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Economia de Moçambique desacelera para 2,5 por cento no 1º trimestre devido a indústria do carvão
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Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  em 11 Junho 2019 (Actualizado em 13 Junho 2019)
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Instituto Nacional de EstatísticaO Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique desacelerou para 2,5 por cento no 1º trimestre de 2019, são menos 1,2 pontos percentuais comparativamente a igual período de 2018 e 0,5 pontos percentuais relativamente ao último trimestre do ano passado. Embora as Contas Nacionais já incluam o mês em que a província de Sofala foi massacrada por um ciclone tropical forte o economista João Mosca ressalvou que “não podemos agora referir o (ciclone) Idai para justificar as todas variáveis macroeconómicas”, e assinalou “um decrescimento do PIB da indústria de extracção mineral”, que no período foi de apenas 2 por cento.

“O Produto Interno Bruto a preços de mercado apresentou uma variação positiva de 2.5 por cento no 1º Trimestre de 2019 comparado ao mesmo período do ano anterior. Perante um PIB do primeiro trimestre de 2018 revisto em alta em 0.4 pontos percentuais, o nível de crescimento do PIB registado no primeiro trimestre representa uma desaceleração da economia em 1.2 pontos percentuais”, indica o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Nas Contas Nacionais dos primeiros 3 meses do ano o INE assinala o bom desempenho do sector terceário que cresceu 2,7 por cento, “com maior destaque para os ramos de Aluguer de Imóveis e Serviços prestados as empresas com crescimento na ordem de 5,0 por cento, seguido pelo ramo de Transportes, Armazenagem e Actividades auxiliares dos transportes, e Informação e Comunicações com 3,3 por cento”, ainda assim abaixo do desempenho de 4,1 por cento de igual período de 2018.

O sector primário que no 1º trimestre de 2018 havia crescido 4,7 por cento ficou no início deste ano na segunda posição de contribuição para o PIB “com um crescimento de 2,5 por cento induzido pelo ramo da Agricultura, Pecuária, Caça, Silvicultura, Exploração florestal, Actividades relacionadas com 2,6 por cento, não obstante o ramo da pesca e aquacultura ter registado um crescimento de cerca de 3,8 por cento”, refere a análise publicada nesta segunda-feira (10) com cerca de 1 mês de atraso à data normal de divulgação.

Segundo o INE, “O sector secundário registou um crescimento moderado de 0,5 por cento impulsionado pelo ramo da industria transformadora com uma variação positiva de 2,9 por cento e negativamente pelo ramo de electricidade, gás e distribuição de água com menos 7,1 por cento”, relativamente a 1,7 por cento de contribuição para o Produto Interno Bruto de igual período do ano passado.

João Mosca contraria projecções do Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial e do Governo sobre impacto do Idai na economia

Instituto Nacional de EstatísticaA Agricultura, Pecuária, Caça, Silvicultura, Exploração florestal, Actividades relacionadas e Pesca continua a ter a maior participação na economia com um peso no PIB de 23,1 por cento, comparativamente a 23,5 por cento no 1º trimestre de 2018, seguido do ramo Comércio e Serviços de reparação com 10,6 por cento, abaixo dos 11,5 de 2018 de acordo com os dados do INE.

Contudo uma análise recente do Observatório do Meio Rural mostra que embora o sector agrário seja o que contribui mais para o Produto Interno Bruto, entre “2011 para 2018, a variação anual deste sector esteve abaixo de 5 por cento.

Por outro lado, embora estas Contas Nacionais já cubram o mês de Março, em que o ciclone Idai atingiu o Centro de Moçambique tendo massacrado a Província de Sofala, o Professor Catedrático e economista João Mosca esclareceu ao @Verdade que “os dados macroeconómicos são gerais em que o Idai, pela sua duração curta, acaba por ter um efeito muito limitado sobre os indicadores globais.

“Portanto existirão muitas outras razões que possam justificar mudanças nas variáveis macroeconómicas neste ano de 2019”, afirmou Mosca contrariando as projecções do Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial e do Governo que reviram para menos de metade o PIB deste ano justamente influenciado pelo impacto do Ciclone Idai na economia.

O Professor que é também director do Observatório do Meio Rural, disse ao @Verdade que a “agricultura pode, naquela zona restrita, ter sido afectada mas sem grandes reflexos no PIB agrícola”, e insistiu que: “nas perspectivas deste ano pouco se pode atribuir ao Idai tanto mais que os volumes financeiros da ajuda para reconstrução ainda não entraram”.

Actividade da indústria extractiva de carvão quedou-se em 2 por cento comparativamente aos 9 por cento de 2018

João Mosca chamou atenção para “uma coisa interessante é que nos dados do INE aparece um decrescimento do PIB da indústria de extracção mineral e a agricultura desceu muito pouco”.

O @Verdade descortinou nas Contas Nacionais publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística que a actividade da indústria do carvão mineral, que não foi afectada pelo Ciclone Idai, quedou-se em 2,0 por cento comparativamente aos 9 por cento do 1º trimestre de 2018 e aos 14,4 por cento de finais do ano passado.

Corroborando essa menor actividade a rubrica de impostos específicos da actividade mineira do Relatório de Execução Orçamental do 1º trimestre decresceu “justificada pelas chuvas acima do normal que influenciaram negativamente o processo de extracção mineira e ainda o aumento do custo de transporte do carvão, dedutível no imposto de produção”.

Para além da chuva que em Tete não foi tão anormal para a época chuvosa o jornal Zitamar apurou que a principal empresa que explora carvão em Moçambique e exporta através de Nacala reportou nas suas contas do 1º trimestre uma redução de receitas do minério de melhor qualidade, o carvão metalúrgico, pois a mina em Moatize tem cada vez menos reservas desse tipo.

A análise do Observatório do Meio Rural (OMR) que estamos a citar indica que durante a última década as taxas de crescimento do PIB em Moçambique foram “suportadas pela indústria extractiva e pelos sectores cuja produção e serviços estão directamente relacionados com a extracção de recursos naturais”, sector que não foi afectado por nenhuma das Calamidades Naturais que fustigaram o nosso país.

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