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Oposição da Venezuela faz grande protesto contra Maduro; dois estudantes morrem
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Destaques - Internacional
Escrito por Agências  em 20 Abril 2017
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As forças de segurança da Venezuela dispararam gás lacrimogéneo contra manifestantes que realizavam o que classificaram como a "mãe de todas as passeatas" contra o presidente Nicolás Maduro nesta quarta-feira, e dois estudantes foram mortos.

Apoiantes da oposição protestaram em Caracas e outras cidades, criticando Maduro por arruinar a democracia e mergulhar a economia no caos. As multidões chegaram às centenas de milhares, incluindo apoiantes de Maduro que realizaram uma contra manifestação na capital incentivados pelo presidente.

As passeatas opostas renderam comparações com os confrontos entre manifestantes pró e anti-Governo de 2002 que desencadearam um breve golpe de Estado contra o falecido líder Hugo Chávez.

Um estudante de 18 anos, Carlos Moreno, morreu ao ser envolvido por acidente num confronto. Ele estava ir jogar futebol em Caracas e não planeava participar do protesto quando defensores do Governo aproximaram-se de uma aglomeração de opositores e abriram fogo, de acordo com testemunhas e um familiar. Moreno foi baleado na cabeça, disseram.

Outra estudante, Paola Ramírez, de 24 anos, morreu por um disparo de supostos apoiantes do Governo durante um protesto na cidade de San Cristóbal, disseram à Reuters familiares e testemunhas.

Brandindo a bandeira da nação e gritando "Chega de ditadura" e "Saia, Maduro", manifestantes interditaram um trecho da principal rodovia de Caracas. Soldados usaram gás lacrimogéneo nos bairros da capital e na cidade fronteiriça de San Cristóbal.

"Temos que protestar porque este país está a morrer de fome", disse Alexis Mendoza, administrador de 53 anos que marchava no bairro El Paraiso de Caracas. "Há muitas pessoas da oposição e elas estão cheias de coragem".

A manifestação se seguiu a uma quinzena de protestos violentos nos quais cinco pessoas foram mortas, motivados por uma decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) de Março por meio da qual a corte assumiu os poderes do Congresso de maioria opositora – e que a revogou rapidamente devido à pressão internacional.

Mas a medida alimentou uma revolta já antiga com a maneira como o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) administra a economia.

O país exportador de petróleo sofre com uma escassez de alimentos e de bens de consumo de estilo soviético e com uma inflação de três dígitos. A oposição está exigindo um cronograma para as eleições estaduais adiadas, o fim da repressão aos protestos e respeito pela autonomia da legislatura dominada pelos opositores.

Maduro afirma que os protestos recentes foram pouco mais do que esforços da oposição para fomentar a violência e derrubar seu governo. Analistas dizem que a probabilidade de um golpe contra Maduro é menor porque Chávez realizou um grande expurgo nas Forças Armadas após sua breve deposição.

Os manifestantes reuniram-se em mais de uma dúzia de locais no entorno de Caracas e esperavam convergir até a ouvidoria estatal. Iniciativas anteriores de realizar a marcha foram impedidas pela Guarda Nacional.

Em muitos casos os protestos terminaram com jovens atirando pedras contra as forças de segurança em confrontos que se arrastaram noite adentro. Outra medida recente que provocou revolta foi a decisão da controladoria nacional de impedir o líder opositor e duas vezes candidato presidencial Henrique Capriles de ocupar cargos electivos por 15 anos, o que acabou com sua esperança de chegar à Presidência.

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