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EDITORIAL: Mas que altruísmo barato!
Editorial
Escrito por Redação  em 26 Abril 2012
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No passado fim-de-semana, a nossa bela Pérola do Índico doou ao seu vizinho Malawi diversos produtos, nomeadamente dois vagões de milho, um de combustível, igual número de sal de cozinha, 10 cabeças de gado, 505 sacos de arroz, 20 de açúcar, 20 caixas de óleo vegetal, e 50 de bolachas e de sardinha.

No entendimento dos DONOS DO PAÍS, o donativo destina-se a ajudar o povo malawiano nas cerimónias fúnebres do ex-estadista Bingu Wa Mutharika.

Porém, quanto a nós, resta-nos dizer que essa acção é manifestamente interesseira e hipócrita, ou seja, não passa de mais um exercício matinal de quem lava a cara depois de uma longa estação de sono. Ou por outra, trata-se de mais uma encenação teatral de um grupo de actores amadores de muito mau gosto para o povo moçambicano ver e aplaudir.

São vários os questionamentos que lançamos sobre este donativo. Um dos quais é referente ao período do mesmo: Será que tínhamos de esperar pela morte de Bingu Wa Mutharika para demonstrar este gesto de solidariedade?

Não será este donativo uma confirmação de que a nossa arrogância crassa e estupidez como país também é culpada pela crise malawiana que há muito se bate com a falta de combustível porque nós, os seus queridos vizinhos, construímos ameias tão altas impedindo-os de entrar com “comida” para a sua casa? Porque tinha que ser exactamente agora?

A história de que Wa Mutharika enquanto estadista não aceitava ajuda externa é conversa para boi dormir, pois é do conhecimento de todos os problemas logísticos havidos e do impasse que levou aquele estadista a visitar o país, acabando por sair frustrado ao aperceber-se de que o seu homólogo estava mais preocupado com os seus interesses (empresariais) pessoais em detrimento do bom relacionamento das duas nações que, por força da geografia, são unidas.

Além disso, questionamos: Que imagem o nosso país pretende transmitir com essa acção que traz água no bico, sabendo-se que todos os dias há moçambicanos a morrerem devido à ditadura da fome? Será a imagem de que somos uma nação auto-suficiente ou solidária? Não estaremos a ser altruístas? Mas duma coisa temos a certeza: o nosso Governo, além de amnésia, tem o problema de falta de auto-estima.

Enquanto os nossos dirigentes brincam a filantropos, ao invés de criar políticas agrárias eficazes, na província de Tete cerca de 35 mil pessoas estão afectadas pela fome, sobrevivendo apenas de farelo de milho, de mangas e tubérculos. De que é feito este Governo? Respondemos: de gente insensível acostumada a estender a mão para receber a caridadezinha internacional denominada ajuda externa.

Foram os produtos para o Malawi. Muito bem. O donativo levantou a nossa auto-estima visto que ouvimos proclamado o nosso nome pela sucessora de Wa Mutharika durante a cerimónia fúnebre.

Mas e então, como ficamos nós, o povo ou as cinco mil crianças que se viram privadas de sentar numa sala de aula em Nhambaua 2, província de Manica? Quantos vagões de milho e quantos sacos de arroz e feijão estão a caminho para distrair o estômago das populações?

PS: Não estamos a dizer que o Governo não devia ter tomado a decisão de se solidarizar com o povo malawiano, estamos, sim, a pedir para que este mesmo Governo se sinta, no mínimo, solidário com o seu povo.

Comentários   

 
+2 #1 Jose Alexandre Faia 27-04-2012 14:51
Enquanto a Tanzania deu 10 vezes mais ajuda , vangloriamo nos de ter dado aquela ajuda patética . Tem razão o autor da crónica em perguntar , querem enganar a quem ?
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+1 #2 Florinda Mabote 29-04-2012 17:34
Não adianta viver de aparências, temos que ser solidários também com os nossos irmãos que se encontram bem próximos de nós; nas nossas comunidades
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-1 #3 Angelo Americo Mauai 22-05-2012 12:16
É indubitável que o nosso país vive enormes façanhas, sintomatismos ou contrariedades resultantes da gestão obscura e deficitária de alguns nossos soberanos. Porém, talvez não fosse o gesto de solidariedade manifestado pelo governo com Malawi que motivasse o “desembucho” do articulista. NÃO HÁ POBRE QUE NÃO DÁ, NEM HÁ RICO QUE NÃO RECEBE. O donativo feito,constitui um gesto normal da culturalidade africana.
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