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Dívida da EDM à ESKOM aumentou porém maiores são as facturas atrasadas da HCB e CTRG
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Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  em 11 Novembro 2019 (Actualizado em 12 Novembro 2019)
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Na semana passada a Electricidade de Moçambique (EDM) foi referida no Parlamento da África do Sul como uma das empresas que devedoras da Eskom, com o equivalente a 886 milhões de meticais. No entanto o @Verdade apurou que as principais dívidas da eléctrica estatal são à Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), que voltou a aumentar para 4,4 biliões, e agravou as facturas por pagar à Central Térmica de Ressano Garcia (CTRG), ascendem a 5,9 biliões de meticais.

No contexto da crise eléctrica que o país vizinho está a enfrentar e do escandaloso endividamento da Electricity Supply Commission of South Africa (Eskom) foi revelado no Parlamento do país vizinho que a EDM é uma das três empresas estatais de energia estrangeiras que tem facturas por pagar. A Zimbabwe Electricity Supply Authority (Zesa Holdings) deve 322 milhões de rands, Zambiana Zesco deve 89 milhões de rands e a Electricidade de Moçambique tem uma dívida de 221 milhões de rands.

O @Verdade confirmou a existência dessa dívida que equivale a 886.172.173 meticais inscritos nas Demonstrações Financeiras de 2018. Este montante tem vindo a acumular-se desde 2016, quando estava cifrada no equivalente 147 milhões meticais, tendo crescido para o equivalente a 698 milhões de meticais em 2017.

Este montante é relativo a energia que a Electricidade de Moçambique precisa de importar para suprir a demanda de energia no Sul do país, onde o seu principal cliente é à fundição de alumínio Mozal e só depois os consumidores domésticos.

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que a importação de energia à África do Sul em 2018 foi de 75,6 Gigawatts hora (GWh), menos de metade que que era importado em 2014, que foi de 177 GWh, porém representa um aumento de 4,8 por cento relativamente a 2017 quando compra de energia à Eskom foi de 72,1 GWh.

Um paradoxo derivado da guerra dos 16 anos que resultou na danificação das linhas de transporte de Alta Tensão desde a Hidroeléctrica de Cahora Bassa à Cidade e Província de Maputo. Outra contradição é que a África do Sul compra electricidade muito barata à HCB no entanto vende a EDM a um custo de mercado bem mais elevado.

EDM aumentou dívidas com todos os seus fornecedores de energia

Contudo o @Verdade descortinou a dívida à Eskom é apenas a sexta mais alta do passivo da EDM com os seus fornecedores que voltou a aumentar de 20,5 biliões em 2017 para 24,9 biliões no ano passado.

A dívida mais alta é de 5,9 biliões de meticais e refere-se a compra de energia a Central Térmica de Ressano Garcia, empresa que é detida pela EDM em 51 por cento em parceria com a sul-africana Sasol.

Outra dívida alta é a HCB que cresceu para 4,4 biliões de meticais, depois de ter sido saneada contabilisticamente em 2017 para possibilitar a admissão à Bolsa de Valores da hidroeléctrica. A EDM é accionista maioritário da Hidroeléctrica de Cahora Bassa.

A Electricidade de Moçambique também aumentou a sua dívida com outros fornecedor de energia privados, a Gigawatt Moçambique a quem devia 3,2 biliões de meticais e no ano passado ficou a dever 3,7 biliões de meticais e a Aggreko Africa passou deixou por pagar 1,7 bilião de meticais.

Também maior do que a dívida à estatal de energia sul-africana é a dívida da EDM à empresa chinesa Hexing Electrical CO, uma das suas principais fornecedoras de equipamentos e componentes diversos.

A incapacidade da Electricidade de Moçambique tornar viável as suas operações deve-se a dificuldades de financiamento mas principalmente ao que a sua Administração denomina situação de conflito de mandato: carregando o ónus da electrificação de Moçambique assente na vontade política mas sem as necessárias premissas de viabilidade e sustentabilidade a médio e longo o prazo.

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