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ExxonMobil e Eni apadrinham reeleição de Nyusi e do partido Frelimo
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Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  em 08 Outubro 2019
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Foto da Presidência da RepúblicaA ExxonMobil e Eni apadrinharam nesta terça-feira (08) a campanha para a reeleição de Filipe Nyusi como Presidente de Moçambique anunciado investimentos antecipados de 520 milhões de dólares. Na véspera a petrolífera italiana havia dado um contributo separado garantindo mais fundos para o Ministério da Terra Ambiente e Desenvolvimento Rural que é o “saco azul” da campanha do partido Frelimo. Escolhido no início do ano pelas petrolíferas Nyusi, em tom de Chefe de Estado reeleito, agradeceu a confiança e reafirmou o seu slogan: “Moçambique tem tudo para dar certo”.

A decisão final de investir no Campo Mamba da Área 4 na Bacia do Rovuma, na Província de Cabo Delgado, que o Consórcio Mozambique Rovuma Venture S.p.A (MRV) havia previsto realizar em “meados” de 2019 foi adiada para Março de 2020.

O director da ExxonMobil Moçambique, Jos Evens, petrolífera que lidera o Consórcio concessionário, e que a 8 de Outubro do ano passado prognosticou em Maputo que: “estamos agora em posição para a nossa Decisão Final de Investimento para o projecto de LNG (acrónimo em inglês para gás natural liquefeito) do Rovuma em meados do próximo ano”, escusou-se a esclarecer ao @Verdade os motivos do adiamento.

Porém o ministro dos Recursos Minerais e Energia deu a entender ao @Verdade que o adiamento está relacionado com atrasos nas aprovações do projecto por parte do Governo de Moçambique, “o Plano de Desenvolvimento foi aprovado em Maio, há pouco tempo”.

“Não está atrasado, se olhar para o cronograma do Plano de Desenvolvimento. Com esta decisão de hoje começam investir mais de 500 milhões de dólares, entre Outubro (de 2019) e Março (de 2020) para criarem as condições para o empreiteiro em finais de Maio (de 2020) iniciar a construção das infra-estruturas principais. Não há nenhum atraso, pelo contrário, tendo em conta que eles estão a concorrer com outros projectos no mundo para fechar um gap que existirá no mercado de LNG entre 2024 e 2025, o primeiro a arrancar é que vai ter a oportunidade, portanto o target está aí”, esclareceu ao @Verdade o ministro Max Tonela.

Petrolíferas que estão a explorar o gás natural nas Áreas 1 e 4 decidiram no início do ano apoiar a reeleição de Nyusi e do partido Frelimo

Depois da Anadarko ter investido na pré-campanha, da Total ter injectado 880 milhões dólares em plena campanha eleitoral, na semana que antecede a votação das sextas Eleições Gerais a ExxonMobil e Eni apadrinharam a campanha do partido Frelimo anunciando uma injecção na economia moçambicana centenas de milhões de dólares norte-americanos que permitem ao Governo não precisar de rever o seu Orçamento de Estado de 2019 deficitário e ao mesmo tempo equilibrar a balança de pagamentos e estabilizar o Metical.

Foto da Presidência da República“Esta decisão da concessionária da Área 4, de antecipar investimentos na ordem de 520 milhões de dólares em actividades preparatórias e assinatura de contrato da empreitada das infra-estruturas de gás natural liquefeito (...) é um marco importante rumo a Decisão Final de Investimento que esperamos que seja anunciada no 1º semestre de 2020”, saudou o Presidente da República e candidato do partido Frelimo.

Nyusi, em tom de candidato vencedor das Eleições Presidenciais da próxima terça-feira (15), vangloriou-que que “com as acções que temos vindo a desenvolver no sector da indústria extractiva asseguramos já que nos próximos cinco anos teremos investimento privado em curso superior a totalidade do investimento realizado desde a nossa independência nacional o que nos permite reafirmar mais uma vez, e com segurança, que Moçambique tem tudo para dar certo”.

O @Verdade descobriu que as petrolíferas que lideram os Consócios que estão a explorar o gás natural existente nas Áreas 1 e 4 da Bacia do Rovuma decidiram no início do ano apoiar a reeleição de Filipe Nyusi e do partido Frelimo após realizarem encontros de auscultação a académicos, banqueiros e diplomatas conhecedores e com experiência em Moçambique. Um desses encontros foi promovido pala Chatham House e aconteceu na Cidade de Londres, no Reino Unido.

Além disso, no início de 2018, altura em que o Presidente moçambicano enfrentava dificuldades em ser recebido por vários chefes de Estado ocidentais por causa das dívidas ilegais, as portas da Chatham House, também conhecido como o Instituto Real de Relações Internacionais britânico, abriram-se e Filipe Nyusi usou-o como palco para propagandear sobre os seus esforços pela paz, democracia e desenvolvimento inclusivo no nosso país.

Projecto “inSustenta, que sustenta o Ministério e as elites clientelistas e corruptas do MITADER”

Foto da Presidência da RepúblicaOutro apoio a campanha eleitoral do partido no poder aconteceu na segunda-feira (07) com a petrolífera Eni a disponibilizar-se para a financiar, em montante não revelado, projectos de desenvolvimento sustentável e conservação florestal inseridos no programa REDD+ que está a ser implementado pelo Ministério da Terra Ambiente e Desenvolvimento Rural (MITADER).

É mais dinheiro para o ministério dirigido por Celso Correia, o director da campanha do partido Frelimo para as eleições Presidenciais, Legislativas e Províncias de 15 de Outubro, que tem estado a garantir grande parte da logística para a manutenção de Nyusi e do partido Frelimo no poder. Durante o quinquénio o MITADER foi o pelouro que mais dinheiro recebeu dos Parceiros de Cooperação, particularmente do Banco Mundial, apesar da suspensão decorrente das dívidas ilegais.

Em entrevista recente ao @Verdade o académico Adriano Nuvunga classificou o Ministério da Terra Ambiente e Desenvolvimento Rural como “o exemplo da grande corrupção no nosso país”.

Foto de Adérito CaldeiraEmbora para a opinião pública o MITADER seja o pelouro que acabou com tráfico de madeira e encurralou os caçadores furtivos, Nuvunga revelou ao @Verdade que “o entendimento das pessoas informadas é que o Estado combateu isso, particularmente a questão da madeira, para passar a haver um crime do próprio Estado, temos de pensar na possibilidade de criminalizar o Estado pelas novas rotas do tráfico da madeira”.

Relativamente ao projecto Sustenta que até parece estar a dinamizar a agricultura no Centro e Norte de Moçambique o professor Adriano Nuvunga apelida-o de “inSustenta” e não tem dúvidas “que sustenta o Ministério e as elites clientelistas e corruptas do MITADER, esse dinheiro todo é crédito para o Estado moçambicano, vamos pagar nós com os nossos impostos, mas esse dinheiro é gerido corruptamente por Celso Correia”.

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