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“Tudo continua no silêncio” e a Polícia disse “vai descansar”, pai do jornalista detido e incontactável em Cabo Delgado
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Destaques - Nacional
Escrito por Emildo Sambo  em 16 Janeiro 2019
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Abubacar Artur, pai do jornalista da Rádio Comunitária Nacedje, Amade Abubacar, expôs ao @Verdade a angústia que vive desde a detenção do filho, há 12 dias, no distrito de Macomia, em Cabo Delgado, pela Polícia da República de Moçambique (PRM), e falta de comunicação com o mesmo. “O telefone dele está desligado”, mas tenho insistido, afirmou o progenitor da vítima e admitiu: “estou muito preocupado” porque nenhuma autoridade diz coisa concreta. Para agravar a aflição, o Comando-Geral da Polícia mantém-se quieto e calado.

Em contacto telefónico com o @Verdade, na manhã de terça-feira (15), Abubacar Artur, de 68 anos de idade, disse já tentou todos os contactos possíveis para perceber o que se passa com o filho e porque motivo foi privado de liberdade, mas sem sucesso.

O ancião contou ainda que se mudou, temporariamente, da localidade de Pangane para o bairro de Changane, com o intuito de acompanhar de perto a detenção do filho.

Contudo, “tudo continua no silêncio e não tenho informação sobre o meu filho”, sublinhou o chefe da localidade de Pangane, no posto administrativo de Mucojo, distrito de Macomia, em Cabo Delgado.

Uma vez ele deslocou-se ao Comando Distrital da PRM de Macomia, mas no lugar de obter esclarecimento sobre a prisão do filho foi mandado voltar para casa e orientado a aguardar serenamente. “Eles [os agentes da Polícia] disseram vai descansar, quando houver qualquer coisa vamos te informar”.

Impaciente de esperar sem saber em que situação está o filho, Abubacar Artur telefonou, num outro dia, para o comandante distrital da PRM de Macomia, mas, para o seu desalento, ficou a saber de que não havia novidade.

Segundo Abubacar Artur, entre 2017 e 2018, Amade relatou que sofria ameaças, por conta de algumas matérias que veiculava na Rádio Comunitária Nacedje.

O idoso não precisou o teor das referidas matérias, mas afirmou: “seu trabalho de locução”, Amade “falava algumas verdades” e, por causa disso, “não faltavam ameaças”, sobretudo porque ele era acusado de veicular informações contrárias ao governo distrital de Macomia.

Questionado se alguma vez se deslocou ao quartel militar em Mueda, onde se presume que o jornalista esteja detido, Abubacar respondeu, peremptoriamente: “não fui porque não sei se serei atendido”.

Amade tem quatro filhos com idades que variam de um a cinco anos, que, neste momento, estão entregues à própria sorte porque a mãe não trabalha. “Eu ajudo a ela com o que posso”, disse o idoso e explicou que orientou à nora para vender alguma que lhe ajude a sobreviver. “Vou continuar a apoiá-la” no que for necessário.

Na segunda-feira (14), Augusta Guta, porta-voz do Comando Provincial da PRM, em Cabo Delgado, disse a jornalista que a instituição a que está afecta está a trabalhar no sentido de esclarecer o problema. “Trata-se de um caso delicado. Estamos a trabalhar, neste momento, com vista a trazer informações suficientes para partilharmos com a comunicação social”.

Às terças-feiras, o Comando-Geral da PRM realiza conferências de imprensas, para a dar a conhecer as suas acções/ocorrências no país. Contudo, esta terça-feira (15) não briefing, devido a razões que apurámos.

O comunicado de imprensa enviado @ Verdade, assinado pelo porta-voz e superintendente principal da Polícia, Inácio Dina, que não faz menção à detenção de Amade.

O jornalista foi detido numa manhã quando entrevistava e fotografava populares que chegavam à vila de Macomia, supostamente à procura de refúgio na sequência dos ataques que assolam aquele distrito, protagonizados por grupos armados, desde Outubro de 2017.

Por sua vez, o MISA-Moçambique, reagiu exigindo a libertação imediata do jornalista, pois a sua prisão “é ilegal”, sobretudo por se tratar de um civil privado de liberdade num estabelecimento militar”.

Adicionalmente, “o prazo legal de 48 horas” para que o jornalista “fosse apresentado a um juiz de instrução criminal para a legalização da detenção foi largamente ultrapassado”.

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