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É preciso investigar as causas de os deputados adormecerem na Assembleia da República
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Destaques - Economia
Escrito por www.fimdesemana.co.mz  em 11 Outubro 2017
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Foto de Fim de SemanaA investigação é a principal ferramenta para a produção do conhecimento e da cultura no mundo actual e em Moçambique, em particular. Trata-se de um aspecto incontornável para a produção do saber, do conhecimento em várias áreas, sendo que, no contexto moçambicano, os docentes, estudantes e cidadãos, no geral, têm ainda um grande trabalho por realizar neste âmbito.

Esta foi a síntese da apresentação, efectuada pela docente da Universidade Pedagógica, Sarita Monjane-Henriksen, num colóquio, promovido, recentemente, em Maputo, pela Biblioteca Central da Universidade Politécnica, sob o tema “Investigação, conhecimento e produção cultural no espaço de língua portuguesa”.

Na sua dissertação a oradora levantou questões como: “Investigar o quê, porquê e como?". A docente universitária referiu-se a vários tipos de investigação e aos riscos que se apresentam no processo de elaboração de projectos de pesquisa.

No seu dizer, “ao realizar um projecto de investigação é necessário ter-se em conta as questões de viabilidade, custo e prazo”. Acrescentando, afirmou que se debruçou igualmente sobre a relevância temática, científica e social, incluindo os ingredientes principais para a produção de um bom projecto de investigação.

Revelou, na ocasião, um conjunto de temas que podem ser discutidos, no País, no âmbito da investigação, dando como exemplo, a importância que há em estudar-se os motivos pelos quais na Assembleia da República de Moçambique alguns deputados adormecem.

Na verdade, o que a docente sugere que se estude, do ponto de vista da Política Linguística, é questão da língua utilizada para a comunicação entre todos os participantes? Até que ponto o português é língua comum para a maior parte dos moçambicanos?”, questionou.

Um outro orador do colóquio, Moisés de Lemos Martins, da Universidade do Minho, em Portugal, incidiu a sua apresentação sobre “O repositório do acesso aberto ao conhecimento científico, cultural e artístico”. Explicou que a globalização não é apenas a colonização em espírito, pois é também uma realidade pura e ambígua e tem a ver com a intervenção dos mercados ao nível mundial.

“As tecnologias de informação trazem melhor controlo tecnológico sobre os indivíduos, mas também permitem que estes se constituam como comunidade”, argumentou, sublinhando que as tecnologias alargam o espaço do controlo.

A mobilização tecnológica para o mercado global, conforme indicou, faz com que todas as coisas tenham valor económico, incluindo as pessoas, almas e espíritos: “Tudo hoje é avaliado em termos económicos e financeiros, isto resulta em indivíduos móveis, flexíveis e mobilizáveis para os interesses do mercado”, frisou o académico luso.

Num outro desenvolvimento, disse que “a todos os níveis, o que quer que façamos socialmente requer que sejamos competitivos. Para se ser competitivo é preciso adoptar a lógica da produção, que não somos nós que a definimos”.

Para Moisés de Lemos Martins, a disseminação de informação e conhecimento, através de portais, sites, blogs e redes sociais é importante, devido ao proactivismo na rede e permite o desenvolvimento da cidadania, do sentido crítico e democrático das sociedades, o que consequentemente concorre para o desenvolvimento humano.

Ainda neste colóquio, o escritor moçambicano Crimildo Bahule dissertou sobre "Como produzir cultura e fazer música em língua portuguesa num espaço em que a maioria é de língua bantu".

Levantou questões pertinentes para se debater e afirmou que: “Se temos um músico que produz música em língua portuguesa, automaticamente, num cenário como o nosso, está a cantar para poucas pessoas. Produzir cultura, concretamente a música, em espaço de língua portuguesa é como andar na areia movediça, porque a maior parte das pessoas, em Moçambique, não vai perceber a mensagem. Talvez esse dilema não se coloque nos casos do Brasil e Portugal, mas em Moçambique a língua portuguesa é usada apenas nas editoras, mas, quando falamos de percepção, a maioria da população não está identificada com a língua portuguesa, pois a base etnolinguística ainda é muito forte para questões identitárias no País”, defendeu Crimildo Bahule.

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