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Nyusi nomeia “empresária” para ministra dos Recursos Minerais e Energia
Escrito por Adérito Caldeira  em 18 Outubro 2016
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Foto de ArquivoO Presidente Filipe Jacinto Nyusi nomeou, nesta segunda-feira(17), Letícia Klemens para o cargo de ministra dos Recursos Minerais e Energia. A nova titular, de um dos pelouros mais estratégicos para o futuro do nosso País, é uma ilustre desconhecida do aparelho do Estado e das lides partidárias da Frelimo. Licenciada em Ciências Jurídicas, pelo Instituto Superior Politécnico Universitário de Maputo, o maior mérito da substituta do Pedro Couto(exonerado no passado dia 29) é ser sócia de parentes e pessoas próximas aos três anteriores Presidentes de Moçambique e de Alberto Chipande.

Se o antigo Presidente Armando Guebuza hipotecou as futuras receitas que o gás natural existente na bacia do Rovuma deverá gerar daqui há mais de cinco anos – endividando ilegalmente o País - o actual Chefe de Estado está rendido aos interesses empresariais em torno dessa indústria que ainda vai surgir.

A exoneração de Pedro Couto (e acantonamento na Hidroeléctrica de Cahora Bassa) sem nenhum motivo, plausível ou não, indiciou que Nyusi havia sido pressionado na decisão, quiçá pelas empresas norte-americanas com quem o Presidente se avistara dias antes.

Couto é apontado como um funcionário público íntegro, que galgou no aparelho de Estado graças aos seus méritos profissionais, sem “empurrões” partidários e que estaria a analisar minuciosamente demais os processos que culminarão com o início da exploração do gás no Norte de Moçambique.

A escolha da sua sucessora deixa evidente que Filipe Nyusi foi “sensibilizado” pelos lobbys empresariais do partido Frelimo que estão ávidos por obter mais ganhos pessoais e pouco se importam com o desenvolvimento sustentável de Moçambique.

Letícia Deusina da Silva Klemens tem 44 anos de idade, além da licenciatura em Ciências Jurídicas não tem nenhuma outra formação académica relevante. Até a data da sua nomeação desempenhava as funções de presidente da mesa da assembleia geral do maior banco e Moçambique, o Millennium BIM, e também da desconhecida associação das mulheres empresárias e empreendedoras moçambicanas.

Mais relevantes são os parceiros comerciais da nova titular dos Recursos Minerais e Energia. Em 2010 associou-se a um sobrinho do antigo Chefe de Estado Armando Guebuza, Miguel Nhaca Guebuza, e ao marido de uma das filhas de Guebuza, Tendai Mavhunga, na empresa Beta Holding - Business And Technology Aplications, Limitada.

No ano seguinte Letícia Klemens, que é divorciada, associou-se com o filho primogénito do falecido Presidente Samora Machel, Samora Moisés Machel Júnior, e ainda com o filho de Alberto Chipande, Nkutema Namoto Alberto Chipande, na empresa +258 Limitada. Fazem ainda parte da sociedade um sobrinho da esposa de Armando Guebuza, Joaquim Tobias Dai, e um parceiro de negócios da filha do antigo Presidente Joaquim Chissano, Jaime de Jesus Irachande Gouveia que é sócio de Martina Chissano.

Os interesses empresariais do sócios de Letícia Klemens, assim como dos seus familiares e parceiros, estendem-se do gás passando pela indústria extrativa até ao sector de energia.

Mas a nova titular dos Recursos Minerais e Energia não será a única membro do Governo em eventual conflito de interesses, os ministros Carlos Mesquita e Celso Correia também mantêm a sua actividade empresarial paralelamente às responsabilidades de servidores públicos.

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