Diários dos X Jogos Africanos: pugilistas mauricianos e argelinos consagrados no Estrela | ![]() | ![]() | ![]() |
| Destaques - Jogos Africanos | |||
| Escrito por Rui Lamarques | |||
| Quinta, 15 Setembro 2011 14:02 | |||
Oteng Oteng (medalha de bronze nos Commonwealth Games), Julie Richard Bruno, este último medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim, travaram Cremildo Guifutela e Wacth António às portas da final dos 52 e 56 quilos. Ainda assim, o Pavilhão do Estrela, catedral do boxe moçambicano, aplaudiu a prestação dos heróis moçambicanos. O desporto tem os seus reis, mas o público que lotou, apoio e incentivou os moçambicanos no renovado Pavilhão do Estrela aprendeu a respeitar dois heróis improváveis naquele contexto.Nascidosnum país com um apoio nulo ao boxe, Cremildo, Wacth e tantos outros viram-se obrigados a ignorar a falta de meios, em mais de uma ocasião, para presentear o público com sacrifício, abnegação e dor extrema. Sem um queixume, eles foram passando de ronda até caírem nas meias-finais. Porém, todos ficaram com a sensação do dever cumprido e uma medalha no pescoço para dizer que o boxe, ainda que sem condições, está mais do que vivo. E que pode desfilar com sobranceria diante de qualquer modalidade prioritária. Nove atletas moçambicanos saíram do país para um estágio em Cuba, símbolo máximo do boxe amador, o maior viveiro de talentos e o bastão no qual Moçambique se apoiou para conquistar a sua primeira medalha africana na modalidade, através dos punhos do já retirado Lucas Sinóia, em ‘90. Nessa altura, pensava-se que o próximo destino de Moçambique seria conquistar um ouro africano e criar alicerces para lutar por um olímpico. Porém, do ouro do Cairo para este dias, Moçambique desandou o caminho que levou o nosso boxe ao mais alto nível. No último dia de combates, os dois pugilistas que afastaram os atletas moçambicanos conquistaram as medalhas de ouro nas suas categorias, depois de derrotarem os argelinos Brahimi Samir e Benbaziz Reda. Oteng Oteng, um pugilista que o Botswana começou a preparar há sete anos, venceu o seu derradeiro combate pela margem mínima. Os melhores pugilistas, por estatística, impuseram-se aos melhores deste Africano por números. Ou seja, os mauricianos conquistaram três medalhas de ouro de três possíveis, enquanto os argelinos, das sete que disputaram, conseguiram apenas três de ouro. O pavilhão do Estrela Vermelha, que uma vez mais esteve lotado, sentiu a falta de um moçambicano na decisão pelo ouro. Porém, quando o boxe recuperou o protagonismo com o primeiro combate, o público pôde disfrutar da melhor versão do pugilismo africano. Depois de nove combates, deviam ser dez mas Kaddous Saad não entrou no ringue por causa de um ferimento, o Estrela agradeceu pelo espectáculo protagonizado. Os golpes, intensos e precisos desde o centro do ringue, atropelavam-se a uma velocidade incrível. Os estilos díspares como semelhantes (argelinos e mauricianos mais estéticos; camaroneses e tswanas mais potentes) eram dignos de gravar para ensinar nas escolas de boxe. O melhor combate
Os argelinos, diga-se, tiveram uma primeira parte de combates para esquecer. Ou seja, perderam os quatro primeiros. Fliss Mohamed, nos 46-49 quilos, caiu diante do camaronês Essomba Thomas no primeiro do dia (16-8). A mesma sorte encontrou Brahimi Samir nos punhos do tswana Oteng Oteng (9-8). Depois, já se sabe, numa batalha épica caiu o tecnicista BenbazizReda. Kaddous Saad, sem combater por causa de um ferimento, deixou a medalha de ouro para St Pierre Joseph Kennedy. A sorte chegou no fim
Se um mal nunca vem só, o mesmo se pode dizer do bem, mas apenas no caso dos argelinos. Bouloudinet Chouabi, nos 91 quilos, derrotou categoricamente o nigeriano Efetebor Apochi por 19-8. Por isso, os nigerianos sabem perfeitamente que o mal dura para sempre: lutaram por três medalhas de ouro e saíram do Estrela com três medalhas de prata e uma de bronze.
