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Dhlakama anuncia “trégua sem prazo” mas Paz definitiva em Moçambique nunca antes de Dezembro
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Escrito por Adérito Caldeira  em 05 Maio 2017
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Foto de Adérito CaldeiraDe prorrogação em prorrogação a guerra em Moçambique, entre o Governo do partido Frelimo e o partido Renamo, entra a partir desta quinta-feira(04) num período de “trégua sem prazo”, anunciou Afonso Dhlakama. Contudo, este acordo telefónico com o Presidente Filipe Nyusi, “não significa o fim da guerra, mas significa o início do fim da guerra” acrescentou o líder do maior partido de oposição, esclarecendo que o acordo político para a Paz definitiva no nosso país não deverá acontecer antes de Dezembro próximo.

Falando por tele-conferência, de parte incerta a jornalistas reunidos na sede do seu partido em Maputo, Dhlakama revelou ter dialogado com várias pessoas além do Chefe de Estado, “alguns homens de negócios estrangeiros e nacionais” que estavam receosos sobre o futuro após cada trégua de 60 dias, que têm sido anunciadas desde Dezembro de 2016, e por isso “estou agora a anunciar a trégua sem prazo, é uma grande novidade para o povo moçambicano”.

“A trégua é mais para tranquilizar o povo moçambicano, homens de negócio, intelectuais e os outros, investimentos estrangeiros para que Moçambique tenha de facto uma outra imagem, uma imagem da Paz, uma imagem de tranquilidade. Um país com todas as condições de investimento” disse o presidente do partido Renamo ressalvando no entanto que este novo tipo de trégua “não significa o fim da guerra, mas significa o início do fim da guerra. Claro que ainda não há o acordo político que signifique mesmo o fim da guerra mas a trégua sem prazo significa que não há disparos e poderemos levar meses e meses”.

Recordando a decisão do Comandante em Chefe das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique, Filipe Nyusi, que na semana passada deu ordem de retirada das posições que os militares governamentais ocupavam em torno da serra da Gorongosa Afonso Dhlakama explicou que “a guerra acabou é preciso que se retirem, há esta espécie de acordo, não é um acordo por escrito mas é um acordo oral”. “A partir da segunda-feira vão começar a sair umas três posições e depois vamos fazer o calendário. O acordo é que até final do primeiro semestre, isto é finais de Junho terão que se retirar todas as posições militares do Governo para os seus quartéis”, aclarou o líder do partido Renamo enfatizando que estes “são sinais da Paz”.

Sobre as negociações que continuam a decorrer, embora longe dos holofotes da comunicação social e sem mediadores, Dhlakama disse que não há nada de secreto e aclarou, “o grupo dos assuntos militares e o grupo da descentralização da Administração do Estado estão a trabalhar, as coisas são lentas. Não queríamos que fossem tão lentas assim mas senhores jornalistas devem entender que não é fácil, porque algumas coisas são pendentes que vêm do Acordo Geral de Paz (de 1992) mas eu acredito, estou motivado, sei que as coisas irão mudar”.

“O grupo dos assuntos militares está a discutir o modelo de enquadramento dos oficiais e comandos da Renamo na FADM(Forças Armadas de Defesa de Moçambique), para criarmos um equilíbrio em termos do Comando, também a possibilidade de alguns militares da Renamo entrarem na polícia conforme foi estipulado no Acordo geral de Paz, assim como alguns técnicos nossos entrarem nos Serviços de Informação e Segurança do Estado(SISE)”, detalhou.

“Quanto ao capítulo da descentralização é muito complicado, é muito complexo, é muito lento” declarou Afonso Dhlakama revelando que o desejo de nomear Governadores provinciais nas seis províncias onde o seu partido reclama vitória nas Eleições Gerais de 2014 deixou de ser uma prioridade pois falta pouco tempo até o próximo escrutínio nacional, “para as eleições de 2019 já faltam só dois anos, nomear um Governador hoje para amanhã. Nós continuamos a exigir mas a prioridade agora é que doravante tenhamos Governadores eleitos em Moçambique”.

“Quero garantir que até final deste ano, se tudo correr bem, os documentos poderão entrar na Assembleia da República para serem aprovados, para que em 2019 tenhamos Governadores das províncias eleitos democraticamente” precisou.

“Acordo final vai depender daquilo que pudermos combinar, para evitar que as questões fiquem pendentes”

Foto de Adérito CaldeiraQuestionado sobre quando será selado o novo Acordo de Paz, que deverá selar o término da guerra civil em Moçambique, o presidente do partido Renamo argumentou que “não posso dizer taxativamente o dia”.

Segundo ele os grupos de negociadores do Governo e do partido Renamo, que debatem os detalhes sobre a descentralização assim como os assuntos militares, “tem um plano de trabalho e prevê-se que se tudo correr bem que esses grupos façam um relatório final e entreguem aos chefes nos meados de Setembro, para permitir que aquilo que tem de entrar na Assembleia da República aproveite ser discutido naquele período de Outubro para Dezembro”.

“Agora em termos do acordo final vai depender daquilo que pudermos combinar, para evitar que as questões fiquem pendentes, fazermos um acordo para depois dizer que mais tarde, como já conhecemos o Governo, os nossos irmãos da Frelimo são aqueles que se deixarmos uma coisa para amanhã pronto vão dizer que caducou” aclarou.

“Desta vez queríamos tentar sanar tudo aquilo que tem perigado a paz em Moçambique, como as coisas pendentes que vieram desde o Acordo Geral de Paz. Mas não falta muito, porque já estamos a trabalhar, já não há aqueles grupos que metiam medo e ficavam nas matas. Eu pessoalmente gostaria de sair daqui na próxima semana se tudo fosse possível, mas é preciso garantir a segurança e conhecer o pensamento também do Governo, porque já temos experiência dos acontecimentos passados”, concluiu Afonso Dhlakama.

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