| EDITORIAL: Ganham mal uma pinóia |  |  |  |
| Opinião - Editoral | | Escrito por Redacção | | Quinta, 17 Maio 2012 17:17 | Afinal os deputados ganham mal? Coitados. Ganham tão pouco os pobrezinhos e - grande castigo - estão na Assembleia da República para servir patrioticamente os interesses de 22 milhões de moçambicanos ingratos que, agora, aplaudem a aprovação de um lei que empobrece grande parte dos 250 servidores públicos. Neste rochedo à beira-mar não sei por que cargas de água foram criar ardilosamente uma lei que prevê o empobrecimento lícito do deputado. Como, digam-nos, é que viverá um deputado sem os outros rendimentos que a Lei de Probidade Pública vai extirpar? Como é que vai viajar ou beber um whisky velho enquanto “debate” a pobreza dos moçambicanos? Quem há-de ir viver principescamente nas praias e lodges de Inhambane? Quem vai gastar balúrdios em restaurantes? Não se pode brincar com a dignidade de um deputado senhores. Temos de concordar com eles quando dizem que o Governo deverá aumentar “adequadamente” os salários. Ou seja, há um estilo de vida que é preciso manter, preservar e legitimar. Afinal eles trabalham que se fartam. | | Continuar... | | EDITORIAL: Morte anunciada |  |  |  |
| Opinião - Editoral | | Escrito por Redacção | | Quinta, 10 Maio 2012 15:34 | Rosália, empregada doméstica, algures no bairro da Polana aufere 1700 meticais de salário por mês. Pessoa pouca instruída, devido ao troar dos canhões de uma guerra fratricida e estúpida entre irmãos, foi obrigada a interromper os estudos e a mudar-se para a segurança do cordão da cidade capital. Em Maputo encontrou um tio distante que lhe deu guarida, mas não lhe proporcionou educação formal. Na verdade, Rosália foi transformada numa serviçal. O que, no entender dela, nem era mau. Trabalhava muito, mas tinha o que comer e um lugar para dormir. Meio perdida na grande cidade de pedra, Rosália deixou-se engravidar. Prontamente foi feita a cerimónia de lobolo e Rosália foi viver para a casa dos sogros, algures no Polana Caniço. Com 21 anos e sem nenhum tipo de formação para além da mestria nas lides domésticas, Rosália encontrou emprego como empregada doméstica de uma residência na Julius Nyerere. Hoje, volvidos 10 anos, Rosália já é uma senhora na casa dos 30. Porém, ainda é empregada doméstica e não ganha grande coisa. O marido é funcionário de uma empresa de segurança onde ganha um mísero ordenado. Na verdade, só é possível chegar ao fim do mês por causa das sobras na casa onde Rosália trabalha. Nem sequer há dinheiro para medicamentos quando os filhos adoecem. Mas isso não é problema. Ao longo dos anos, a empresa estatal FARMAC desenvolve um trabalho humanitário na área do fornecimento de medicamentos aos cidadãos. | | Continuar... | | EDITORIAL: Imbecilidade co(se)lectiva |  |  |  |
| Opinião - Editoral | | Escrito por Redacção | | Quinta, 03 Maio 2012 14:22 | O dia 1 de Maio, em Moçambique, para nada mais serve do que o desfile colectivo da nossa imbecilidade. Trabalhadores esqueléticos, munidos de cartazes com palavras de ordem, repetem até à náusea pedidos que os empregadores sistematicamente ignoram. É assim de ano para ano. O Governo ouve e aplaude. Aliás, ouvia e aplaudia a marcha dos enteados da pátria. Hoje, é tudo diferente. Não há pachorra, diz o Governo do altar da sua ausência, que já não tem estômago para participar na farsa. Ou seja, de que adianta reivindicar algo a que não se está disposto a incentivar? O que traz de novo a marcha? O que melhora na vida do trabalhador moçambicano? Ela faz, como num passe de mágica, que o orçamento da sua empresa seja maioritariamente consumido pelos seus salários como na Assembleia da República, por exemplo? Que é que se faz na marcha? Pensa-se? Trata-se das injustiças laborais com palavras de ordem? Obtém-se um aumento de salário com coreografia decorada? Resolve-se algum conflito com as goelas escancaradas? Ou, pelo contrário, fomenta-se a irracionalidade? | | Continuar... | | EDITORIAL: Mas que altruísmo barato! |  |  |  |
| Opinião - Editoral | | Escrito por Redacção | | Quinta, 26 Abril 2012 15:29 | No passado fim-de-semana, a nossa bela Pérola do Índico doou ao seu vizinho Malawi diversos produtos, nomeadamente dois vagões de milho, um de combustível, igual número de sal de cozinha, 10 cabeças de gado, 505 sacos de arroz, 20 de açúcar, 20 caixas de óleo vegetal, e 50 de bolachas e de sardinha. No entendimento dos DONOS DO PAÍS, o donativo destina-se a ajudar o povo malawiano nas cerimónias fúnebres do ex-estadista Bingu Wa Mutharika. Porém, quanto a nós, resta-nos dizer que essa acção é manifestamente interesseira e hipócrita, ou seja, não passa de mais um exercício matinal de quem lava a cara depois de uma longa estação de sono. Ou por outra, trata-se de mais uma encenação teatral de um grupo de actores amadores de muito mau gosto para o povo moçambicano ver e aplaudir. São vários os questionamentos que lançamos sobre este donativo. Um dos quais é referente ao período do mesmo: Será que tínhamos de esperar pela morte de Bingu Wa Mutharika para demonstrar este gesto de solidariedade? | | Continuar... | | EDITORIAL: O (péssimo) hábito presidencial |  |  |  |
| Opinião - Editoral | | Escrito por Redacção | | Quinta, 19 Abril 2012 17:24 | Durante muito tempo, o Presidente da República, Armando Guebuza, destacou-se por causa dos seus discursos vazios de combate à pobreza absoluta e sobre a auto-estima. Porém, a escassos anos para o final do seu segundo mandato, o PR, como se sabe, tem vindo a ganhar notoriedade por um outro motivo: a alergia a qualquer tipo de crítica, seja da Imprensa, seja da sociedade no geral. Diga-se em abono da verdade, tornou-se um (péssimo) hábito do Presidente lançar farpas para os críticos da sua governação. A juventude tem sido o principal alvo de Guebuza. Os mesmos jovens que, durante as campanhas eleitorais, são chamados para encher camiões e cantar “vivas”. No mês passado, no encerramento do Comité Central da Organização da Juventude Moçambicana (OJM), Guebuza disse que os jovens precisam de deixar de ser fofoqueiros e intriguistas e entregarem-se ao trabalho. | | Continuar... | |
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