Li o editorial com interesse. Concordo com parte significativa das preocupacoes que coloca, mas descordo de como o conceito de seguranca e abordado. E formulado de forma bastante distorcida o que poe em causa o proprio conceito de Estado. O Estado - poder, comunidade e territorio - dificilmente sobreviveriam se prescindisse dos servicos de seguranca do Estado. A seguranca e um desses orgaos. E quando se fala de seguranca de Estado estaremos a falar de um orgao preparado para defender o Estado nestas tres dimensoes. Quer dizer que a Seguranca deve garantir, segundo os contornos defenidos pela Constituicao da Republica: (i) a inviolabilidade da integridade territorial do Pais,nas suas multiplas variantes; (ii) a proteccao da liberdades publicas, segundo o catalogo dos direitos fundamentais, plasmados na constituicao; e (iii) o estatuto do politico, a parte da constituicao referente a organizacao e o funcionamento dos orgaos do poder politico. Estas sao as atribuicoes fundamentais da Seguranca do Estado, e por isso, acho que nao deveriamos por em causa um orgao tao fundamental e nobre so porque temos uma ideia deturpada do seja a seguranca de um Estado. A demais o que se deve fazer e exigir para que a sua actuacao nao se desvie do preconizado na Constituicao, pois e aqui onde se guarnece a soberania do Estado, populacao e territorio. Por esta razao nao se pode deixar e nem permitir que a seguranca seja um orgao dos pazeres nas maos dos maus politicos, mas sim um orgao fundamentalmente de garantia da existencia do Estado democratico e de direito. Democracia significa gestao de conflitos e tensoes sociais que nem sempre sao fontes de ameaca a sua propria existencia. A seguranca estara presente naquelas situacoes em que os pilares do Estado estao ameacados. Estas ameacas nao podem ser confundidas com o exercicio normal de cidadania, nos mais diversos sentidos, por mocambicanos e estrangeiros no pais. Quero aqui com este comentario chamar a atencao no que concerne a utilizacao do conceito de seguranca de Estado, sem entrar em quaisquer consideracoes referentes a justeza ou nao da dotacao orcamental. O apelo que faz aos deputados(membros do orgao legislativo do Estado)so tem sentido se se identifica com o Estado e e esse Estado que, como qualquer outro, necessita da seguranca para levar a cabo a sua missao. P.S.: Ja agora aproveito a oportunidade para me referir que o Ministerio de Accao Social deve a sua existencia fundalmente ao facto de o Estado Mocambicano assumir-se em termos formais como um estado de providencia social, coisa que nao aconteceria se a proteccao social, em sentido lato, fosse tarefa fundamental do Estado no seu todo, isto e, se em vez de ter politicas reactivas orientadas para segmentos da sociedade mais desfavorecidos, o Estado respondesse aos problemas com politicas mais proactivas.