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Prima da ex-empregada de Setina Titosse admite que recebeu dinheiro do FDA ilicitamente
Escrito por Emildo Sambo  em 21 Setembro 2017
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A prima da ex-empregada doméstica de Setina Titosse admitiu, na terça-feira (19), em sede do tribunal, o seu envolvimento no megaroubo de 170 milhões de meticais no Fundo de Desenvolvimento Agrário (FDA) e revelou que, para além de nunca ter submetido projecto algum a pedir financiamento, bastou apenas reunir uma cópia do bilhete de identidade, NUIT, recibo do Imposto Pessoal Autárquico (IPA) e declaração do bairro para ser desembolsado, a seu favor, 4.787.426 meticais.

Setina Titosse era Presidente do Conselho de Administração (PCA) do FDA e é acusada – no processo-crime número 92/2016 – de cometimento de pelo menos 80 crimes, tais como abuso de cargo ou confiança, branqueamento de capitais, associação para delinquir e pagamento de remunerações indevidas.

A sua co-réu Laureta Filmone, de 53 anos de idade, é negociante e pesa sobre si o recebimento ilícito do montante acima mencionado.

Segundo as suas declarações, foi contactada, telefonicamente, pela prima, Leopoldina Bambo, ex-empregada doméstica da ré Setina Titosse, informando-a que naquela instituição do Estado concedia-se crédito a cidadãos interessados na criação de animais e prática da agricultura.

Contudo, a arguida nunca submeteu projecto algum para efeitos de financiamento e a sua deslocação ao FDA foi por orientação da prima. Esta já tinha coordenado todo o processo com Brasilino Salvador, chefe do Departamento Agro-pecuário.

Chegado àquelas instalações – que tinham como timoneira a arguida Setina Titosse – à Laureta Filmone foi solicitada uma cópia do bilhete de identidade, NUIT, senha do Imposto Pessoal Autárquico (IPA), declaração do bairro e aconselhada a aguardar pelos procedimentos posteriores.

Para além de tais documentos serem insuficientes para suportar um programa que devia ser financiando com fundos do Estado, Laureta Filmone nunca antes tinha lidado com gado ou desenvolvido alguma actividade agrícola.

Volvido algum tempo, a ré foi contactada, por intermédio de telefone, por um fulano, para se dirigir às Finanças, onde assinou o contrato de desembolso do crédito. Ela frisou que não lhe foi dada oportunidade para dizer o montante que precisava e nem houve verificação se tinha ou não condições para executar o suposto projecto.

Deste modo, os 4.787.426 meticais não foram aplicados na criação de gado e nem na produção agrícola, mas sim, transferido para diferentes contas bancárias fornecidas pela sua prima Leopoldina Bambo. Os destinatários eram alegadamente fornecedores de animais e outros insumos inerentes ao pretenso programa.

“Transferi 1.500.000 meticais para Gerson Manganhe”, disse Laureta e clarificou que igual montante foi movimentado através de três cheques avulsos no valor de 500 mil meticais cada. Antes desta operação, a indiciada transferiu 1.300.000 meticais para um indivíduo identificado pelo nome de Patrício.

Num outro desenvolvimento, ela disse ainda que aplicou o remanescente 239 mil meticais no seu negócio de frango e venda carvão vegetal, após coordenar com Leopoldina e comprometeu-se a repor o valor para mais tarde.

A sua prima quando fosse questionada sobre a demora na implementação do programa agro-pecuário alegava que era preciso esperar até ao fim da estiagem.

Refira-se que aquando da sua audiência, na segunda-feira (18), Leopoldina declarou: “estou sem chão e tenho que assumir: todo o trabalho feito pela Laureta passou pelas minhas mãos” e os fundos movimentados foram entregues à Milda Cossa, para compra de gado.

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