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Só à segunda tentativa Governo de Nyusi conseguiu vender Títulos do Tesouro
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Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  em 08 Agosto 2018 (Actualizado em 09 Agosto 2018)
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Grafismo de Nuno TeixeiraSó à segunda tentativa, baixando a sua expectiva e aumentando os juros, o Governo de Filipe Nyusi conseguiu colocar no mercado financeiro moçambicano as Obrigações do Tesouro 2018 - 5ª Série para financiar mais um mês do défice do Orçamento do Estado. O Ministério da Economia e Finanças não explica que impacto está a ter esta falta de dinheiro na tesouraria mas o facto é que em Julho, pela primeira vez há muitos anos, milhares de funcionários públicos não receberam os salários até ao dia 30.

Nesta terça-feira (07) o Executivo voltou a tentar colocar no Mercado de Valores Mobiliários as Obrigações do Tesouro 2018 – 5ª Série que no passado dia 26 de Junho não conseguiu encontrar compradores.

Depois de na primeira tentativa ter procurado obter financiamento de 1 bilião de meticais no novo leilão, dos mesmo Títulos de Dívida Pública Interna, o Governo reduziu o montante a obter, para 700 milhões de meticais, e melhorou a taxa de juro, para 16 por cento.

“De acordo com as propostas apresentadas pelos Operadores Especializados em Obrigações do Tesouro, a procura global da Emissão foi de 920.000.000,00 de MZN, tendo a relação procura e oferta sido de 131,43%, e as respectivas taxas de juro situaram-se entre 16,000% e 20,250%. De acordo com a taxa de corte do Estado, o valor da emissão foi de 920,00 milhões de MZN”, informa um comunicado da Bolsa de Valores de Moçambique.

Esta é a segunda vez, em três meses, que o Executivo enfrentou dificuldade para financiar-se e teve de baixar as suas expectativas.

O @Verdade revelou que em Maio quis obter financiamento de 1,5 bilião de meticais, através da venda 4ª Série de Obrigações do Tesouro 2018, mas à segunda tentativa acabou por contentar-se com 260 milhões de meticais.

O Governo, que desde que é comandado por Filipe Nyusi já aumentou a Dívida Pública Interna em mais de mil por cento, pretende emitir Títulos do Tesouro este ano num valor global de 84,2 biliões de meticais que é montante em défice no seu Orçamento de Estado que pelo segundo ano consecutivo não conta com o apoio directo do Fundo Monetário Internacional e nem dos Parceiros de Cooperação, que o suspenderam em 2016 após a descoberta das dívidas ilegais das empresas estatais Proindicus e MAM.

Bancos comerciais não podem parar de comprar Títulos do Tesouro

Recorde-se que a Dívida Pública Interna, de acordo com o Bando de Moçambique, tinha ultrapassado os 105 biliões de meticais em Maio sem incluir as dívidas que o sector empresarial do Estado tem nem mesmo os pagamentos atrasados dos reembolsos do IVA e a fornecedores por parte do Governo.

O @Verdade contabilizou 92,3 biliões de meticais em dívidas das seis principais empresas Públicas. Esse endividamento interno não contabilizado, e alguns outros calotes que o Executivo está a dar à banca, poderão ser a causa da aparente pouca procura dos Títulos do Tesouro pela banca comercial, que são os principais investidores.

Contudo os bancos comerciais, embora estejam a ser compelidos a comprar menos Títulos do Tesouro devido a novas normas contabilísticas, terão de continuar a financiar o défice orçamental sob pena de não receberem os investimentos que têm em carteira, e que no pico da crise rendeu-lhes lucros inéditos de biliões de meticais, porque o Governo financia a dívida interna mobiliária com emissão de nova dívida, numa espécie de Esquema de Ponzi. Se este ciclo de endividamento for interrompido poderá haver uma crise de liquidez no sistema financeiro.

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