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44 anos de independência de Moçambique continuam a ser celebrados como festividade do partido Frelimo
Escrito por Adérito Caldeira  em 25 Junho 2019
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Foto da Presidência da RepúblicaPelo 44º ano consecutivo a celebração da independência em Moçambique confundiu-se com uma festividade do partido Frelimo tendo os partidos de oposição voltado a estar ausentes das cerimónias centrais que decorreram nesta terça-feira (25) em Maputo. Apesar da independência ser “inquestionável”, como afirmou o Presidente Filipe Nyusi, não é verdade que “A subida da nossa bandeira nacional em 25 de Junho de 1975 significou (...) a conquista da Liberdade e dos Direitos fundamentais que sempre haviam sido negados ao nosso povo”.

Os presidentes do partido Renamo e MDM assim como os seus mais altos membros não estiveram presentes em mais uma cerimónia de independência realizada numa praça onde parece só existir lugar para o repouso de heróis do partido no poder. Aliás passadas mais de 4 décadas parecem não existir cidadãos, moçambicanos ou não, que não sejam membros ou simpatizantes do partido Frelimo dignos de reconhecimento nacional e que possam ser homenageados através das condecorações que este ano serão pelo menos 300.

“(...) Neste dia de festa reconciliamo-nos com a nossa história colectiva homenageando os nosso heróis conhecidos e anónimos. Reconciliamo-nos com a história recente homenageando homens e mulheres que conduziram o nosso país a liberdade moçambicana, e de moçambicanos e moçambicanas que estão a contribuir para consolidação do nosso Estado de Direito democrático, que estão a dar o seu máximo para o desenvolvimento inclusivo de Moçambique” declarou o Chefe de Estado.

Sendo correcta a afirmação do Presidente Nyusi, “A nossa independência, duramente conquistada, é hoje inquestionável”, já não corresponderam a verdade as suas palavras seguintes: “A subida da nossa bandeira nacional em 25 de Junho de 1975 significou o nascer de uma nacionalidade, significou igualmente a conquista da Liberdade e dos Direitos fundamentais que sempre haviam sido negados ao nosso povo”.

Até ao início da Democracia, em 1992, a Liberdade e os Direitos fundamentais de uma grande parte dos moçambicanos esteve coartada e ainda hoje muitos não conseguem usufruir da independência a menos que sejam membros activos do partido Frelimo.

Aliás as questões que continuam a adiar a paz efectiva em Moçambique, seja pelo partido Renamo ou pelos insurgentes na Província de Cabo Delgado, estão relacionadas com a violação dos Direitos Fundamentais à universalidade e igualdade, à unidade nacional e mesmo à vida.

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