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“Deus quando criou o mundo começou em Moçambique”... mas até Turismo de luxo é difícil de fazer no nosso país
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Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  em 13 Novembro 2017 (Actualizado em 15 Novembro 2017)
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Foto de Adérito CaldeiraO ministro Silva Dunduro afirmou recentemente que “Deus quando criou o mundo começou em Moçambique”. Mas se a metáfora retrata bem as paradisíacas praias e ao restante potencial turístico do nosso país a verdade é que o Governo pouco tem feito para materializar o seu desejo de transformar o Turismo numa das prioridades de desenvolvimento e mesmo para os operadores do segmento de luxo o negócio tem sido desafiante. Florival Mucave, que gere um luxuoso resort no Sul da “Pérola do Índico”, apontou como um dos vários entraves a recém introduzida selagem de bebidas alcoólicas que impede a importação vinhos de qualidade que os turistas que recebe demandam. “Precisamos de ir um importador baseado em Maputo, que normalmente só vende vinhos portugueses baratos, e pedimos para importar um específico vinho mais caro e o importador não consegue. Isso posiciona-nos como uma opção de turismo barato”.

“Nós costumamos dizer aos investidores que Deus quando criou o mundo começou em Moçambique” afirmou na semana finda o ministro da Cultura e do Turismo, Silva Dunduro, durante uma conferência em Maputo sobre como reduzir os riscos de investimento adoptando boas práticas. Embora Dunduro tenha repetido que “o Turismo é a quarta prioridade, num conjunto de outras três que vão contribuir para o desenvolvimento” de Moçambique não referiu que acções concretas estão a ser implementadas para a materialização desse desiderato.

Além da retórica o governante falou sobre as potencialidades turísticas do nosso país e voltou a mencionar a estatísticas de 1,6 milhão de chegadas internacionais no ano passado sem no entanto esclarecer que a grande maioria não se referem a turistas que visitaram a chamada “Pérola do Índico”.

No mesmo evento, organizado pela publicação financeira Financial Times, Florival Mucave, responsável por um dos mais luxuoso resort no Sul de Moçambique, revelou que o tornar o Turismo rentável é também um desafio até para o segmento de luxo, que aparentemente é o que mais floresce na “Pérola do Índico”.

Mucave começou por lamentar que durante o evento para investidores, onde antecederam ao titular do Turismo o ministro da Economia e Finanças assim como o primeiro-ministro, nenhum governante tenha sabido dizer quanto contribui o sector para o Produto Interno Bruto(PIB).

“Infelizmente temos de montar a nossa estratégia olhando mercado de Turismo sul-africano(onde o sector representa 10% do PIB) e ver quando conseguimos aproveitar deles. Se conseguimos trazer 2 mil turistas que vão para lá ficamos muito felizes” declarou Florival Mucave que apontou a falta de “um master plan integrado que olhe para os custos da aviação, os custos das alfândegas entre outros desafios do sector” de forma integrada.

“Quando um turista escolhe Moçambique é uma escolha de consciência” não pela promoção... que não é feita

Para o gestor, embora o processo para obtenção de vistos de turismo tenha ficado mais barato e fácil, com a possibilidade de ser tratado na fronteira, “há muito mais do que apenas visto para os turistas virem”.

Foto de Adérito CaldeiraMucave destacou que do Governo preciso de vias de acesso de acesso(aéreas e terrestres), explicou que “quando falamos em vistos, o turista chega aqui apanha 2 ou 3 balcões onde pode tratar. Mas quando se lida com turistas de luxo eles não querem perder mais de meia hora para obter um visto e ser revistado, temos de entender que alguns destes turistas chegam em jactos privados, param para fazer o visto e eles esperam que em 10 a 15 minutos podem seguir de viagem por helicóptero. E infelizmente há uma abordagem uniforme de tratar os visitantes”.

“E um grande constrangimento são as alfândegas. Por exemplo estes turistas de luxo bebem bons vinhos, talvez parecidos com os que encontraram nos lodges de safari sul-africanos. Agora com o novo sistema de selagem de bebidas alcoólicas não podemos simplesmente importar algumas garrafas para os turistas que tenhamos. Precisamos de ir um importador baseado em Maputo, que normalmente só vende vinhos portugueses baratos, e pedimos para importar um específico vinho mais caro e o importador não consegue. Isso posiciona-nos como uma opção de turismo barato” aclarou Florival Mucave, cujo resort importa cerca de 90% do que serve, deixando no ar que “há muito mais que precisa de ser feito”.

Mucave indicou outro constrangimento, que insistentemente tem sido referido pelo @Verdade, e que tem a ver com o facto de Moçambique não estar nos roteiros turísticos mundiais e ainda assim nenhuma promoção ser feita quer nos medias especializados assim como nos meios de comunicação de massas globais. “A cada 4 minutos há um anúncio de um destino turístico no mundo. Quando um turista escolhe Moçambique é uma escolha de consciência” resumiu o gestor de turismo.

Comentários   

 
0 #1 Joma 13-11-2017 19:06
O Florival Mucave, que gere um luxuoso resort no Sul da “Pérola do Índico”, pelas suas palavras, deve ser um contrabandista.
Qualquer importador pode importar qualquer produto, seja ele de baixo ou de elevado valor.
O Florival Mucave também poderia importar diretamente seus produtos.

O selo deveria ser colocado no importador e não no retalhista.
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