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Autárquicas 2013: “O balanço é positivo”, Rita Muianga edil do Xai-xai
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Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Rui Lamarques  em 23 Maio 2013
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Rita Muianga, Presidente do Conselho Municipal de Xai-Xai, fala de uma cobertura de 90 porcento no que diz respeito ao abastecimento de água. Quanto ao lixo - o primeiro mulher a liderar uma autarquia na história da municipalização - diz estão no bom caminho, embora reconheça que a resposta pode não ser totalmente eficaz. A erosão é um problema que tira sono ao município, mas contra o qual não podem fazer grandes coisas. A intervenção da edilidade, na verdade, limita-se a gerir o que, mais dia menos, dia, será uma realidade. Nem todos bairros têm corrente eléctrica.

(@Verdade) – Olhando para o seu manifesto eleitoral e para aquilo que foi a sua governação, que balanço faz?

(Rita Muianga) – Para o Conselho Municipal, o balanço é positivo. Digo-o porque, tendo em conta aquilo que a cidade de Xai-Xai era outrora, qualquer pessoa vê que algum desenvolvimento se deu. Claro que onde há trabalho dificuldades nunca faltam, mas digo que o balanço é positivo. Temos na área de actividades económicas alguns investimentos de relevo que se instalaram no nosso município, como a banca.

Hoje, tanto na zona baixa como na alta existem bancos. Xai-Xai era uma cidade que só tinha lojas e, nos dias que correm, já conta com supermercados. Também temos várias bombas de combustível. Melhorámos o abastecimento de água e, para não exagerar, podemos dizer que temos 90 porcento de cobertura. Onde se regista desenvolvimento, mas com muitas dificuldades, é na área da electrificação porque ainda temos muitos bairros sem acesso a corrente eléctrica.

Em termos de saúde a cidade de Xai-Xai dispõe de alguns centros o que nos chama à atenção porque os cuidados básicos de saúde ainda não estão próximos do munícipe que carece desses serviços.

Temos uma grande desafio nas áreas de infra-estruturas, sobretudo no que diz respeito a estradas. As cheias atrasaram as obras de uma estrada que irá servir de alternativa à EN1. Também estamos a construir uma em pavet que será uma opção para os munícipes de Patrice Lumumba e do Posto da Praia. Temos grandes desafios – se passeou pela cidade deve ter visto – dos quais se destaca o problema da erosão, mas algo está a ser feito. Portanto, o nosso balanço é positivo.

(@V) – O que as autoridades municipais fazem para combater o problema da erosão?

(RM) – Bem, o problema da erosão em algum momento transcende a capacidade do município, tanto financeira como humana. A erosão que a cidade de Xai-Xai carece de grandes investimentos. Contudo, criámos um viveiro municipal para a produção de algumas plantas para conter a erosão. Fazemos a plantação ao longo das vias de acesso, mas temos buracos dentro da nossa cidade, os quais transcendem os nossos fundos.

(@V) – ... Mas o município não tem como ir buscar outros fundos para combater o problema?

(RM) – Mesmo o trabalho que estamos a fazer de contenção da erosão em pequena escala resultou de uma parceria com uma organização que lida com o ambiente. Implementámos a primeira parte e agora estamos à espera da segunda fase. No entanto, não sabemos que condições financeiras serão criadas. Ainda assim, tudo isso é uma gota de água no oceano.

(@V) – Como é que anda a questão do tratamento de resíduos sólidos?

(RM) – Temos a nível do município quatro postos administrativos, e em cada um deles temos um tractor alocado para a recolha de resíduos sólidos. No posto sede a recolha é feita com um tractor e um camião. Contudo, ainda precisamos de mais meios. Tendo em conta que temos o Fundo de Alívio à Pobreza Urbana e que alguns munícipes solicitaram financiamento para essa área, pretendemos começar com um bairro piloto para ver se é possível implementarmos esse projecto.

(@V) – Sente que há o envolvimento dos munícipes ou a compreensão de que eles devem ser parte dos problemas desta circunscrição?

(RM) – Os munícipes sabem que devem fazer parte, mas o que acontece, na prática, é que no terreno não ocorre esta sensibilidade. O que se diz é que a recolha é tarefa exclusiva do município e nós temos de aceitar. No entanto, sensibilizamos, mas a participação não é das melhores.

(@V) – Como é que é gerida a taxa de lixo? As pessoas pagam de bom grado ou fazem-no pelo facto de a mesma estar agregado ao serviço pré-pago de distribuição de energia?

(RM) – Não posso dizer que não há aceitação. Há, mas existe um problema de incapacidade de satisfazer a recolha em todos os bairros conforme mandam as regras. Aquilo que nós temos como valor da taxa de lixo é insuficiente para cobrir os gastos de limpeza. O valor arrecado no mês passado (Março) foi de 320 mil meticais. Ou seja, não chega a um terço das despesas.

(@V) – As despesas do município, de acordo com a vossa explicação, são muito maiores do que as receitas de cobrança da taxa de lixo. Podemos depreender que a gestão de resíduos, por esse motivo, continuará a ser um problema em Xai-Xai?

(RM) – Não porque, com outras receitas, cobrimos esse défice.

