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Forças governamentais desarmam e encurralam Afonso Dhlakama na cidade da Beira; Presidente Nyusi ignora este incidente que não contribui para a paz em Moçambique
Escrito por Emildo Sambo  em 09 Outubro 2015
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Foto mural de Ivone SoaresMenos de 24 horas após o líder da Renamo ter reaparecido em Gorongosa, província de Sofala, a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) e o Grupo Operativo Especial (GOE), duas forças governamentais opressivas e anti-motins, cercaram a casa de Afonso Dhlakama, por volta das 06h00 de sexta-feira (09), no bairro das Palmeiras, na cidade da Beira, bloquearam todos os acessos, forçaram os vizinhos a abandonarem as suas residências, impediram a circulação de viaturas e neutralizaram os seguranças pessoais de Dhlakama.

Enquanto o presidente do maior partido da oposição em Moçambique, que afirmou nesta quinta-feira não ter medo de morrer e que vai continuar a lutar pela democracia, está como um refém das Forças Governamentais o Presidente de Moçambique e Comandante em Chefe, Filipe Nyusi, reafirmou que o diálogo é o único caminho para a paz, num comício na cidade Pemba.

As duas forças, fortemente armadas e fazendo-se transportar em veículo de combate com revestimento contra projécteis, arremessaram o gás lacrimogéneos contra algumas pessoas, das quais crianças, que se aproximaram do sítio para perceber o que se passava. Alguns elementos da UIR exibiram a sua musculatura sobre os jornalistas que estavam no lugar, pois Afonso Dhlakama tinha agendado um conferência de imprensa para as 09h00 de sexta-feira. Francismo Raiva, jornalista do canal privado STV, e o seu operador de câmara foram empurrados por um membro da UIR, o qual obstruiu também a captação de imagens com a palma da mão.

"Eu já morri. Não tenho medo de morrer. Tudo o que faço é por este povo pé descalço. Eles querem que o país regrida 40 anos. Que não haja democracia. Mas nós estamos aqui e vamos continuar a lutar”, afirmou o líder do partido Renamo na tarde de quinta-feira (08) na matas de Macucuá, em Gorongosa, onde apresentou-se a jornalistas (mas não aceitou nenhuma perguntas destes) e observadores convidados pelo seu partido para assistir ao seu ressurgimento, volvidas duas semanas depois de ter desaparecido a 25 de Setembro último, data em que a comitiva de que fazia parte foi emboscada em Gondola, em Manica.

O cerco da habitação do auto-proclamado “pai da democracia” deve-se alegadamente ao facto de durante o seu reaparecimento, as Forças de Defesa de Segurança terem verificado que os seus guardas dispunham de equipamentos cujo calibre “ultrapassa os níveis de segurança de uma individualidade” e pretendiam aferir a origem dos instrumentos bélicos, segundo a rádio e televisão estatais (RM e TVM).

Lourenço do Rosário e Dom Denis Sengulane, parte dos mediadores do diferendo que opõe a Renamo do Governo, já estavam de regresso a Maputo mas interromperam a viagem devido à invasão e dirigiram-se ao domicílio de Dhlakama, onde mantiveram um encontro com ele durante horas a fio, com a UIR e GOE do lado de fora impedindo a aproximação de qualquer pessoa do perímetro da casa cercada.

Enquanto os homens da Renamo eram mantidos dentro de uma viatura blindada da Polícia, bem vigiada e que continuava no sítio do "assalto", António Muchanga e Manuel Bissopo, porta-voz e secretário-geral desta formação política, os jornalistas, Ivone Soares, chefe da bancada parlamentar da Renamo, foram obrigados a permanecer fora e distante do domicílio onde os mediadores e Dhlakama conversavam.

Alice Mabote, que também fez parte do grupo que buscou o presidente da “Perdiz” nas matas de Macucuá, questionou os mecanismos a que Presidente da República, Filipe Nyusi, na qualidade de Comandante em Chefe das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, recorre para materializar o desejo da propalada paz, ao admitir que situações como aquelas acontecessem a peça considerada chave para o fim a tensão político-militar que tem empurrado o país para a cisão.

“(...) Que mecanismos o chefe de Estado usa para que o país ande. O que é que se está a passar?”, perguntou a presidente da Liga do Direitos Humanos. Por sua vez, Ivone Soares considerou que o que aconteceu é um atentado à democracia e “terrorismo por parte do Estado”, que na sua opinião deve encontrar uma plataforma funcional de diálogo.

Não foi possível apurar quantos elementos da guarda pessoal de Dhlakama foram desarmados e detidos. É desconhecido o número de homens armados que o maior partido da oposição mantém assim como a sua localização mas há registo da sua presença um pouco por todo país.

Oficialmente nenhuma entidade do Governo reagiu a esta acção da Unidade de Intervenção Rápida e do Grupo Operativo Especial. Contactado pela agência Lusa, o Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique em Sofala disse ser "inoportuno" pronunciar-se sobre os acontecimentos.

Entretanto o Presidente Nyusi, ignorando completamente estes acontecimentos que não contribuem para a paz, faz o papel de anfitrião do seu homólogo da Tanzania, Jakaya Kikwete, que desde esta quinta-feira visita Moçambique.

Comentários   

 
0 #1 Francisco Joaquim 09-10-2015 16:16
Nao espero o pior depois disto.
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+1 #2 Macananane 09-10-2015 16:18
o que esperar de um governo terrorista.nao têm
vergonha de lançar gas lacrimogenio pra crianças' QUE VERGONHA DESSES PERDEDORES DA FRELIMO
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-1 #3 panquene 09-10-2015 23:48
Sinto muito pelo sucedido, o que se verificou no dia 09 me parece mais um atentado a democracia. eh necessário afirmou com inteligência e não com estupidez e procurar dar motivo para matar alguém. A crédito eu que se os seguranças do líder da Renato reagissem seria a morte certa do líder e a não reação foi uma inteligência implacável.
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0 #4 Alice da Sheila 12-10-2015 06:46
Foi com profunda mágoa e raiva quando recebemos a informação directa que o governo e Frelimo cercaram a casa do senhor Dhlakama a fim de eliminar. Nós povo nosso coração doeu tanto graças a paciencia e a bondade de Dhlakama para o povo Moçambicano ele ligou para toda estrutura da Renamo para o povo se acalmar. E foi onde percebemos que afinal das contas aqueles bandidos que queriam lhe eliminar é o governo e Frelimo por esta razão não queremos ser governados com bandiddos.Por isso até agora em Moçambique ainda tem pessoas que não tem chinelo, não tem onde dormir, não tem oque comer, pão subio isso tudo é atravez desta camada governamental dirigida pelos bandidos. Não queremos mais bandidos chega. Agora confiamos e plantamos esperança com toda fé em Dhlakama.
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