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Há falta de gestores competentes em Moçambique?
Escrito por Adérito Caldeira  em 20 Agosto 2015
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Passados 40 anos da independência tudo leva a crer que ainda há falta de gestores competentes em Moçambique. Essa deve ser a razão para a nomeação de dois antigos executivos da estatal de electricidade, com provas dadas de incompetência, para fazerem parte da Unidade Técnica de Implementação de Projectos Hidroeléctricos(UTIP). Também deve ser por falta de quadros que o Presidente Filipe Nyusi abdicou de mais um vice-ministro, em apenas 7 meses, e colocou-o na direcção do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades(INGC).

No término da 28ª sessão do Conselho de Ministros, Pedro Couto, o ministro dos Recursos Minerais e Energia, anunciou a reactivação da Unidade Técnica de Implementação de Projectos Hidroeléctricos, para acelerar a concretização de projectos de investimento na área de geração e transporte de energia eléctrica no país.

Segundo o ministro, entre os projectos que o Governo considera de vital importância estão as construções da linha de transporte de energia eléctrica Tete/Maputo, a chamada ?espinha dorsal centro - sul?, da barragem de Mpanda Nkua e da central norte da Hidroelétrica de Cahora Bassa.

Com tantos e bons engenheiros formados nos pós-independência não se percebe a indicação pelo Governo do actual, e do antigo, Presidente do Conselho de Administração da Electricidade de Moçambique (EDM), Gildo Sibumbe e Augusto Fernando, respectivamente, para esta instituição que vai liderar a implementação dos projectos que deverão garantir energia eléctrica para os moçambicanos nas próximas décadas.

Em 2013, durante o mandato de Augusto de Sousa Fernando na EDM, “Moçambique foi o país da região(austral de África) que registou mais casos graves de distúrbios no fornecimento de corrente eléctrica”, pode ler-se num estudo do Centro de Integridade Pública.

Desde 2014 até a data a qualidade da energia fornecida pela estatal de electricidade tem diminuído significativamente. Em Janeiro de 2015, devido a força das cheias, apenas dez torres de alta tensão caíram em Mocuba. Até ao momento da sua reafectação Gildo Sibumbe foi incapaz de garantir a reposição deste pequeno troço de transporte de energia que deixou o centro e norte de Moçambique às escuras durante cerca de um mês.

Mais um vice-ministro reafectado

Ainda na sessão do Conselho de Ministros realizada nesta terça-feira(18), em Maputo, foi exonerado João Ribeiro do cargo de director geral do Instituto de Gestão de Calamidades e nomeado João Machatine, para o seu lugar.

Machatine é o segundo governante a deixar o Executivo de Filipe Nyusi, onde ocupava o cargo de vice-ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos desde meados de Janeiro de 2015. Na semana passada o vice-ministro da Indústria e Comércio, Omar Mithá, foi exonerado e “promovido” a Presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos de Moçambique (ENH, E.P.).

No curriculum de João Osvaldo Moisés Machatine não consta grande experiência relacionada com gestão e nem mesmo know-how relacionado com calamidades naturais ou mesmo mudanças climáticas, que estudos apontam como a razão dos fenómenos extremos que o nosso planeta tem vivido cada mais. O antigo governante foi docente universitário, trabalhou como Administrador para área de Relações Institucionais no grupo privado Insitec, associado ao antigo Presidente Armando Guebuza e liderado na altura por Celso Correia(agora ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural). Durante a campanha eleitoral contribuiu activamente para a eleição do Presidente Nyusi.

Quem tem razão é mesmo o presidente do partido Renamo, Afonso Dhlakama, quando afirma que “hoje em dia todos os projectos económicos estão a ser geridos por meia dúzia da Frelimo, deixando o povo sem nada.”

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