Faixa publicitária
Inflação continua a aumentar, alimentos produzidos em Moçambique subiram mais de 50%
PDF
Versão para impressão
Enviar por E-mail
Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  em 10 Janeiro 2017
Share/Save/Bookmark

Os moçambicanos têm estado a sentir que as medidas do Governo de Filipe Nyusi para conter o aumento dos preços, principalmente da comida, não estão a resultar. Em Dezembro de 2016 a inflação oficial voltou a aumentar com os preços dos alimentos a registarem um aumento acumulado de cerca de 50%, comparativamente a Dezembro de 2015. Ironicamente o Índice de Preços no Consumidor(IPC) revela que o discurso de que a produção nacional de comida vai fazer baixar os seus preços é falácia pois alimentos produzidos em Moçambique como o açúcar amarelo, o amendoim, e o coco aumentaram entre 55% a 69%.

Gráfico do Instituto Nacional de Estatística“Os dados recolhidos nas cidades de Maputo, Beira e Nampula em Dezembro findo, indicam que o País registou um agravamento mensal do nível geral de preços na ordem de 3,47%”, indica o mais recente IPC produzido pelo Instituto Nacional de Estatística(INE) que apresenta a divisão de alimentação e bebidas não alcoólicas como uma das que mais contribui para a inflação, com destaque para “o aumento dos preços do Tomate (47,7%), do Coco (22,6%), do Amendoim (10,2%), da Farinha de milho (3,6%), do Peixe fresco refrigerado ou congelado (4,9%), de Capulanas (10,5%) e do Feijão manteiga (5,5%)”.

De acordo com o INE, devido ao aumento dos preços da comida e das bebidas não alcoólicas“entre Janeiro e Dezembro do ano findo, o País registou um aumento de preços na ordem de 25,27%”. Comparativamente a Dezembro de 2015 o preço da comida em Moçambique aumentou 46,56%.

Contrariando o discurso do Presidente Filipe Nyusi, e dos membros do seu Governo, que só a produção nacional vai ser decisiva para a redução do custo de vida, os alimentos produzidos em Moçambique registaram os aumentos mais significativos nos últimos 12 meses: o açúcar amarelo que é até é exportado pelo nosso País ficou 69,4% mais caro, o amendoim encareceu 67,5%, e até o coco ficou 55,2% mais caro.

Continua a ser interessante notar como as bebidas alcoólicas e o tabaco não são afectados pela desvalorização do metical nem pela conjuntura internacional, nos últimos 13 meses aumentaram somente 1,12% e 0,17%, respectivamente.

Índice de Preços no Consumidor não mostram inflação real

Importa ter em atenção que embora o Índice de Preços no Consumidor do INE seja a referência oficial da inflação em Moçambique o mesmo não reflete a inflação real do nosso País. Primeiro porque apenas contabiliza dados das cidades de Maputo, Beira e Nampula que não são representativos de todo o território nacional. Noutras cidades moçambicanas os produtos têm registado variações bem superiores, pois além do factor importação os comerciantes somam os custos do transporte.

Gráfico do Instituto Nacional de EstatísticaPor outro lado o IPC somente acompanha os preços dos produtos considerados de primeira necessidade e de alguns outros bens e serviços considerados essenciais. Por exemplo a inflação acumulada da divisão de saúde, segundo o IPC, foi de apenas 1,41%, contabilizando unicamente os preços dos produtos farmacêuticos, aparelhos e materiais terapêuticos e dos serviços para doentes em ambulatório (não hospitalizados). Contudo é evidente que o preço dos medicamentos tem estado a aumentar em mais de 200% na maioria dos fármacos, principalmente aqueles que são vendidos nas farmácia privadas.

Recordar que o último aumento salarial no nosso País aconteceu em Abril, numa altura em que a inflação dos alimentos tinha ultrapassado dos 20% os trabalhadores receberam aumentos que variaram entre os 4% e 12%. Só cada chefe de família moçambicano saberá as “ginásticas” que tem de fazer todos os dias para continuar a pôr comida à mesa, ou na esteira.

Comentar


Código de segurança
Atualizar

 
Avaliação: / 1
FracoBom