Preservando a língua indígena através da Internet
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Destaques - Tecnologias
Escrito por Adérito Caldeira  em 05 Julho 2012
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O aimará é uma língua nativa da América e um dos idiomas oficiais do Peru e da Bolívia. Um grupo de estudantes, voluntários, de El Alto, na Bolívia, criou uma comunidade virtual na Internet para destacar e promover a língua aimará, por meio da criação de conteúdos de media digitais. Esse trabalho envolve a tradução, o uso de produtos multimedia e ferramentas de redes sociais.

O tempo em que as enciclopédias impressas eram a “bíblia” do conhecimento já lá vai. Com o acesso cada vez mais massificado à Internet, procurar seja o que for tornou-se cada vez mais fácil.

Mas quantas vezes nós, moçambicanos, procuramos conteúdos sobre o nosso país e não o encontramos, nem mesmo “googuelando”? Mas pior do que não encontrar informação ou histórias sobre o nosso país é muitas vezes não encontrar sequer em algum texto da rede global numa das várias línguas que temos.

Na recente cimeira sobre “Media Cidadã”, realizada nos dias 2 e 3 deste mês na capital queniana, Nairobi, conheci Victoria Tinta, uma boliviana natural de Los Andes, nas montanhas da região aimará. Tal como milhares de outras crianças bolivianas, até 1994, Victoria não podia estudar a sua língua, pois o governo apenas permitia às escolas ensinar em Espanhol, Inglês e Francês.

Mesmo depois de a Bolívia reformar o seu sistema de educação e ter passado a permitir o ensino das línguas indígenas, muitos pais não quiseram que os seus filhos aprendessem essas línguas recordando a discriminação que os seus antepassados sofreram durante o período de colonização. Contudo, os pais de Victoria sempre incentivaram-na a aprender a língua aimará, falada por cerca de dois milhões de bolivianos.

Se por um lado falar não foi difícil para Victoria, e para os outros falantes, escrever revelou- se um verdadeiro desafio. Quando estudava linguística na Universidade quis o destino que conhecesse bolivianos que não só sabiam falar mas também escrevem em aimará.

Victoria Tinta, que não tem formação em informática, e até 2006 usava na Internet somente o correio electrónico, um dia tentou “googuelar”, na busca de materiais de estudo, na sua língua indígena, e nada encontrou.

www.jaqi-aru.org

Em resposta, a par de outros dez amigos estudantes, e apesar do acesso à Internet no seu país ser ainda muito restrito, e também caro, Victoria criou o projecto Jaqi Aru que se propõe ampliar a presença do aimará na Internet através de cinco actividades principais: um blog colectivo, uso de ferramentas da web 2.0 (como Facebook, Flickr e YouTube), legendagem de vídeos na plataforma DotSub, participação da comunidade do Wikipédia em aimará, e ainda a tradução do site do Projecto Língua Global Voices do Espanhol para o Aimará.

Victoria recorda-se de que os primeiros “posts” foram ditados, incluindo adivinhas e contos orais que os seus avós lhes contavam, na sua língua, enquanto pequenos.

Recentemente, este grupo de voluntários foi convidado a partilhar a sua experiência e a inspirar professores bolivianos a conectarem- se à aldeia global, que é a Internet, e contribuírem escrevendo e partilhando conhecimento.

Victoria não tem dúvidas: estas novas tecnologias são ferramentas poderosas e podem ser usadas por cada um de nós para manter vivas línguas e culturas indígenas, e servem para difundir sem custos uma infinidade de temas que cada um de nós pode escrever.

Mais sobre Moçambique online depende de nós

Salvo alguns poucos blogs de moçambicanos, pouquíssimo informação sobre a diversidade do nosso país existe na Internet. Na wikipedia a informação sobre Moçambique é similar à que se pode encontrar nos livros das escolas.

Quando é que os moçambicanos decidem começar a escrever a sua própria história, hábitos e costumes e partilhá-los com o mundo? Não tenha dúvidas quanto à ideia de onde iniciar, e não deixe que o custo de se sentar num café Internet ou do crédito para recarregar a Internet móvel seja uma barreira.

Participe da wikipedia

Primeiro o leitor deve entrar no site oficial do wikipedia.org, escolher a língua em que pretende participar e na página seguinte visualizar no canto superior à direita um link com o nome criar uma conta.

Depois de entrar neste link, terá que criar um nome de utilizador, uma senha e colocar o seu endereço de e-mail (opcional – pois somente através do seu e-mail poderá entrar em contacto com os utilizadores do wikipedia, sem revelar o seu endereço de e-mail).

Depois de colocar todos esses itens, clique em criar uma conta, e pronto!!!!! Passará a ser o mais novo participante da maior enciclopédia livre e gratuita do mundo: a wikipedia. Arranje algum tempo do seu dia para ler os textos de apoio, porque eles são muito importantes para os participantes recém-chegados.

Neles, pode encontrar elementos sobre como dar os primeiros passos para realizar uma edição, consultar as normas e políticas da wikipedia, e também como solucionar possíveis problemas, entre outros artigos de interesse da enciclopédia.

Crie um blog

As ferramentas para blogar são inumeráveis. Recomendo o uso do wordpress pela similaridade que possui com um programa de texto, como o word, e pela possibilidade de usar essa plataforma gratuitamente.

Tudo começa em wordpress.org.

No primeiro campo, preencha com o nome desejado para o seu blog, e certifique-se de que esteja seleccionado a opção “wordpress.com” para que você crie um blog gratuitamente.

Logo depois de atribuir um nome ao seu blog, escolha um usuário e a senha nos campos seguintes e, para finalizar, uma senha.

Na página seguinte poderá preencher alguns dados sobre si. Depois do preenchimento, vá ao seu e-mail e clique no link de activação do seu blog. Seguidamente active a sua conta, e será direccionado para uma página do wordpress que o informa de que já se pode ligar e divertir-se.

Clique em login e entre na sua conta. Parabéns, você agora possui um blog! Agora escreva sobre o que quiser e não se esqueça de partilhar connosco enviando-nos um e-mail para [email protected], ou um tweet @verdademz ou ainda para a nossa página do Facebook.com/JornalVerdade.

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