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Leocádia & Jéssica, José & Ronaldo conquistam ouro no vólei de praia sub-21; Federação endividou-se para os levar ao africano
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Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  em 04 Abril 2017
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Foto da Federação Africana de VóleibolAs duplas Leocádia Manhica e Jéssica Moiane, José Mondlane e Ronaldo Cuamba, tornaram-se neste domingo campeões africanos de voleibol de praia, na categoria de sub 21, e conquistaram o direito inédito de representar o nosso continente no Mundial que terá lugar em Junho na China. Todavia não há dinheiro para a participação das duplas moçambicanas no Campeonato do Mundo. Aliás a Federação moçambicana de voleibol teve de endividar-se para assegurar a participação neste africano que foi disputado no Egipto.

A dupla feminina derrotou na final a selecção anfitriã, Egipto, por 2 sets a 1 com os parciais 21-10, 18-21, 15-13.

Invictas nas cinco partidas disputadas nas areias do Cairo Leocádia Manhica e Jéssica Moiane dominaram a fase de grupos, vencendo a África do Sul, o Togo e o Sudão no grupo B. Na meias-finais as nossas meninas ultrapassaram a Nigéria por 2 a 0.

“Não foi uma batalha tão fácil assim, acreditamos em nós primeiro e em Deus, a lutar contra tudo e contra todos”, disse Jéssica Moiane nesta segunda-feira(03) ao desembarcar no aeroporto Internacional de Mavalane.

Foto da Federação Africana de VóleibolA classificação final do africano sub-21 em femininos ficou desta forma ordenada:

1. Moçambique

2. Egipto

3. África do Sul

4. Nigéria

5. Marrocos

6. República Democrática do Congo

7. Togo

8. Sudão

Comandadas por Osvaldo Machava a trajectória das selecções de Moçambique até ao ouro foi muito similar.

Os masculinos mostraram o seu potencial no grupo B cilindrando a República Democrática do Congo, o Togo e o Sudão. Nas semifinais José & Ronaldo eliminaram a selecção anfitriã, por 2 sets a 1, e na final derrotaram ao Marrocos pelo mesmo resultado, com os parciais 20-22, 21-19, 18-16.

Foto da Federação Africana de VóleibolEis a classificação final em masculinos:

1. Moçambique

2. Marrocos

3. Egipto

4. República Democrática do Congo

5. Nigéria 6. África do Sul

7. Togo

8. Sudão

Condições mínimas para Mundial custam 2 milhões, Governo só deu 1 milhão para Federação funcionar durante o ano

A única modalidade prioritária dos sucessivos Governos do partido Frelimo tem sido o futebol, supostamente por “arrastar multidões” e por isso recebe a maior fatia do fundo que todos os anos o Executivo disponibiliza para as federações nacionais. Ironicamente o futebol é a modalidade que menos vitórias tem trazido para Moçambique.

O presidente da Federação moçambicana de voleibol, Khalid Cassamo, declarou ao @Verdade que para 2017 a comparticipação financeira do Estado para a modalidade que dirige é de apenas 1 milhão de meticais. “Não é só para o vólei de praia. É para todas actividades de voleibol, massificação, campeonatos e funcionamento”.

Cassamo revelou que para garantir a presença de Leocádia Manhica & Jéssica Moiane, José Mondlane & Ronaldo Cuamba no africano que decorreu no Cairo a Federação que dirige teve de endividar-se.

A logística, de acordo com a fonte, totalizou 750 mil meticais dos quais o Governo cobriu apenas 350 mil. “Tivemos que nos endividar em 450 mil meticais, estamos a espera que o Governo disponibilize para pagarmos”.

Segundo o presidente da Federação de voleibol são necessários 2 milhões de meticais para custear as despesas mínimas da participação destas duplas moçambicanas no Campeonato do Mundo de vólei de praia sub-21, agendado para 13 a 18 de Junho na cidade chinesa de Nanjing. Essas “condições mínimas” passam por realizar toda a fase de preparação em Moçambique e só viajar para competir no Mundial.

“O Governo nunca deixou de apoiar as modalidades, veja que para o campeonato apoiamos e iremos também apoiar para o Campeonato Mundial, como temos apoiado sempre”, afirmou a vice-ministra da Juventude e Desportos, Ana Flávia Azinheira, após receber os novos campeões africanos em Maputo.

A título comparativo só o seleccionador da equipa principal de futebol de Moçambique Abel Xavier, aufere mensalmente 650 mil meticais. Há pouco mais de uma semana os “Mambas” realizaram dois jogos amigáveis cujos custos a Federação moçambicana de Futebol não revela. Todavia, contas por alto só de logística para as viagens dos jogadores internacionais para Moçambique, e depois para a cidade da Beira onde realizou-se uma das partidas, custou mais do que todo orçamento anual da Federação de Voleibol.

Embora o novo Executivo tenha aberto o debate sobre a definição das modalidades prioritárias impõe-se transparência e celeridade para que os poucos fundos disponíveis não continuem a ser desperdiçados pela modalidade que não só não traz títulos continentais como está habitualmente arredada das mais importantes competições africanas, ademais não está no horizonte um dia os “Mambas” disputarem a fase final de um Mundial.

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