Assim, acabou o espectáculo do boxe em Maputo. Porém, ficaram dois ringues e a certeza de que no país há talento por lapidar e que podemos aspirar por mais. Contudo, a responsabilidade não é dos atletas.
AS MEDALHAS FICARAM ASSIM DISTRIBUÍDAS PELAS DIVERSAS CATEGORIAS: 46-49 quilos Medalha Nome País Ouro Essomba Thomas Camarões Prata Fliss Mohamed Argélia Bronze Serugo Ronald Uganda Bronze Tewelde Kibron Etiópia
52 quilos Medalha Nome País Ouro Oteng Oteng Botswana Prata Brahimi Samir Argélia Bronze Cremildo Guifutela Moçambique
56 quilos Medalha Nome País Ouro Julie Richard Bruno Ilhas Maurícias Prata Benbaziz Reda Argélia Bronze Wacth António Moçambique Bronze Sonjilla Ayanbonga África do Sul
60 quilos Medalha Nome País Ouro Mejri Ahmed Tunísia Prata Mmoloki Nogeng Botswana Bronze Colin Jean Richard Ilhas Maurícias Bronze Mewoli Abdon Camarões
64 quilos Medalha Nome País Ouro Richarno Louis Collin Ilhas Maurícias Prata Houya Abderazak Tunísia Bronze Gaasite Gomotsang Botswana Bronze Thulani Mbenge África do Sul
69 quilos Medalha Nome País Ouro Mulema Joseph Camarões Prata Ademuyiwa Khende Nigéria Bronze Okwiri Rayton Quénia Bronze Siphini Luzizi África do Sul
75 quilos Medalha Nome País Ouro St Pierre Kennedy Ilhas Maurícias Prata Kaddous Saad Argélia Bronze Nguea Nguilla Camarões Bronze Akanji Muideen Nigéria
81 quilos Medalha Nome País Ouro Benchebla Abdelhafid Argélia Prata Lawal Lukman Nigéria Bronze Donfack Adjoufou Camarões Bronze Akankolim David Gana
91 quilos Medalha Nome País Ouro Chouabi Bouloudinet Argélia Prata Apochi Efetobor Nigéria Bronze Ngoula Romarik Camarões Bronze Maxwell Amponsah Gana
+ 91 quilos Medalha Nome País Ouro Rahmani Kamel Argélia Prata Trabelsi Ayemen Tunísia Bronze Mbiya Tshisekedi RDC Bronze Paolo William Schaffer África do Sul
CLASSIFICAÇÃO FINAL POR EQUIPAS
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Ganhar uma medalha de ouro, participar em meetings internacionais, combater contra os melhores atletas do mundo, arrecadar fama e dinheiro com o boxe são sonhos que esta geração de pugilistas – que ficou com duas medalhas de bronze –, não poderá cumprir no futuro e, já se sabe, no presente. Nos Jogos Africanos de Maputo, mais uma vez, ficou nítido que o que separa Moçambique do sucesso desportivo é tudo, menos os atletas...
O combate que colocou o “mágico mauriciano” frente ao argelino BenbazizReda foi espectacular e impróprio para cardíacos. À medida que se consumiam os três minutos do segundo assalto (6-5 para Reda), os planos alternativos entraram em acção – Julie Bruno aproveitou o posicionamento defensivo de Benbaziz e fez-se forte no centro do ringue – fazendo da procura de golpes um espectáculo. O terceiro round terminou empatado (8-8) e o vencedor foi decidido pelos juízes, os quais optaram pelo mauriciano.
Quando tudo parecia correr da pior forma para os argelinos, Benchebla Abdelhafid concedeu ao nigeriano Lawal Lukman a segunda derrota destes, depois de o camaronês Joseph Mulema ter relegado para o segundo lugar mais alto do pódio Kehnde Ademuyiwa, nos 64 quilos. A vitória de Benchebla foi clara (18-8). Aliás, foi com essa diferença de 10 pontos que o argelino se sagrou, nestes jogos, o rei dos 81 quilos.
Na última batalha, Rahmani Kamel, da Argélia, venceu por 15-7 o tunisino Ayemen Trabelsi, na categoria de +91 quilos.










