EDITORIAL: Queremos políticos melhores | ![]() | ![]() | ![]() |
| Opinião - Editoral | |||
| Escrito por Redacção | |||
| Quarta, 21 Dezembro 2011 12:08 | |||
O Jornal @Verdade, como é normal, tem desejos para 2012 e nem são muitos. Mas julgamos que são de extrema importância para que Moçambique seja um lugar melhor no ano que se avizinha. Ou seja, preferimos que haja mais comida e menos presidências abertas. Mais medicamentos e menos discursos “sábios e clarividentes”. Preferimos mais escolas no Moçambique profundo do que carros topo de gama no parque de estacionamento da Assembleia da República. Gostaríamos de ver em 2012 o desejo de emagrecer profundamente o orçamento do Serviço de Informação e Segurança do Estado. É brutalmente pornográfico, repressivo e criminoso que o SISE tenha um cabimento orçamental 131 vezes mais robusto do que o do Serviço Nacional de Bombeiros. O SISE não pode, de forma nenhuma, ser mais importante do que o Ministério da Mulher e Acção Social. Não pode ser mais importante do que a gestão do mar e das florestas. Não pode ser mais caro informar o Estado do que promover o fomento da castanha de caju. E, pasme-se, num país com crónicos problemas de habitação, o simpático e prestimoso SISE tem um orçamento que coloca na posição de gorjeta os míseros, paupérrimos e insignificantes 75 milhões do Fundo de Fomento de Habitação. O nosso desejo é que o caminho e as prioridades sejam outras. Que promover a habitação seja efectivamente uma prioridade. É certo que o Orçamento já foi aprovado, através da ditadura do voto. Porém, em 2012, desejamos que um deputado, pelo menos um, da bancada maioritária se rebele contra essa ideia dominante e o caos reinante na gestão da vida de todos nós. Que apareça alguém, no meio da orientação única, que olhe para o que é prioritário: comida, saúde e educação. Que grite, que esperneie, que proteste contra esse crime silencioso, o de prometer flores e dar balas. Queremos sentir que a taxa de lixo, religiosamente cobrada e paga arduamente, sirva para alguma coisa e não para realçar as barrigas dos donos do país. Dito de outro modo: queremos deixar de pensar que o amontoado dos míseros rendimentos de todos nós - descontados na factura da energia pré-paga - vire mansões nos Belos Horizontes da vida. Queremos transporte condigno. Até porque aquela história de sermos “um povo lindo e maravilhoso” não coaduna, de forma nenhuma, com as condições nas quais somos criminalmente transportados, qual gado rumo ao matadouro. Sabemos que é pedir muito, mas desejamos profundamente que 2012 seja um ano privado da promiscuidade entre governantes e o mundo de negócios. Ou seja, queremos um 2012 livre dessa vergonha de vermos, do nada, filhos de dirigentes colocados como empresários de sucesso. Chega. Queremos acreditar num futuro melhor porque o presente, esse, já está podre. PS: Desejamos profundamente que a Cadeia Civil não caia nas mãos de familiares dos nossos dirigentes. Acreditamos que isso seria um roubo do tamanho da Ponta Vermelha. Mais: onde é que “depositaríamos” aqueles que delapidam os fundos do Estado? Longa vida à Cadeia Civil. PS1: Como moçambicanos desejamos que os políticos trabalhem afincadamente no desenvolvimento deste país. Em 2012 não queremos manifestações por causa do custo de vida. Não queremos que o pão seja mais caro. Queremos, isso sim, políticos comprometidos com a causa do desenvolvimento e um povo exigente e, sobretudo, vigilante. Ou seja, queremos cidadãos melhores para que os políticos sejam obrigados a ser melhores também. Enfim, que seja um ano em que todos possam dizer: “estamos no bom caminho, rumo à prosperidade”. Comentários (1)
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