Hospital de Marrére em Nampula está a desabar
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Destaques - Nacional
Escrito por Redação Nampula  em 19 Junho 2014
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Enquanto o Executivo moçambicano continua a alocar um maior bolo do Orçamento Geral do Estado ao Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE), às Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e ao Ministério da Defesa Nacional, por exemplo, o Hospital Geral de Marrére (HGM), na província de Nampula, uma das mais antigas unidades sanitárias da capital da região norte de Moçambique, está em situação precária e em condições precárias de funcionamento em virtude de se encontrar a ruir aos poucos, para além da falta de medicamentos para os doentes, mormente para os que padecem de tuberculose e VIH/SIDA. Os relatos dos enfermos e seus parentes dão conta de que há sempre ruptura de fármacos e o atendimento é mau.

A unidade sanitária em causa localiza-se a cerca de 15 quilómetros da cidade de Nampula. As instalações nas quais funciona encontram-se, pura e simplesmente, numa situação deplorável.

Dentre outros aspectos pungentes, constam o facto de o hospital apresentar paredes com rachas que aumentam a cada dia que passa; a pintura está velha, sobretudo na parte exterior; o telhado, para além de estar a desabar, regista infiltração de água e as condições agravam-se no período chuvoso. Os vidros das janelas estão quebrados.

Para além destes aspectos que desvirtuam a função de um estabelecimento onde se recebem e tratam doentes, e se deve prover a estes um estado de bem-estar físico, mental e psicológico, não existe morgue; os departamentos reservados a consultas são insuficientes e não têm meios materiais, o aparelho de radiologia está em precárias condições de conservação e funciona com problemas, dentre outras anomalias que ocorrem no local.

No passado, o Hospital Geral de Marrére estava sob gestão de uma instituição religiosa em Nampula, tendo o governo local tomado a infra-estrutura alegadamente por ser propriedade do Estado. Na altura, o assunto gerou confusão entre as autoridades e o arcebispado da capital da região norte do país, uma vez que este exigia a devolução do edifício e reivindicava a gestão dos cuidados médicos.

A unidade sanitária em alusão conta com 112 camas, contra 300 que são necessárias. Aliás, a estrada de terra batida que dá acesso àquele hospital está bastante degradada, o que faz com que os doentes transferidos do Hospital Central de Nampula (HCN) não cheguem a tempo em caso de emergência. Ao longo dos anos, o Executivo não fez a manutenção das instalações.

Agastado com a situação e perante a incapacidade do governo local de proporcionar meios para o seu funcionamento condigno, a autoridade arquiepiscopal de Nampula pintou o edifício, montou um tanque de água potável, reabilitou a lavandaria e o refeitório, o que minimizou o sofrimento os utentes e dos técnicos de saúde ali afectos.

Contudo, urgente a reabilitação que depende do Governo. Em contacto com o @ Verdade, alguns enfermos internados naquele hospital não esconderam a sua insatisfação em relação aos problemas a que nos referimos. Eles queixaram-se também de supostas irregularidades na administração de medicamentos, da alimentação sem qualidade e da falta de água potável.

De acordo com os depoimentos colhidos no local, alguns doentes pedem aos parentes para trazerem água das suas casas para consumo e higiene pessoal. Paula Rafael, directora do HGM, reconheceu a existência dos problemas acima referidos e assegurou que são do conhecimento do Executivo, da Direcção Provincial da Saúde e dos Serviços de Saúde da Mulher e Acção Social em Nampula, mas ainda não há acções para se ultrapassar a situação.

A técnica de saúde explicou que existe um plano do Governo para a reabilitação e ampliação da referida unidade hospitalar, contudo, ela desconhece a data do arranque das obras, até porque ninguém já fala do assunto. A nossa entrevistada está à espera da concretização do projecto para dar maior dignidade aos profissionais de Saúde que trabalham naquela unidade sanitária e assegurar o bem-estar dos doentes.

Falta de aparelhos para diagnóstico cardiovascular em crianças

A falta de meios não afecta apenas o HGM. O Hospital Central de Nampula (HCN), o maior da região norte de Moçambique, não dispõe de sondas para o diagnóstico de doenças cardiovasculares em crianças; por isso, recorre-se a aparelhos destinados a adultos, o que, para além de agravar alguns problemas de saúde, não garante a obtenção de resultados fiáveis no acto de testes, segundo a Health 4 Moz, uma associação de direito privado que actua na área de desenvolvimento e assistência humanitária no país.

Eduardo Silva, cardiologista, pediatra e membro da Health4 Moz, assegura que o uso de um instrumento não adequado põe em causa a vida dos menores que são submetidos a exames cardiovasculares e a situação contribui para a ocorrência de erros médicos.

Para inverter o cenário, aquela os Médicos Sem Fronteira estão, desde 11 de Junho em curso, em Nampula, a formar profissionais de Saúde de diversas áreas em matéria de rastreio e diagnóstico de doenças cardiovasculares.

Agostinho Joaquim, pediatra do HCN, reconheceu a insuficiência de meios na unidade sanitária onde trabalha, tendo anotado, também, que as dificuldades no atendimento de pacientes são várias e os profissionais de Saúde estão expostos a diversos riscos decorrentes das suas actividades.

De referir que, recentemente, a Health4 Moz, em parceria com a Universidade Lúrio (UniLúrio) e a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal), disponibilizou equipamentos de rastreio de patologias infantis ao HCN e ao Centro de Saúde 25 de Setembro.

Comentários   

 
0 #1 Muriricho Ricardino 24-06-2014 11:04
Vergonha isso gente. bue de recursos minerais na zona norte.
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