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Camponeses de Namuthu pedem sementes, insumos agrícolas e extensionistas rurais para produzirem mais comida
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Escrito por Cristóvão Bolacha  em 26 Outubro 2015
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Foto de Cristóvão BolachaTem início esta semana mais uma campanha agrária em Moçambique, a segunda de 2015. Os camponeses familiares do povoado de Namuthu, na província da Zambézia, tal como os seus compatriotas que em todo país exploram cerca de 3,7 milhões de pequenas machambas, pedem ao Governo o mesmo de todos os anos: sementes, insumos agrícolas e extensionistas rurais, para que possam produzir comida para a sua alimentação e ainda abastecer a cidade de Mocuba e demais comunidades circunvizinhas.

“Os outros povoados recebem sementes de melhor qualidade gratuitas oferecidas pelo Ministério da Agricultura, mas aqui em Namuthu nunca vimos tal atitude. Já pedimos por várias vezes à administradora cessante para que pelo menos nos alocasse um extensionista para fazer o acompanhamento das nossas actividades”, afirmou ao @Verdade Matias Namuthu, o régulo, que referiu também que este e outros problemas enfrentados pelos camponeses são do conhecimento dos diversos responsáveis do governo municipal, provincial e central que têm visitado este povoado situado a algumas dezenas de quilómetros da cidade de Mocuba, e que tem um grande potencial de produção de milho.

Mocuba necessita de 167 extensionistas rurais; porém, de acordo com o relatório do Governo do 3º trimestre, existem apenas 36. Durante o ano em curso, não houve contratação de extensionistas rurais.

O director do Observatório do Meio Rural, João Mosca, revelou em entrevista ao @Verdade em Abril que o número actual destes profissionais, que são actores fundamentais para o desenvolvimento rural e que intervêm junto às comunidades com soluções práticas para os problemas da produção agrícola, é idêntico ao número existente em 1980, cerca de 1200 extensionistas rurais.

“Aqui vimos pragas a destruírem as nossas culturas porque não temos como colmatar por falta de conhecimentos técnicos e condições financeiras para aquisição de pesticidas e outros produtos químicos relacionados”, lamentou o camponês Jacinto Cozinha.

Foto de Cristóvão BolachaA promessa do Presidente Filipe Nyusi foi de “aumento de investimentos públicos e privados à agricultura, à pecuária e á pesca. Uma atenção particular será dada ao sector familiar, que sustenta a maioria da população moçambicana. Prosseguirei políticas de incentivos aos camponeses que permitam elevar a produção e a produtividade agrárias”, não se tem feito sentir neste povoado da Zambézia.

Aliás, embora o orçamento do Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar (MASA) tenha vindo a crescer, a maior parte do dinheiro continua a ser gasto em áreas que não têm efeitos sobre a produção de comida como em despesas administrativas, na construção de novos edifícios, viaturas que são usados pelos funcionários nos centros urbanos, entre outras actividades no âmbito do chamado reforço da capacidade institucional.

Paralelamente, tem sido clara a aposta do Governo, o antigo e o novo, na industrialização da agricultura orientando-a para a produção intensiva e para o agro-negócio.

Os camponeses de Namuthu também sofrem com pragas de ratos nas suas machambas que alguns tentam combater com queimadas que, em algumas situações, acabam por se descontrolar e causar danos também à fertilidade dos solos.

Foto de Cristóvão BolachaEste pequeno povoado é desde 2014 parte integrante da Zona Económica Especial criada em Mocuba, mas nenhum investimento em termos de infra-estruturas de base tem sido feito: as escolas são na sua maioria precárias, os furos de água são escassos e não há fontes água potável, não há energia eléctrica nem hospital e a única ambulância bicicleta que existia ficou parada devido a problemas mecânicos.

As recomendações do MASA para esta campanha agrícola, tendo em conta a previsão existente para a estação chuvosa 2015 – 2016, é no sentido que os camponeses na região Sul façam sementeiras tardias e usem variedades de plantas de ciclo curto, particularmente nos meses de Janeiro a Março. Para os camponeses nas zonas Centro e Norte, o Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar recomenda o uso de variedades de ciclo médio e longo e sementeira normal a partir dos meses de Novembro e Dezembro.

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