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Estado “livra-se” da Mabor de Moçambique, antiga fábrica de pneus será usada na produção de artigos de papelaria
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Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  em 18 Setembro 2019 (Actualizado em 19 Setembro 2019)
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O Estado moçambicano que nunca conseguiu viabilizar Mabor de Moçambique vendeu 100 por cento do património à Officemart, uma empresa do ramo de produção de artigos de papelaria, em troca de quase duas centenas de milhões de Meticais que permitiu saldar uma dívida de dezenas de milhões de rands. Entretanto os pneus Mabor continuam a ser produzidos na Europa e Estados Unidos da América e comercializados pelo mundo, Moçambique tornou-se importador de pneus.

Através de um Despacho do primeiro-ministro, datado de 20 de Junho de 2019, “É adjudicada à Officemart, Lda., a aquisição de 100 por cento do património fabril da Mabor de Moçambique – Manufactura, S.A.R.L.”.

O @Verdade apurou que o que arrastou a privatização da antiga fábrica de pneus, que antes de falir chegou a exportar para a África Austral e outros cantos do globo, foi uma dívida de milhões de rands.

“Estava hipotecada ao Millennium Bim por uma dívida de 72 milhões de rands, desde os anos 90”, revelou Raimundo Matule, Administrador do Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE).

“O Estado não tinha 72 milhões de rands para pagar ao (Millennium) Bim até que o banco, no ano passado, aproximou-se e disse ter alguém que podia ficar com a Mabor e assumir os 72 milhões de rands em dívida”, esclareceu Matule ao @Verdade.

O Administrador do IGEPE precisou que Officemart, Lda pagou 180 milhões de Meticais pelos 23 mil metros quadrados de património da Mabor dos quais 125 milhões ficaram com o Millennium Bim e o Estado recebeu 55 milhões de Meticais. “Ainda deu para pagar dívidas mais pequenas como ao INSS, aos trabalhadores”, acrescentou Raimundo Matule.

O comprador, a Officemart, relacionado ao Grupo Canon Impex, vai usar as instalações para expandir as suas actividades de papelaria e impressão gráfica.

O @Verdade apurou que a fábrica da Mabor, no bairro do Zimpeto, estava em construção quando Moçambique tornou-se independente e o Governo do partido Frelimo chegou a acordo com os proprietários, uma empresa portuguesa denominada Manufactura Nacional de Borracha, para a continuidade da obra que culminou com a inauguração em 1979.

Mabor faliu e Moçambique gasta 40 milhões de dólares na importação de pneus

Reza a história que a sigla Mabor resulta do nome da esposa de um dos fundadores da empresa Maria Borges. Em Portugal a empresa foi criada em 1938 por Júlio Anahori de Quental Calheiros e Francisco Borges em parceria com os americanos da General Tire, resultando daí a marca Mabor General.

Actualmente os pneus Mabor continuam a ser produzidos na Europa e América como uma das marcas do Grupo norte-americano Continental. Durante os ano em que a Mabor operou Moçambique viveu uma profunda crise económica e financeira, decorrente do socialismo que o partido Frelimo implantou, e o mercado da África do Sul era o destino de um terço da produção de pneus.

Após o abandono dos proprietários portugueses o Estado assumiu a Mabor, como havia feito com centenas de indústrias, mas o modelo de economia planificada e sem acesso ao seu principal mercado de exportação a fábrica acabou por falir embora tenha recebido várias injecções financeiras do Tesouro. Em 2018 a Mabor de Moçambique ainda tinha por amortizar ao Estado empréstimos no valor de 5,8 milhões de Meticais.

Paradoxalmente o nosso país, que agora vive um boom no mercado automóvel, tornou-se num grande importador de pneus, muitos deles de qualidade duvidosa, a factura anual ronda os 40 milhões de dólares norte-americanos.

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