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Pesquisa aponta possibilidade de reuso de cloroquina e artemisinina para tratamento da malária em Moçambique
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Destaques - Nacional
Escrito por Emildo Sambo  em 03 Julho 2018
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Os tratamentos combinados à base de artemisinina ou quinino, ou cloroquina, voltam a ser mais rápidos e eficazes entre os anti-maláricos, em países como Moçambique, onde a malária é endémica, segundo os resultados preliminares de um dos estudos desenvolvidos pelo Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), que também esclarece que a pesquisa não visa que se reuse os medicamentos em causa como primeira linha de tratamento, mas sim, para a prevenção da doença em grupo específicos.

No passado, várias pesquisas indicavam que os compostos de artemisinina não eram recomendáveis no primeiro trimestre da gravidez, a menos que não houvesse outros medicamentos disponíveis, devido a consideráveis preocupações sobre seus potenciais efeitos colaterais.

Francisco Saúte, director-adjunto para área cientifica do CISM, disse que a instituição a que está afecta testou, junto de outros pesquisadores internacionais, tais como de Burquina Faso e do Quénia, a segurança de uso de anti-malárico à base de artemisinina, na gravidez, e a conclusão foi promissora, no que diz respeito à eficácia. A investigação “mostrou que não há diferença na frequência de aborto, nados mortos e malformações congênitas em pacientes que receberam derivados de artemisinina ou quinino no primeiro trimestre da gravidez”, afirmou.

Quer a cloroquina, quer a artemisinina e seus derivados, são fármacos que no passado foram bastante usados para o tratamento da malária, mormente a cloroquina, na década de 80, tendo sido substituídos por outros fármacos por conta de alguns efeitos colaterais menos tolerados pelos pacientes.

O facto de os testes à artemisinina terem trazidos resultados promissores levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a “convocar uma reunião de peritos para rever as suas recomendações” sobre o uso de terapias combinadas à base daquele medicamento, de acordo com Francisco Saúte.

Ele falava no “Primeiro Fórum Nacional da Malária”, realizado na semana passada, em Maputo, pelo Ministério da Saúde (MISAU).

Os estudos em alusão surgiram da necessidade de se produzir mais dados seguros sobre o uso de artemisinina no início da gravidez, principalmente porque as mulheres grávidas são habitualmente excluídas dos ensaios clínicos devido ao receio de prejudicar a mãe ou o feto.

Relativamente à cloroquina, a fonte disse que o seu uso para o tratamento do paludismo foi suspenso há mais de uma década. Todavia, ela “volta a recuperar a sua eficácia parasitológica”, conforme alguns estudos de evidência.

Não se pretende voltar a usar os fármacos em questão como primeira linha de tratamento, mas sim, para prevenir e tratar grupo específicos, tais como “mulheres grávidas no primeiro trimestre de gestação ou crianças com uma média de cinco quilogramas” de peso. “O medicamento é seguro, pode ser usado”.

O director-adjunto para área cientifica do CISM falou sobre um outro estudo sobre a durabilidade das redes mosquiteiras impregnadas com insecticidas de longa duração do insecticida após a pulverização intra-domiciliária.

Um estudo realizado no distrito de Magude, província de Maputo, indica que “os insecticidas duram pelo menos seis meses na parede a matar mosquitos”, se a pulverização for devidamente feita.

Recorde-se que as consequências da malária não tratada na gravidez são adversas, incluem anemia grave, baixo peso ao nascimento para recém-nascidos é uma das principais causas de mortalidade infantil em África.

Em relação ao uso de redes mosquiteiras, Francisco Saúte fez saber que 50% delas dois anos após a distribuição continuavam em bom estado para serem usadas, 30% podiam ser reparadas, se houvesse hábito para tal e as comunidades, segundo comentou, podiam ser treinadas a fazer isso.

Constatou-se ainda que 20% de redes mosquiteiras deviam ser “substituídas imediatamente” e havia outros 75% que “tinham perdido a sua bioeficácia para matar o mosquito”, pese embora continuassem a ser usadas.

No evento, o Presidente da República, Filipe Nyusi, sugeriu as abordagens sobre a malária devem ser feitas de acordo com a situação epidemiológica de cada distrito, para se que se possa aferir a realidade da prevalência.

Moçambique tem a meta de reduzir o paludismo em 40%, de 2017 a 2022, e em 50% até 2023.

Em 2030, espera-se que o país tenha já eliminado a doença.

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