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Presidente Nyusi impõe Moçambola à Moçambique onde faltam escolas, professores, medicamentos, médicos, comida... é a política da cerveja e futebol
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Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  em 30 Abril 2018
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Foto da Presidencia da RepúblicaO Presidente Filipe Nyusi afirmou este domingo (29) que “o Moçambola é uma actividade do povo moçambicano, pertence ao povo” e por isso o seu Governo vai arranjar dinheiro para que o campeonato nacional de futebol de 2018 chegue ao fim embora não consiga disponibilizar fundos para acabar com a desnutrição crónica de milhões crianças, para construir mais escolas e hospitais ou mesmo aumentar condignamente os salários dos trabalhadores numa clara política eleitoralista de embriagar os moçambicanos com cerveja e futebol.

Em evidente pré-campanha eleitoral, para as Autárquicas deste ano e Gerais de 2019, o presidente do partido Frelimo e de Moçambique disse que: “(...) o Moçambola já não é uma actividade de uma pessoa, ou de um grupo de pessoas, ou de uma Liga ou de uma direcção, o Moçambola é um actividade do povo moçambicano, pertence ao povo”.

“Quero tentar fazer parte da solução com os desportistas de Moçambique que por ser do povo e como não queremos interromper as aspirações vamos fazer esforço para ajudar para que este Moçambola possa chegar ao fim, vamos tentar mobilizar os apoio e recursos” explicou este domingo Filipe Nyusi, discursando no município da Manhiça, a propósito da iminente suspensão do campeonato nacional de futebol da 1º divisão devido as dívidas que a entidade que gere a prova acumulou junto das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM).

Estrategicamente, e para pressionar o poder político que sempre privilegiou o futebol em detrimento das outras modalidades, a Liga Moçambicana de Clubes anunciou no passado dia 13 que o Moçambola seria suspenso até a questão do transporte aéreo estivesse sanada tendo em conta que devido a extensão do nosso país e ao péssimo estado das estradas é desumano um atleta viajar de autocarro para disputar o jogo de alta competição.

Para o término do Moçambola de 2018 são necessários cerca de 80 milhões de meticais que é o montante que a Liga Moçambicana de Clubes acumulou em dívidas às LAM nos anos de 2016 e 2017.

No entanto o @Verdade sabe que a decisão das Linhas Aéreas de Moçambique está também relacionada com a situação de falência que enfrenta, fruto de anos de má gestão, e que a colocaram numa situação de ter de pagar à pronto o combustível que necessita para os seus aviões voarem. Esse custo representa 60 por cento do preço de cada passagem aérea.

O @Verdade apurou ainda que as dívidas da Liga Moçambicana de Clubes às LAM são superiores somam centenas de milhões de meticais e remontam aos anos da gestão de Alberto Simango Jr.

Povo moçambicano é embriagado com cerveja e futebol

Foto da Presidencia da RepúblicaA julgar pelas palavras de Filipe Nyusi o dinheiro para o futebol, modalidade supostamente interessa ao povo mas que apesar dos milhões em investimento não consegue tornar-se autossuficiente, pode sair de alguns dos poucos apoios que os Parceiros de Cooperação não suspenderam devido às dívidas ilegais como são os fundos para o combate à malária ou a caça furtiva.

Entretanto o @Verdade tem conhecimento que outra solução em negociação passa pela petrolífera estatal, em situação de falência, ou a petrolífera privada, que actualmente abastece as LAM, ser induzida, neste caso pelo Presidente da República, a conceder um patrocínio que cubra os custos de combustível que a companhia aérea de bandeira nacional precisa para assegurar a mobilidade das equipas do Moçambola.

É no entanto paradoxal que um Governo que aumenta os seus trabalhadores em pouco mais de 200 meticais, que não tem dinheiro para construir escolas e hospitais, não tem fundos para contratar os professores e médicos necessários, e nem mesmo consegue tirar da desnutrição crónica cerca de 10 milhões de moçambicanos considere que seja uma prioridade mobilizar fundos para o futebol.

A dívida recente que a Liga de Moçambicana de Futebol tem com as LAM permitiria contratar 700 novos professores, 600 novos profissionais de saúde (que não são médicos) ou então construir pelo menos uma nova escola secundaria.

Importa ainda recordar que o voleibol, através do qual o nosso país começa a dominar o continente, a canoagem, que Moçambique é campeão africano, o basquetebol, o karaté ou o hóquei em patins, que já levaram o nosso país a Mundiais, recebem muito menos dinheiro do que aquele que é gasto com o futebol. Primeiro através das empresas públicas que sempre pagaram as contas dos principais clubes e depois com apoios megalómanos como o estádio nacional do Zimpeto, que foi construído com recurso a dívida pública de mais de 100 milhões de dólares norte-americanos com a China e cuja manutenção custa todos anos pelo menos 30 milhões de meticais.

Esta decisão política de Filipe Nyusi de que “o Moçambola é uma actividade do povo moçambicano, pertence ao povo” equipara-se a política praticada na Roma antiga para inebriar o povo com pão e circo, no caso moçambicano o povo é embriagado com cerveja, cujo preço quase não aumentou desde o início da crise, e futebol!

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