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O que trava o Pacote Legal Anti -corrupção
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Destaques - Nacional
Escrito por Redação  em 29 Março 2012
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Num documento intitulado “Incompatibilidades e Conflitos de Interesses: os casos de Teodoro Waty e Luísa Diogo”, o Centro de Integridade Pública lançou o seu contributo “visando a aprovação do Pacote Legal Anti-corrupção”. Efectivamente, o documento incide sobre “a questão do conflito de interesses e incompatibilidades que se encontram referenciadas nas propostas de Lei do Código de Ética do Servidor Público”.

A mesma é parte de um pacote amplo de propostas, das quais se destacam as de Protecção de Vítimas, Denunciantes, Testemunhas e Outros Sujeitos Processuais.

O caso de Teodoro Waty

Teodoro Waty é presidente da Comissão dos Assuntos Jurídicos, Direitos Humanos e de Legalidade na Assembleia da República. É membro da Comissão Política do Partido Frelimo; Cumulativamente PCA das Linhas Aéreas de Moçambique – LAM e Administrador Não – Executivo do Barclays Bank. É também acionista da SPI, a considerada Holding do partido Frelimo.

Para além de exercer em simultâneo estes cargos políticos e empresariais como refere o documento, Teodoro Waty é um empresário. É um dos accionistas da conhecida firma SPI – Gestão & Investimentos com participações em múltiplos empreendimentos empresariais, como, por exemplo, a Movitel, a terceira operadora de telefonia móvel.

Nas suas iniciativas empresariais, é citado pelo CIP como sócio de Hermenegildo Gamito, actual Presidente do Conselho Constitucional e seu antecessor na chefia da comissão de assuntos jurídicos e legais na AR. Aliás, foi esta Comissão que, de acordo com a lei, ouviu Hermenegildo Gamito antes de este ser confirmado pelo Chefe de Estado como Presidente do Conselho Constitucional, em Maio de 2011.

Sobre a sociedade de Waty e Gamito, o documento avança a fundação da PILAR- COOP - Sociedade Cooperativa de Construção, S.A.R.L., em 1992 que, no mesmo ano, se associou ao extinto BPD para fundar a DOMUS - Sociedade de Gestão Imobiliária, S.A.R.L., firma imobiliária detentora de empreendimentos como o icónico Prédio “33 Andares”.

Porém, o império de Teodoro Waty não pára por aí. O documento do CIP revela que ele é igualmente sócio de Hermenegildo Gamito na Cotacâmbio Moçambique - Casa de Câmbios, Limitada, fundada em 2000 e na qual Waty participa na estrutura accionista através da firma W e W - Consultoria e Investimentos, Limitada, empresa criada na Catembe em 1996 por ele e a sua filha, com um capital social de vinte e cinco milhões de meticais.

No capítulo das competências da Comissão dirigida por Waty no Parlamento, o documento divulga que é a mesma Comissão que está encarregue de analisar o “Pacote Legal Anti-corrupção” antes de este chegar ao plenário da AR para a sua discussão e aprovação.

Luísa Dias Diogo

É Deputada da Assembleia da República; membro da Comissão Política do partido Frelimo; PCA Não-Executiva do Barclays Bank, SA; exministra das Finanças; Ex -Primeira-Ministra.

Sobre Luísa Diogo, o documento incide sobre a sua trajectória como funcionária do Ministério das Finanças desde 1980 onde exerceu vários cargos em áreas e departamentos como dos Sectores Económicos e de Investimento, do Orçamento.

Segundo o CIP, foi durante o exercício de funções de Luísa Diogo como ministra das Finanças que o Estado Moçambicano decidiu recapitalizar o ex-Banco Austral, quando este se encontrava à beira da falência, resultante de uma danosa gestão moçambicano-malaia que o delapidou.

A posteriori, o Estado celebrou um contrato de Cessão de Crédito, no qual o Banco Austral transferiu para cobrança estatal a carteira de crédito no valor total de 346,9 milhões de Mts, tendo assumido os créditos considerados incobráveis devido à elevada influência política dos mutuários.

Como Primeira-Ministra, citada pelo CIP, Luísa Diogo realizou uma auditoria forense à gestão danosa do Banco Austral, cujos resultados nunca foram tornados públicos e desconhece-se se o seu relatório chegou à Procuradoria-Geral da República, para possíveis procedimentos criminais.

Entretanto, após deixar de ser membro do Governo em Fevereiro de 2010 e passar a deputada da Assembleia da República, Diogo já era indicada para o cargo de PCA do Barclays Bank, SA, cargo que ocupa desde Dezembro de 2011 e confirmado a 17 de Janeiro de 2012.

Sobre a proposta do Código de Ética do Servidor Público em relação a Luísa Diogo, o CIP refere que a antiga Primeira-Ministra perde pelo simples facto de dispor de informação sensível e privilegiada ligada à instituição bancária em que actualmente é PCA.

Por outro, o documento aborda o facto de o processo de cobranças do crédito malparado não ter terminado por parte desta instituição bancária e desta feita ela poder usar da informação adquirida nos tempos em que exerceu actividades no Estado, para auxiliar na recuperação do crédito junto aos devedores.

Em jeito de conclusão, o documento reflecte que, à luz da Proposta do CESP em debate no Parlamento, estas personalidades incorreriam em graves situações de conflito de interesses e de incompatibilidade que as impossibilitariam de continuar a exercer os seus cargos.

Mais ainda, ao ser aprovado este código, em momento algum poderiam estar a exercer os cargos de que são titulares.Por outro lado, em questões de ética, dado não se encontrarem plasmados em diplomas ou preceitos legais que conduziriam ao seu cumprimento, é recomendável que tais personalidades coloquem os seus lugares à disposição.

Comentários   

 
+1 #1 Trabalhador, não ladrão 31-03-2012 10:43
É assim que os "empresários" da nossa praça fazem dinheiro, com informações que não estão disponíveis ao cidadão comum. Ocupam cargos que lhes dão essas informações, enquanto têem negócios que dependem delas. Conflito de interesses não entra no vocabulário destas pessoas, não têem escrúpulos nem consciência nem vergonha na cara. Depois andam cá fora a dizerem que são "empresários" de sucesso? É muita cara de pau. Até uma girafa fazia dinheiro com essas facilidades todas.
Excluindo os poucos empresários que de facto lutam dia a dia, os restantes não passam de ladrões que apanham as casas com portas e janelas abertas para pilharem a torto e direito. Fazer dinheiro assim é fácil, meus amigos. "Empresários" de sucesso? Nem sabem o que é trabalhar de verdade, não passam de ladrões vestidos com fatiotas.
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