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Standard Bank aproveitou a crise em Moçambique para valorizar margem financeira em mais de 2,3 mil milhões
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Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  em 28 Novembro 2017
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Aproveitando a crise financeira e económica que está a empobrecer os moçambicanos o Standard Bank registou no nosso país um dos melhores resultados de todo o grupo, que opera em 20 países de África, impulsionado pelo crescimento em 83% da Margem Financeira. Um dos factores que mais contribuiu para os mais de 2,3 mil milhões de meticais em ganhos foi “uma elevada proporção de activos remunerados, compostos por bilhetes do tesouro, obrigações e depósitos junto de outros bancos”.

“O nosso balanço continua muito líquido, devido a uma elevada proporção de activos remunerados, compostos por bilhetes do tesouro, obrigações e depósitos junto de outros bancos. Este facto dá-nos flexibilidade suficiente para responder às necessidades do mercado e alavancar ainda mais o nosso balanço sem pôr em risco a nossa estrutura de financiamento”, apurou o @Verdade no Relatório e Contas do exercício de 2016 do Standard Bank.

Desses activos remunerados, que representam 46% da carteira do banco, os mais rentáveis no ano da maior crise dos últimos anos em Moçambique foram os da Dívida Pública interna que o Governo de Filipe Nyusi tem estado a contrair desenfreadamente e que já ultrapassaram dos 100 mil milhões de meticais, cerca de 13% dessa dívida, exactamente 13,945,094,328 de meticais, estão na carteira do Standard Bank.

Aliás o banco assume que Bilhetes do Tesouro valorizaram mais de 1700%, de 55.123.255 de meticais em 2015 para 974.828.615 de meticais no ano passado.

“Apesar de custos de financiamento mais elevados devido aos constrangimentos de liquidez que se verificaram durante quase todo o ano de 2016, a nossa margem financeira cresceu 83% em termos anuais. Esta situação deveu-se em grande medida a taxas de juro domésticas significativamente mais altas e a um crescimento de 13% da carteira de crédito” pode-se ainda ler nas Contas deste que é o terceiro maior banco a operar em Moçambique.

Desgraça dos moçambicanos tem sido uma oportunidade para os banqueiros ganharem dinheiro

A Margem Financeira que tinha sido de 2,880,756,257 de meticais, em 2015, quase duplicou para 5,275,371,952 de meticais, em 2016, como resultado, o Relatório e Contas a que o @Verdade teve acesso refere que “o crescimento significativo da nossa margem financeira teve um impacto substancial no nosso total de proveitos. Potenciada pelos proveitos de juros mais elevados dos activos em moeda local, compensou os outros proveitos, que se mantiveram estáveis em termos anuais, essencialmente devido a uma queda de 4% nos proveitos de operações financeiras líquidas. Em consequência, o resultado do exercício aumentou 18%, de 2.357,5 milhões de meticais em 2015 para 2.780,9 milhões de meticais em 2016”.

Claramente a desgraça dos moçambicanos, com a crise precipitada pelas dívidas ilegais da Proindicus e da MAM, tem sido uma oportunidade para os banqueiros ganharem dinheiro, constatação corroborada pela investigadora do Instituto de Estudos Sociais e Económicos(IESE), Fernanda Massarongo Chivulele, em entrevista ao @Verdade. “A crise em Moçambique implica aumento da inflação devido a desvalorização do metical e alta dependência de produtos importados. Diante disto, a politica monetária torna-se restritiva e há um aumento das taxas de juro gerais na economia”.

“O que acontece é que os activos dos bancos comerciais ajustam a taxa de muito mais rápido e em maior proporção as subidas nas taxas de juro em relação aos passivos. Em outras palavras os créditos tornam-se mais caros em resposta as taxas de juro altas, mas as taxas de juro dos depósitos e outros passivos não mudam tão rápido e nem tanto. Por essa razão, os bancos tiram proveito dos desfasamento do ajustamento entre os passivos e activos”, explicou a economista moçambicana.

O @Verdade pediu ao Standard Bank comentários sobre este “crescimento significativo” em plena crise mas, após duas semanas de espera, nenhum resposta obtivemos deste banco que tem à frente do seu Conselho de Administração Tomaz Augusto Salomão, influente membro do partido Frelimo.

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