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A cidade pode resvalar para o caos urbanístico
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Destaques - Nacional
Escrito por Alexandre Chaúque  em 27 Fevereiro 2014
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No bairro de Nhapossa temos uma zona exemplar chamada “Rua de Deus”, onde os moradores mostraram – desde que ali chegaram – uma unidade assinável e um grande sentido de urbanidade. Em coordenação com o município, e os donos dos terrenos que os vão vendendo em parcelas, os actuais ocupantes controlan o ordenamento das habitações, o que é aplaudido por quase todos os citadinos que têm acompanhado este processo.

Na verdade, numa apreciação que a nossa Reportagem fez recentemente, constatámos a preocupação dos munícipes da zona em não permitir que a desordem impere, de forma a evitarem-se os riscos que isso pode representar no futuro. Chamam-nos a atenção as ruas largas, que deixam o conglomerado arejado e, em conversa com algumas pessoas, ficámos a saber que o controlo que se faz é rigoroso.

Quando há um problema de desobediência eles unem-se e a correcção é feita de imediato, nem que para isso tenha que se usar formas que contrariem o prevaricador. E não faltam casos destes, só que o mal é imediatamente cortado pela raiz. É um dos poucos exemplos que merecem ser mencionados, porque, na maior parte dos casos, somos obrigados a acreditar que estaremos diante de um futuro com problemas sérios de ordenamento urbano.

Há cerca de duas semanas, o presidente do município, Benedito Guimino, reconheceu, numa entrevista que concedeu ao Emissor Provincial de Inhambane, os problemas de ordenamento territorial que imperam na cidade de Inhambane, e fez referência à necessidade urgente para que se evite o pior, amanhã. Para nós, mais do que esse reconhecimento, é imperioso que se trabalhe, agora, nos terrenos que ainda estão a ser parcelados, pois ainda se verifica uma clara anarquia e ignorância.

Ao longo da conduta principal que transporta a água distribuída pelo Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG) para os munícipes, entre os bairros de Malembuane e Liberdade 3, ergueram-se construções que ficam entre essa tubagem e a baía, com todos os perigos que isso representa, particularmente do lado do mar, onde em alguns troços o assoreamento já começou. Já falámos disto enquanto se construiam as casas pré-fabricadas de Muelé, ninguém nos deu ouvidos e o resultado disso já está à vista. Algumas casas estão numa situação de risco, que pode ser desprezado hoje, mas que amanhã pode ser tarde para qualquer salvação.

O bairro de Chamane pode ser citado como outro exemplo positivo de parcelamento, onde a “mão” do município, o bom senso dos munícipes e dos donos dos terrenos imperou, mas os outros tantos podem ser classificados na área do desastre urbanístico. Em muitos casos as ruas não são lineares, ou seja, começam com uma certa largura, e vão-se metamorfoseando no seu percurso, ou se afunilando, ou se alargando mais em relação ao começo. Noutros casos as vias são abruptamente interrompidas, ficando-se na situação de não se poder continuar a viagem com a viatura.

Outros munícipes, que tinham, aparentemente, a obrigação de conhecer as normas que regem uma cidade, são eles mesmas que as violam, muitas vezes levantando impropérios contra quem os queiram corrigir, chamando-os ao bom senso. Temos vários casos destes, muitos deles reportados à própria edilidade, e outros falados nos órgãos de comunicação social, mas a situação, mesmo assim, mantém-se, lembrando-nos que todos somos iguais perante a Lei, mas existem aqueles que pensam que são mais iguais que os demais.

Outro problema reconhecido pelo edil tem a ver com a estrada principal, que dá acesso à cidade. Cada vez mais, tem-se mostrado incompetente para escoar o trânsito, agora apertado com a crescente população automóvel. Não tarda muito que se atinja o insuportável, sobretudo nas horas de ponta, porque o que se nota é que os carros não param de chegar à urbe. É um problema sério que o município não pode negligenciar. É uma prioridade. Numa extensão de aproximadamente sete quilómetros, erguem-se estabelecimentos comerciais informais que partem de Nhapossa até a urbe. A distância que separa as bermas da estrada e essas construções tem pouco mais de cinco metros.

A estrada, mais do que ser reabilitada, precisa de ser alargada. Já há empreendimentos colossais que estão a ser projectados muito perto da estrada, e outros já existentes, como a fábrica de óleos e sabões (SOMOIL). Não sabemos como é que tudo aquilo vai ficar quando chegar a altura de se alargar a via, porque atrás desses projectos há casas de habitação. O Mercado da Mafurreira, só para dar um exemplo, está, neste momento, por demais desajustado. Já devia ser removido do local onde está instalado. E o município tem de agir depressa, sob o risco de não saber o que fazer amanhã.

Outrossim é a construção de jardins que as pessoas possam demandar e refrescar-se ao cair da tarde. Não temos conhecimento de algum projecto nesse sentido. Se existe, então venham mostrar-nos. Falem dele. Digam-nos quem vai construir essas infra-estruturas, onde é que vão ser instaladas, qual é a sua composição. Inhambane não tem nenhum jardim com essa vocação. Até o Parque Infantil, que também acolhia adultos, já não funciona. Foi abandonado. É uma ruína. O que existe no bairro de Nhapossa, baptizado com o nome de Maria da Luz Dai Guebuza, foi feito às pressas. Não seduz, é pequeno demais para quem pensa no futuro. Precisamos de mais jardins, de mais parques, para diversificar a escolha nos tempos de lazer.

Camiões na cidade

Inhambane é uma cidade-museu, que deve ser defendida a todo o custo. Hoje por hoje, camiões de grande tonelagem invadem as artérias da urbe, contribuindo para o desgaste das estradas e da retirada da estética. As autoridades não podem permitir isto, como se fosse normal. É necessário que se encontre urgentemente um lugar de chegada para estes “monstros”, onde irão baldear a sua mercadoria para pequenas carrinhas.

Não podemos continuar a permitir que a nossa cidade seja violada por brutamontes com mais de vinte e quatro rodas a rolarem no asfalto. Mas isto está a acontecer. É é importante que o ilustre edil pense em tudo isto, porque no fim do seu mandado chamar-lhe-emos para prestar contas aos que o elegeram e aos que não o elegeram também. Porque as promessas foram feitas aos munícipes, independemente das suas cores partidárias.

O banco mágico

Ao lado das instalações do Grupo Desportivo de Inhambane, há um banco de madeira colocado pelo município – já no tempo colonial – com a intenção de dar às pessoas o prazer de contemplar a paisagem constituída pela baía e pelos barcos e pelo imenso coqueiral que se ergue do lado da Maxixe. Era um regalo estar ali entregando-se à brisa marítima sempre agradável, com a possibilidade de, aos fins de tarde, assistir ao espectacular pôr-do-sol.

O mentor da ideia teve sempre o cuidado de manter, em primeiro lugar, a zona liberta dos mangais, aliás, ali mesmo, à ilharga, havia um pequeno hangar que acolhia barcos de recreio, que saiam regularmente com jovens que gostam do mar. Mas o tempo passou, e veio um senhor qualquer que achou por bem fazer uma plantação de eucaliptos que tiram completamente qualquer prazer de ali estar.

E como se isso não bastasse, outro alguém veio dizer que é preciso deixar crescer os mangais porque precisamos de peixe. Sobre este assunto já falamos várias vezes, porém não nos importamos de voltar a fazê-lo, acreditando cegamente que um dia seremos ouvidos. Vai o nosso apelo, um vez mais, ao senhor presidente do município e outros interessados, para que trabalhem no sentido de remover aquela “floresta” toda que não dá qualquer dignidade à nossa cidade.

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