Faixa publicitária
Nyusi e Momade acabaram com um dos mais antigos conflitos em África num acto público ignorado pelo povo
PDF
Versão para impressão
Enviar por E-mail
Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  em 07 Agosto 2019
Share/Save/Bookmark

Moçambique, e nem mesmo a Cidade de Maputo, não pararam para testemunhar o Acordo de Paz e Reconciliação rubricando, em Maputo, no fim da tarde desta terça-feira (06) por Filipe Nyusi e Ossufo Momade. “Este não é nenhum Acordo entre inimigos, é um Acordo que prova que não queremos mais guerra” declarou o Chefe de Estado. O líder do partido Renamo particularizou, mais uma vez, os agradecimentos “ao nosso Estado-Maior General na pessoa do General Timothy Mackenzie”. Testemunhado pelo líder do MDM e outros altos dignitários o Acordo que pôs fim a umas das mais antigas guerra em África não contou com a presença das Organizações da Sociedade Civil.

“Isso é negócio deles” disse ao @Verdade uma jovem aborrecida pelo encerramento do perímetro ao redor da praça da paz, onde aconteceu a cerimónia, que a fez caminhar a pé alguns quilómetros até a sua residência. Um cidadão que tentava ganhar dinheiro apostando em partidas desportivas estrangeiras desabafou “isso não me interessa, já estou cansado das brincadeiras desses”.

O comércio não fechou, nem mesmo a poucos metros do local da assinatura, a maioria dos maputenses esteve nos locais de trabalho e no caótico tráfego da capital enquanto decorria a importante cerimónia que pôs fim a terceira guerra civil na história de Moçambique. Não houve comemorações por parte do povo.

Dirigindo-se à Nação o Presidente Nyusi começou por assinalar que “hoje a política venceu o abismo da divisão e da violência que ao longo dos anos vinha provocando morte, destruindo o nosso tecido económico e colocando o povo em pólos antagónicos”.

“O Acordo que acabamos de assinar é um Acordo de irmãos que chegaram definitivamente a consciência que não há mais razão para continuar a matarem-se. Este não é nenhum Acordo entre inimigos, é um Acordo que prova que não queremos mais guerra” declarou o Presidente de Moçambique após rubricar o documento que ainda deve ser ratificado pela Assembleia da República, numa sessão extraordinária a ser agendada nos próximos dias.

O Chefe de Estado enfatizou: “Hoje estamos aqui para dizer a todos os moçambicanos, do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico, assim como na diáspora, e a toda a Comunidade Internacional, aqui bem representada com a presença de chefes de Estado e Governos de países irmãos e individualidades estrangeiras de países Parceiros de Cooperação, de organizações regionais, internacionais e multilaterais, que o processo que iniciamos é irreversível”.

“E não queremos mais guerra, não queremos mais ver irmãos contra irmãos a lutar. Não queremos jamais ver o sangue derramado para nos libertarmos do jugo colonial desvalorizado e vilipendiado por uma luta entre irmãos. Não temos ilusões que doravante tudo será um mar de rosas, no processo de construção de um país de paz, harmonia, progresso e bem-estar pelo qual pugnamos”, disse também o Chefe de Estado.

Ignorando a ausência do seu povo (presentes estiveram membros organização da mulher, jovens e crianças do partido Frelimo) e até mesmo de representantes das principais Organizações da Sociedade Civil o Presidente Nyusi apelou aos moçambicanos “que acolhamos os nossos irmãos desmobilizados da Renamo e ajudar na sua reintegração sócio-económica”.

“Que o sangue derramado não tenha sido em vão e permaneça sempre o espírito da boa fé”

Tal como havia feito publicamente quando foi eleito presidente do maior partido de oposição, a 17 de Janeiro passado, Ossufo Momade começou o seu discurso agradecendo “nesta ocasião de cessar fogo, de forma particular, reconhecemos e agradecemos ao nosso Estado-Maior General na pessoa do General Timothy Mackenzie, aos comandantes e soldados que desde a primeira hora aceitaram o chamamento da Renamo”.

Para o líder do maior partido de oposição, a Renamo, “o cessar fogo deve significar o início de uma era que deve caracterizar-se pela aceitação de pensamentos diferentes e coabitação política pacífica. A alternância governativa, através de eleições livres, justas e transparentes deve ser a regra e não excepção. Doravante a nossa visão deve ser potenciar o que nos une e não o que nos divide, como um povo pois assim poderemos, a curto prazo alcançar o desenvolvimento e erradicar a pobreza que está a sufocar as nossas populações. O cessar fogo que agora inicia em todo o território nacional traz nova esperança e confiança a nossa sociedade, desde que a boa fé continue a imperar entre as partes”.

Momade, o primeiro presidente do partido Renamo a cantar o hino nacional num acto de Estado, terminou reiterando “os nossos apelos de não voltarmos a cometer os mesmos erros e criar um ambiente favorável para a realização de eleições livres, justas e transparentes. Que o sangue derramado não tenha sido em vão e permaneça sempre o espírito da boa fé”.

O Acordo de Paz e Reconciliação teve como testemunhas os Presidentes da Namíbia, do Ruanda, da Tanzânia, o embaixador da Suíça e representantes do Secretário-Geral das Nações Unidas, representante da Comunidade de Santo Egídio e o antigo Presidente Joaquim Chissano. Curiosamente o ex-Presidente Armando Guebuza, presente na tribuna, não foi convidado.

Comentar


Código de segurança
Atualizar

 
Avaliação: / 2
FracoBom