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Amurane recruta mão-de-obra barata para a limpeza da cidade
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Destaques - Nacional
Escrito por Redação  em 10 Julho 2014
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Pelo menos três mil pessoas, maioritariamente do sexo feminino, foram recrutadas ao longo do primeiro semestre do ano em curso para compor o quadro de pessoal do Conselho Municipal da Cidade de Nampula, presentemente, sob gestão do Movimento Democrático de Moçambique (MDM). Os trabalhadores, alguns dos quais em idade avançada, foram obrigados a envolver-se no projecto de limpeza da urbe, sem qualquer garantia de compensação, facto que está a criar um clima de desconforto no seio daquela camada social.

Numa altura em que os discursos dos dirigentes políticos se centram no combate à pobreza que fustiga milhares de moçambicanos, em Nampula a situação é diferente. Dados fornecidos ao @Verdade pelo Gabinete de Comunicação e Imagem do Conselho Municipal da Cidade de Nampula confirmam que pelo menos duas mil mulheres que se dedicam à limpeza da urbe não auferem nenhuma remuneração.

O edil da cidade, Mahamudo Amurane, que há dias efectuou uma visita de trabalho aos seis postos administrativos municipais, nomeadamente, Central, Muhala, Napipine, Muatala, Natikire e Namicopo, foi confrontado com aquela realidade. Dezenas de mulheres envolvidas naquela actividade fizeram-se ao pódio para exigir da edilidade o pagamento de algum tipo de incentivo para que possam dar continuidade ao processo de limpeza da cidade.

As visadas estão agastadas com o Município de Nampula e ameaçam irromper no gabinete do presidente do município para exigirem o pagamento pelos serviços prestados, sobretudo nos meses de Abril, Maio e Junho. Segundo aquele grupo de mulheres, no acto do recrutamento de pessoal não foi clarificado que o trabalho seria desenvolvido sem recompensa. Gabriel Diamantino Máquina, secretário da unidade comunal Paulo Samuel Kamkhomba, tem sob o seu controlo 31 varredores de rua, dos quais 26 são mulheres.

O grupo foi mobilizado nos princípios de Maio com a promessa de que iria receber algum valor monetário por parte do Conselho Municipal, facto que não aconteceu. Augusto Henrique, secretário da unidade comunal Josina Machel, conta com 24 elementos que se dedicam à limpeza da Avenida Eduardo Mondlane, uma das mais movimentadas da cidade. “Continuamos a marcar presença todos os dias, conforme as orientações do Conselho Municipal, pois não sabemos o que poderá acontecer nos próximos dias”, referiu.

O chefe do posto administrativo de Muhala, Eugénio Estêvão, confirmou que algumas pessoas já começaram a abandonar a actividade. Dos 1.124 que haviam sido inscritos no princípio deste processo em Abril, Muhala conta actualmente com apenas 700 elementos, a maior parte constituída por membros do Movimento Democrático de Moçambique. Enquanto não se vislumbram sinais de compensação aos visados, o ambiente de descontentamento no seio daqueles munícipes que dizem ter abandonado os seus afazeres para se dedicarem à remoção de resíduos sólidos na urbe mantém-se.

“Não entendemos porque é que o município não paga os nossos subsídios. Nós trabalhamos todos os dias”, desabafaram alguns dos entrevistados. Apesar das reclamações, o edil da cidade, através do seu assessor de Imprensa, Faizal Ibramugy, reitera que mais de duas mil pessoas foram recrutadas voluntariamente para reforçarem as acções de limpeza da urbe.

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