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Cada vez mais moçambicanos vêem as eleições como menos livres e justas, constata o Afrobarómetro
Escrito por Adérito Caldeira  em 23 Maio 2017
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Na antecâmara de mais um ciclo eleitoral no nosso país um estudo da rede de investigação pan-Africana, o Afrobarómetro, constatou que cada vez menos moçambicanos vêem as eleições como livres e justas, “e apenas um em cada três acreditam que os votos são “sempre” contados de forma justa (32%) e que os partidos da oposição "nunca" são impedidos de se candidatarem (33%)”.

As 5ªs Eleições Autárquicas, marcadas para 10 de Outubro de 2018, prometem ser as mais renhidas de que há memória na jovem democracia moçambicana. Além dos partidos Frelimo e MDM, que governam vários municípios, é quase certa a participação do partido do partido Renamo. Todavia um inquérito recentemente publicado pelo Afrobarómetro pinta “um quadro problemático, sugerindo um declínio alarmante da confiança popular nas eleições e na democracia”.

Afrobarómetro

“Um número cada vez menor de moçambicanos têm confiança que as suas eleições nacionais são livres e justas. Embora a confiança tenha aumentado drasticamente entre 2005 e 2008, a proporção de cidadãos que dizem que a sua eleição nacional mais recente foi "completamente livre e justa" ou "livre e justa, mas com pequenos problemas" diminuiu constantemente ao longo da última década, de 68% em 2008 para 52% em 2015”, indica a pesquisa realizada entre Junho e Agosto de 2015.

O estudo apurou ainda que “menos moçambicanos reportam que se sentem livres para votar no candidato da sua escolha. Embora uma maioria (57%) ainda se sinta “completamente livre" e mais 12% se sinta “algo livre," a proporção dos inquiridos que se sentem “nada livres" ou "não muito livres" aumentou de 15% em 2012 para 24% em 2015”.

Os cidadãos moçambicanos também avaliam negativamente a qualidade das eleições. “Apenas um em cada três (32%) dizem que os votos são "sempre" contados de forma justa. Quase metade (48%) dizem que a comunicação social "nunca" ou apenas "algumas vezes" fornece uma cobertura justa de todos os candidatos, e apenas 33% dizem que os partidos da oposição "nunca" são impedidos de concorrer. Um em cada quatro inquiridos dizem que os eleitores são "frequentemente" ou "sempre" subornados (25%) e são frequentemente/sempre ameaçados durante as eleições (25%)”, refere o inquérito que entrevistou 2400 moçambicanos adultos e que tem uma margem de erro de +/-2% e um nível de confiança de 95%.

“Apoio popular à democracia e a satisfação com a sua implementação caíram de forma alarmante”

“As avaliações críticas da qualidade das eleições são também reflectidas no declínio da confiança pública na Comissão Eleitoral Moçambicana, que está encarregada da organização e condução das eleições. Após um forte aumento na confiança entre 2002 e 2005, a proporção de cidadãos que dizem que confiam "alguma coisa" ou "muito" na comissão teve um declínio continuado ao longo de uma década, de 72% em 2005 para 48% em 2015. Entretanto, a proporção que expressa "pouca" ou "nenhuma" confiança duplicou, de 17% para 38%”, pode-se ainda ler no estudo realizado pelo Afrobarómetro em Moçambique, e que efectuou inquéritos similares no nosso país em 2002, 2005, 2008, e 2012.

AfrobarómetroO estudo apurou ainda que “embora dois terços (65%) dos moçambicanos considerem "importante obedecer ao governo no poder, independentemente do sentido de voto,” um número crescente discorda: A proporção de inquiridos que dizem que "não é necessário obedecer às leis de um governo no qual não votaram” duplicou desde 2008, de 12% para 27%”.

A conclusão do Afrobarómetro é que o inquérito sugere “uma deterioração problemática na percepção pública das eleições e da democracia em Moçambique”.

“Cada vez mais cidadãos vêem as eleições como menos livres e justas e duvidam da garantia de representação das opiniões dos votantes nas eleições. O apoio popular à democracia e a satisfação com a sua implementação caíram de forma alarmante. Ainda assim, a maioria vêem o voto como um bom dever dos cidadãos - talvez uma indicação de que apesar dos elevados níveis actuais de insatisfação, os Moçambicanos não desistiram totalmente da democracia”, conclui esta rede de investigação pan-Africana, não-partidária que conduz inquéritos públicos de atitude sobre democracia, governação, condições económicas e assuntos relacionados em África.

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