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PIB, para compensar o crescimento da população em Moçambique, “deveria estar nos 12 a 15 por cento”
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Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  em 08 Agosto 2019
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A colocação da primeira pedra para a construção da Fábrica de Gás Natural Liquefeito em Afungi, no Distrito de Palma, foi mais um evento para reafirmar que nada será como dantes em Moçambique. Contudo os biliões de dólares ansiados em receitas para o Estado não chegarão para compensar o crescimento da população moçambicana de acordo com o Professor António Francisco: “a necessidade de expansão de capital e infra-estruturas para cobrir o crescimento populacional de 3 por cento o PIB deveria estar nos 14 por cento”, não nos 7 a 8 por cento projectados.

“Moçambique está a dar passos gigantescos rumo a geração de mais fontes de receita que permitirão a estruturação da nossa economia a longo prazo”, afirmou nesta segunda-feira o Presidente da República, Filipe Nyusi, após colocar mais um tijolo para a construção das infra-estruturas que vão transformar o gás natural existente na Área 1 da Bacia do Rovuma, na Província de Cabo Delgado, em gás comercializável.

O Chefe de Estado recordou que “com esta infra-estrutura serão gerados dezenas de milhares de empregos, directos e indirectos, durante a vida útil do projecto” e que, quando a exportação iniciar a economia moçambicana vai voltar a crescer significativamente.

O Ministério da Economia e Finanças projecta que o Produto Interno Bruto (PIB), que no ano passado foi de apenas 3,3 por cento, deverá disparar para 9,9 por cento em 2023 e depois recuar para os 8 e 7 por cento até 2030.

Para o Professor Catedrático da Universidade Eduardo Mondlane e Doutorado em Demografia, António Francisco, tendo em conta o crescimento da população em Moçambique, projecções das Nações Unidas indicam que em 2025 Moçambique terá 36 milhões de habitantes, o crescimento da economia deveria ser muito maior.

“Estudos que mostram que com 3 por cento de crescimento da população nós deveríamos ter um crescimento do PIB a praticamente 13 por cento, a necessidade de expansão de capital e infraestruturas para cobrir o crescimento populacional de 3 por cento deveria estar nos 14 por cento” alertou o Professor Francisco durante uma apresentação onde enfatizou a necessidade de “políticas públicas à sério”.

Apresentação de António Francisco

Na análise do académico “os mais de 30 milhões (de pessoas) que vem a caminho não estão a ser tomados em consideração. O crescimento (do PIB) para compensar os 3 por cento (de crescimento populacional) deveria estar nos 12 a 15 por cento e não nos 7 ou 8 (por cento)”.

Subdesenvolvimento e pobreza crónica em Moçambique não são causados pelas multinacionais

António Francisco apresentou evidências, durante uma Conferência sobre “Pobreza, Desigualdades e Modelos de Desenvolvimento”, organizada no pelo Observatório do Meio Rural, que Moçambique não está a conseguir sair do subdesenvolvimento.

Apresentação de António Francisco

“Outro indicador crucial de subdesenvolvimento é a pobreza crónica, o limiar de sobrevivência nutricional da OMS é de 2.100 quilocalorias por pessoa por dia, a recomendação da OMS são 2.400 quilocalorias por pessoa por dia, Moçambique sempre esteve ou abaixo da linha de sobrevivência mas nunca alcançou as quilocalorias recomendadas”, constatou o Professor Catedrático.

Foto de Adérito CaldeiraFrancisco concluiu que contrariamente ao que alguns defendem o subdesenvolvimento e a pobreza crónica em Moçambique “não são um problema causado pelo capital, não são um problema das multinacionais, mas um problema de falta de capital. A pobreza reina resiliente há séculos”.

Paradoxalmente a crise económica e financeira, precipitada pela dívidas ilegais, veio agravar ainda mais o subdesenvolvimento e a pobreza no nosso país.

Um estudo do Instituto para Pesquisa sobre Desenvolvimento Económico da Universidade das Nações Unidas (UNU – WIDER) revelou recentemente que “existe uma grande probabilidade que muitas famílias que em 2014/15 - com os preços vigentes naquele ano - conseguiam comprar ou produzir para seu próprio consumo uma cesta básica de aproximadamente 2150 quilocalorias, diárias por pessoa, mais um conjunto de alimentos não alimentares, tenha deixado de poder fazê-lo em 2016, dado o maior nível de preços, particularmente nos últimos meses do ano”.

Se as receitas da exploração do gás natural em Cabo Delgado não serão suficientes para o prometido “futuro melhor” menos promissor fica o horizonte tendo em conta as dívidas conhecidas que o Estado moçambicano tem acumulado ao longo da última década e vai aumentar ainda mais até 2024.

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