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PRM acredita no envolvimento de curandeiros na morte de homens calvos na Zambézia
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Destaques - Nacional
Escrito por Emildo Sambo  em 08 Junho 2017
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A perseguição e assassinato de indivíduos calvos para a extracção e venda dos seus órgãos, no distrito de Morrumbala, província da Zambézia, para presumíveis rituais supersticiosos, tem motivações culturais e é encomendada pelos médicos tradicionais, considera a Polícia da República de Moçambique (PRM), que indica, também, existir uma crença segundo a qual as vítimas têm, na cabeça, algum poder que gera fortuna.

Nos últimos dias, pelos três homens com problemas de calvície foram mortos naquela parcela do país.

Em conexão com este crime, a Polícia moçambicana deteve pelo menos dois cidadãos, no distrito de Morrumbala, alegadamente por terem sido surpreendidos por populares num cemitério na posse de uma cabeça humana com calvície.

Porém, em declarações à imprensa, os visados refutaram as acusações que pesam sobre si.

Inácio Dina, porta-voz do Comando-Geral da PRM, disse que as conclusões preliminares, em torno da investigação em curso, sugerem que “razões culturais” estejam na origem deste “fenómeno que nos preocupa”.

Há medidas a serem tomadas para evitar o mal e esclarecer porquê e para que fim pessoas carecas são tiradas a vida, disse o agente da Lei e Ordem, à imprensa, no habitual briefing semanal.

Ele afirmou ainda que “uma grande incidência [referia-se aos mandantes] vai mesmo para os médicos tradicionais”.

“O que é certo é que” acredita-se que “indivíduos carecas têm um suposto poder” de enriquecimento e tal capacidade “pode ser transferida”, pelos curandeiros, para uma outra pessoa de modo a enriquecer, também. “É um pensamento bastante errado”.

Era impensável que os seres humanos calvos pudessem ser perseguidos e mortos por causa da tal crença, disse Inácio Dina, recordando que “já tivemos crimes com explicações culturais”, nomeadamente a perseguição e assassinato de albinos.

Segundo ele, todos, como sociedade, devemos preocupar-nos com esta situação. As autoridades devem analisar este problema tendo em conta as particularidades de cada região do país e serem tomadas as devidas medidas para proteger as vítima

s. A perseguição e assassinato de pessoas calvas tem sido reportada, há dias, a partir dos distritos de Milange e Morrumbala, que fazem fronteira com o Malawi. "Estamos a seguir pistas de indivíduos da Tanzânia e do Malawi, considerados os principais compradores de órgãos" extraídos de pessoas com calvície, disse, há dias, Miguel Caetano, porta-voz do Comando Provincial da PRM, na Zambézia.

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