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Al Shabaab mata mais seis pessoas no Norte de Moçambique elevando para 32 os civis mortos em menos de 2 semanas
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Destaques - Nacional
Escrito por Adérito Caldeira  em 08 Junho 2018
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Grafismo de Nuno TeixeiraO grupo denominado pelas populações de Al Shabaab matou mais seis pessoas nesta quarta-feira (06), desta vez no distrito de Quissanga, elevando para 32 o número de civis assassinados em menos de 2 semanas na província de Cabo Delgado. Relatos de sobreviventes e de membros das Forças de Defesa e Segurança no local dão conta de um grupo “que não está fragilizado”, como afirma a Polícia da República de Moçambique, e até integra mulheres.

O mais recente ataque do Al Shabaab moçambicano aconteceu cerca das 21h30 na isolada aldeia de Namaluco, localizada no Posto Administrativo de Mahate, no distrito de Quissanga, onde embora tenham encontrado os residentes acordados não se intimidaram e invadiram habitações, tendo queimado 70 delas, estabelecimentos comerciais e até uma unidade sanitária.

Relatos de testemunhas entrevistadas pela Soico Televisão no local indicam que o grupo era encabeçado por um homem forte que empunhava uma arma de fogo e era seguido por jovens com catanas e mulheres com crianças. “Eram forte e alto, a pessoa que carregava arma estava à frente do grupo que tinha catana, eram jovens. Não tinham equipamento, punham roupa igual, simples. Tinha mulheres com crianças, enquanto eles faziam os distúrbios as mulheres carregavam as nossas cenas, os homens irrompiam numa casa e depois as mulheres carregavam os materiais”, contou um dos sobreviventes.

Três civis morreram carbonizados, dois foram decapitados e uma outra foi alvejado a tiro de arma de fogo. “Estavam a disparar com muita força, não sei de que arma”, disse outro sobrevivente.

Um terceiro entrevistado disse a Soico Televisão que: “A tropa chegou por volta das 5 horas (da manhã de quinta-feira 07), atrasou muito, a aldeia já tinha terminado de arder. Eles usam falam muito swahili”.

Uma fonte das Forças de Defesa e Segurança contactada pelo @Verdade revelou que o denominado pela população local de Al Shabaab, “mata e incendia casas como forma de mostrar que não está fragilizado, porque se estivesse faria recrutamento na zonas onde ataca”.

“Há uma mensagem que parece transmitir de que não se trata de um grupo amador, mas que se preparou durante algum tempo e conhece Cabo Delgado. Em cada ataque que acontece fica a ideia de que conhece as posições das Forças de Defesa e Segurança e sabe como as contornar”, acrescentou a nossa fonte que prefere manter-se em anonimato.

Al Shabaab a deslocar-se para o Sul de Cabo Delgado

Grafismo de Nuno TeixeiraEste foi o sexto ataque a aldeias da província de Cabo Delgado em 12 dias, elevando para pelo menos 32 o número de civis mortos. No dia 27 de Maio dez cidadãos, entre eles dois adolescentes, foram decapitados no distrito de Palma.

No dia 29 de Maio dois civis foram mortos no distrito de Macomia e outros dois terão sido decapitados na região limite entre o Posto Administrativo de Olumbi e o distrito de Mocímboa da Praia. A 3 de Junho cinco pessoas foram decapitadas na aldeia de Rueia, no Posto Administrativo de Mucojo, no distrito de Macomia. No dia 5 de Junho sete civis foram mortos, alguns deles decapitados, na aldeia de Naunde, no distrito de Macomia.

Embora este Al Shabaab que está a criar terror e atacar alvos civis desde Outubro de 2017 clame defender a religião islâmica um estudo de académicos moçambicanos apurou que os seus membros “tem uma grande ignorância em relação ao Alcorão e a tradição profética”.

O estudo indica que o Al Shabaab moçambicano tem dois objectivos. “O primeiro é criar uma situação de instabilidade na Região para permitir o negócio ilícito no qual as suas lideranças estão envolvidas. O outro, é a partir desses negócios ilícitos alimentar outras redes que eles têm ligação, por exemplo os comandos das milícias no Congo, na Somália, no Quénia e na Tanzânia”

O Governo de Moçambique pediu ajuda das autoridades da Tanzânia e da República Democrática do Congo que já enviaram algumas das suas forças para o combate a este grupo que a Polícia da República de Moçambique afirma estar “fragilizado”.

Embaixadas emitem alertas para seus concidadãos evitarem viajar para província de Cabo Delgado

Estranhamente o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, que é o Comandante em Chefe da Forças de Defesa e Segurança, continua sem um posicionamento público sobre esta onda de terror que desde Outubro de 2017 assombra a província de onde é oriundo.

Nem mesmo durante o discurso inaugural da conferencia internacional sobre o turismo que decorre em Maputo repudiou estes ataques bárbaros acontecem numa das províncias com maior potencial turístico do país. É que não importam as medidas para facilitar a vinda de visitantes quando as embaixadas estão a emitir alertas para que os seus concidadãos não se desloquem ao Norte de Moçambique.

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