(@V) – Nós visitámos o Mercado Limpopo e constatámos que duas realidades contrastantes convivem paredes meias. A que se deve?

(RM) – O Mercado Limpopo tem duas coisas. A parte de fora, em princípio, devia ser para os grossistas e carpinteiros pela simples razão de que é impossível colocar todos lá dentro.

(@V) – A edilidade não pensa em reabilitar a parte de fora?

(RM) – Vontade não nos falta de vedar, mas deparamos com problema de falta de fundos.

(@V) – Quais são, para além da gestão do solo urbano e da erosão, os grandes desafios do município?

(RM) – Não sei se teve a oportunidade de observar, mas apenas a parte baixa da cidade é que conta com estradas alcatroadas. Os nossos bairros, regra geral, têm estradas de terra batida. Portanto, o desafio é tornar Xai-Xai, de facto, uma cidade.

(@V) – Nos bairros as estradas de terra batida são bastante irregulares e extremamente esburacadas. Como contornar essa situação?

(RM) – É fácil ter acesso aos bairros. Se tivessem vindo uns há meses podiam ter visto que é fácil. Tínhamos feito um trabalho de arruamentos em todos os bairros, mas por causa das enxurradas as nossas estradas tornaram-se intransitáveis.

(@V) – Foi fácil convencer os munícipes da importância dos arruamentos?

(RM) – As pessoas já compreenderam que é preciso fazer arruamentos. E como o município tem dois carros para a parte social. Quando morre alguém fazemos esse serviço a custo zero. Portanto, esse trabalho solidário do município fez com os citadinos vissem a importância dos arruamentos. A problemática da água e a necessidade de ela chegar aos bairros ajudou.

(@V) – Como é que funciona o serviço social do município?

(RM) – Nós temos a área dos serviços urbanos que funciona com quatro pessoas. É nessa área onde atendemos questões sociais como falecimentos e a gestão de cemitérios. As pessoas só se lembram dos cemitérios quando levam o seu ente-querido. Quem cuida da limpeza dos cemitérios é a área dos serviços urbanos.

(@V) – Qual é o nível da pobreza urbana?

(RM) – Estou em crer que a pobreza urbana de Xai-Xai não difere das outras cidades. Nós temos o fundo de 9 milhões para 116 mil habitantes, o qual tem de ser dividido por quatro postos. Os pedidos vêm dos conselhos dos postos, eles são quem controla os projectos. O Conselho Consultivo da cidade é quem decide, depois, a alocação dos fundos. Pensamos que o fundo dá para alguma coisa.

(@V) – Qual é o nível de desemprego em Xai-Xai?

(RM) – O nível de desemprego, mesmo nas grandes cidades, é preocupante. Portanto, não poderia ser diferente aqui.

(@V) – Fora os dados do Instituto Nacional de Estatística publicados em 2007, o município tem alguma estatística em relação ao desemprego?

(RM) – Este ano ainda não pedimos os dados, mas sentimos que existe desemprego.

(@V) – Com o desenvolvimento circunscrito ao longo da EN1, julgam que o índice de desemprego reduziu?

(RM) – Julgamos que está a reduzir. Isso porque o empreendimento que inaugurámos recentemente empregou 67 jovens da cidade. Quando nasceu, o shopping também empregou alguns jovens da cidade, sem contar com aqueles que são empreendedores. Ao longo da cidade vemos carpintarias, oficinas e por aí em diante. O desemprego vai reduzindo. Contudo, não é possível dizer que Xai-Xai não sofre com esse problema.

(@V) – Dos projectos aprovados por via do PERPU existem dados em relação aos empregos criados de forma directa ou indirecta?

(RM) – Através do PERPU alguns jovens criaram as suas carpintarias nos postos administrativos. Algumas raparigas criaram salões de cabeleireiro. Trabalhámos com cidadãos que criaram ferragens e associações no âmbito da agricultura e criação de animais de pequena espécie. Cada projecto desses, para além das associações que agregam 15 pessoas, tendem a criar mais empregos para os outros. Tivemos problemas na área das cheias porque as nossas associações têm os seus campos na área baixa da cidade.

(@V) – Há números?

(RM) – Ainda não estão compilados.

(@V) – O reembolso fica comprometido?

(RM) – É preciso incentivar as pessoas. O Conselho Municipal vai distribuir sementes e esperar que as pessoas produzam. Depois veremos a questão do reembolso. Temos de compreender que foi por causa das cheias.

(@V) – Qual é o nível de reembolso do PERPU?

(RM) – 45 porcento do planificado. No PERPU temos projectos que são de três anos. Ou seja, de longa duração. Os referentes à actividade comercial e à produção de animais são de pequena duração.

(@V) – Qual é a ideia subjacente à criação de uma via alternativa à EN1? Será alastrar o desenvolvimento para outros pontos da urbe?

(RM) – Essa é a nossa preocupação. Nos nossos postos administrativos temos muitas áreas para a construção de empreendimentos. Mas quando o investidor chega ao município quer ficar localizado na EN1. Na zona fizemos o parcelamento e indicámos a área de serviços e já começámos a levar as pessoas para o local, mas, enquanto não tivermos água, estradas e energia não será possível atrair os investidores. Estava a falar da estrada alternativa, também pensamos que irá impulsionar o desenvolvimento.

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