Será que o frango nacional foi ver carnaval no Brasil?
Escrito por Redação  em 10 Março 2011
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Há pouco mais de três anos, a Associação Moçambicana de Avicultores (AMA) multiplicou-se em diversas e sucessivas iniciativas na tentativa de persuadir os consumidores moçambicanos a optarem pelo frango nacional em detrimento do congelado oriundo do Brasil, à mercê da campanha “Consuma moçambicano, exporte moçambicano”. A AMA lançou anúncios publicitários nos meios de comunicação social do país, nos quais aparecia a galinha nacional (rechonchuda) empurrando a brasileira (pálida e magra). “Afasta-te magricela, você só tem costela”, sentenciava a galinha dos anúncios. O frango nacional tanto empurrou o brasileiro até ao ponto deste escassear-se no mercado.

Até porque o frango da terra do samba custa(va) entre 75 e 90 meticais o quilo, menos 50 que o nacional. Hoje, volvido algum tempo, o frango no mercado nacional começa a ser luxo para a maioria dos moçambicanos, pois está a ser comercializado entre 180 a 200 meticais o quilo. “Onde anda o frango nacional?”.

Esta pergunta foi lançada na página do facebook do jornal @Verdade. As reacções não demoraram a chegar. “Em Moçambique só se fala muito e há pouco trabalho, além de não se dar valor ao consumidor. Se o [frango] nacional não tem qualidade e não há no mercado ou é caro, claro que vou optar pelo de fora. Agora, a música é afasta gorducha, você tem excesso de gordura”, comenta João Ferreira.

Um dos comentadores acredita é o resultado do capitalismo na sua forma tradicional: para reinar, basta eliminar a concorrência. “A magricela acabou morrendo de fome, servindo para alimentar o gorducha que agora é a rainha (é o capitalismo na sua forma tradicional). Basta eliminar a concorrência para reinar”, diz Chicovete Magagube e faz ainda um paralelo com a extinção da companhia aérea Air Corridor. “Viajar de avião hoje, ficou caro”.

António Urbano afirma que também no Djibuti há escassez de frango. “Não há frango inteiro. Daí resulta que fica mais cara a carne de frango. A justificação que aqui circula; é que isto é resultado das revoluções nos países árabes”. Kátia Reis acredita que esta situação é, mais uma vez, resultado das políticas desajustadas. “A protecção aos produtores nacionais só deveria ter sido imposta quando houvesse capacidade instalada para servir o mercado. O resultado paga o consumidor! Como sempre!”.

Marcos Freire diz “é sempre a mesma coisa. Em vez de competir abertamente pelo preço e qualidade, luta-se por entraves legais. Quando estes aparecem as coisas ficam feias, pois todas as ineficiências são então promovidas e os preços aumentam”. Mas há quem ironiza. “Pois é! Parece que a galinha nacional foi ‘curtir’ o carnaval no Brasil, país donde vinha a magricela”, diz Hermenegildo Franklin. “O Hermenegildo está coberto de razão. Eu vi ainda hoje pela televisão o Ronaldinho Gaúcho a distribuir carne de frango durante o carnaval do Rio e só pela gordura deu para perceber que é frango nacional”, ironiza também Haira Zate.

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