crianças menores de 5 anos morram todos os anos e 225 milhões de crianças não frequentem a escola”, declarou Teixeira sem indicar que 79 mil dessas crianças morrem actualmente em Moçambique e que todos anos cerca de meio milhão de adolescentes terminam o ensino primário mas não podem prosseguir com os estudos porque não existem escolas secundárias em número suficiente.

De acordo com o Representante do PNUD o relatório “demonstra que a desigualdade começa mesmo antes do nascimento, a elaboração de políticas de igualdade de inclusão devem abranger todas as fases de desenvolvimento pessoal e humano, da infância e ao longo da vida, incluindo investimento na Educação das crianças, na Saúde e na nutrição”. Dentre as 13 milhões de crianças moçambicanas perto de 5,5 milhões tem desnutrição crónica e quase um milhão sofre padece de desnutrição aguda, doença que reduz a capacidade de aprendizagem dos petize o que lhe dificultará conseguirem bons empregos ou fontes de rendimento que os permitia apanhar o elevador social em Moçambique.

PNUD desafia Governo de Filipe Nyusi a usar recursos naturais para diminuir desigualdades

Alfredo Teixeira assinalou ainda que: “Em Moçambique o presente relatório chega num momento oportuno pois o país entra num novo ciclo político após as recentes eleições de 15 de Outubro de 2019, ciclo que será tutelado pelo novo Plano Quinquenal do Governo, o relatório constitui uma oportunidade única para reflectir sobre as questões da desigualdade, questões que não são alheias ao país.

“Neste contexto é imperativo que o Governo e os actores de desenvolvimento em Moçambique se juntem para conceber formas de abordar a problemática da desigualdade no país em todas as suas dimensões, afim de evitar que essas desigualdades alimentem desavenças e tensões sociais e coloquem o país num caminho mais inclusivo do crescimento económico e do desenvolvimento sustentável e garantam que ninguém seja preterido ou fique para trás”, demandou o Representante do PNUD.

Foto de Adérito CaldeiraTeixeira recordou que: “A maior exposição de Moçambique aos impactos das Mudanças Climáticas, e o potencial que estes têm para alargar o fosso dos padrões de vida entre os que estão no topo e os mais desfavorecidos, torna este apelo particularmente urgente. A este propósito, atente-se que os protestos que hoje ocorrem no mundo reflectem não só as preocupações do quotidiano, mas as angústias que o futuro projecta. Alguns advogam que estamos numa idade da ansiedade, pois as pessoas estão preocupadas com o seu futuro, particularmente em virtude da sombra da crise climática e das transformações tecnológicas das nossas sociedades”.

“A sua riqueza em recursos naturais, incluindo os seus recursos de gás natural, proporcionam a Moçambique uma oportunidade única para abordar estas preocupações de uma vez por todas”, desafiou o Representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento ao Governo de Nyusi que gazetou ao lançamento do Relatório de Desenvolvimento Humano 2019.

Para o Economista Sénior PNUD, Alex Warren Rodriguez, o mais dramático para países como o nosso é que enquanto está a alcançar a sobrevivência à primeira infância, a Educação primária universal, o acesso à tecnologia básica e tenta criar resiliência aos choques climáticos novos desafios de impõem como o acesso à Saúde de qualidade e a Educação de alta qualidade a todos níveis e que devem exacerbar novamente as desigualdades.

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