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A liberdade de expressão (ainda) é um mito para alguns
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Destaques - Nacional
Escrito por Redação  em 03 Novembro 2011
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Parece que a liberdade de expressão plasmada na nossa Lei-mãe (ainda) é desconhecida por uma, senão a maior, parte dos moçambicanos. O contexto no qual o país viveu após a independência e o medo de perseguições apresentam-se como as possíveis causas desta realidade.

Em Chókwè, para onde a nossa equipa de reportagem se dirigiu a fi m de aferir o nível de desenvolvimento do distrito e do regadio, enfrentámos difi - culdades para colher declarações dos agricultores sobre as difi culdades e os problemas que o sector (da agricultura) atravessa alegadamente porque temiam represálias das autoridades, sem, no entanto, as mencionar.

Estes dizem que a situação em que se encontram (de pobreza) não lhes permite emitir opiniões sobre quaisquer situações ou acontecimentos, pois isso torná-los-ia alvos de perseguições dos possíveis envolvidos ou protagonistas, principalmente quando o assunto é sobre política.

No seu entender, os políticos não gostam de ser criticados e, quando tal acontece, fazem o uso do poder que a política lhes confere para reprimir quem quer que seja.

Porém, o que nos chamou a atenção foi o facto de alguns produtores do regadio de Chókwè terem dito, em tom de desabafo, que já tinham prestado declarações a vários órgãos a pensar que, com isso, a situação em que se encontram iria mudar – para melhor – mas que, passado algum tempo (meses, anos), nada se tinha alterado, daí a sua “aversão” a jornalistas.

Os que falaram não quiseram ser identifi cados. Estes foram mais longe ao afi rmar que a liberdade de expressão não existe e que os jornalistas estão ao serviço da política, ou seja, tudo está ligado à política. “Isso é mentira, qual é a pessoa que vocês conhecem que não está ligada ao Estado?”, questionou um deles, o que denota a confusão que ainda existe no seio dos moçambicanos entre a política e o Estado.

Verdade ou não, urge refl ectir sobre, primeiro, o papel da comunicação social, porque esta situação pode induzir à ideia de que a classe jornalística moçambicana não está a cumprir um dos seus papéis, que é promover mudanças. Não estar a cumprir o seu papel talvez não seja a forma apropriada de expressar o que se passa, mas que talvez os políticos não estejam a olhar para a comunicação social como um sector importante para o desenvolvimento do país e elo de ligação entre o povo (governados) e o Governo (governantes).

Segundo, é importante procurar saber se, realmente, as tais perseguições existem ou se é apenas um sinal de que alguns moçambicanos (ainda) não têm noção de que o (actual) contexto histórico não é o mesmo que o do passado. Não é possível que alguém não queira dar a sua opinião ou falar das suas difi culdades só porque tem medo da reacção dos políticos. Será que os moçambicanos têm a noção da existência da liberdade de expressão?

Comentários   

 
0 #1 Chris 07-11-2011 07:19
Eu sou da opinião de qwe é sim possivel que alguém tenha medo de dar sua opinião em torno de uma verdade, por medo de ser perseguido, pois isso acontece nos bastedores da política nacional de cada país e até mesmo aqui.
Sabem, as novelas e os filmes, de alguma maneira chegam a revelar isso, concordam?
Até porque nem se tem a certeza de que tais factos ocorrem ou não e já está se dando um nome conclusivo ao medo que eles têm de revelar @ verdade!!!
Não pode.
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