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Autárquicas 2013: Prováveis causas da derrota de Siueia
Escrito por Rui Lamarques  em 05 Dezembro 2013
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O que tornou possível a vitória do MDM em Nampula sem recurso à mobilização de jovens para “fiscalizar” o voto junto aos postos de votação? Aliás, como foi possível alcançar uma vitória sem derramar uma gota de sangue e sem que a FIR manchasse o processo? As questões que podem ser levantadas em torno do processo são várias e encerram uma série de outras. Que papel, por exemplo, a abstenção desempenhou na vitória do candidato do MDM? Até que ponto a questão tribal terá influído na abstenção e até na escolha do candidato de um partido da oposição? Se é certo que a questão tribal carece de maior análise e até de prudência para interpretar os resultados, é igualmente certo que houve trabalho de bastidores para impedir que um “estrangeiro” ocupasse a cadeira deixada vaga por Namuaca. Uma mensagem que circulou como um vírus pela cidade de Nampula é disso um exemplo paradigmático: “Não podemos deixar o município para alguém que não conhecemos e nem é daqui”.

 

Uma outra mensagem que foi partilhada pelos munícipes fazia questão de lembrar que Siueia estragou tudo em que tocou e tinha fama de mau gestor. Foi tido e achado como responsável pela falência da Texmoc e como administrador de Malema foi protagonista de uma gestão danosa. A sua relação com a edilidade, como vereador para a área de mercados e feiras, foi desastrosa.

Siueia era o rosto de uma medida extremamente impopular, designadamente a expulsão de vendedores informais das vias da urbe. Na verdade, a sua folha de serviços no que diz respeito à má gestão era exemplar. Contudo, não foi só isso tornou a derrota de Absalão Siueia possível. Os vendedores informais não fizeram negócio no dia 1 de Dezembro, mas também não foram votar. Há, contudo, quem comente que a derrota da Frelimo só não foi maior por causa da ausência de um sector do eleitorado extremamente importante para garantir vitórias esmagadoras.

O apoio prestado pelos responsáveis da Beira e Quelimane foi determinante. Se, por um lado, as equipas de Daviz Simango (com várias eleições nas costas) e de Manuel de Araújo (com duas em menos de três anos) foram determinantes para recolher os editais e evitar qualquer manobra que visasse substituir os mesmos por outros que escamoteassem a vontade dos eleitores expressa nas urnas, por outro, Amurane não tinha capacidade logística capaz de garantir a fiscalização e, ao mesmo, tempo recolher os editais na hora da verdade.

Importa fazer uma menção especial aos agentes da lei e ordem, cuja apatia coadjuvada pela impopularidade de Siueia (estrangeiro no contexto autárquico) e candidato imposto contra a vontade dos nativos não permitiu que uma “reviravolta” milagrosa da madrugada fosse possível. É preciso lembrar que há suspeitas de que a facilidade com que os delegados se deixaram surpreender com boletins de voto tinha como objectivo garantir uma luta justa nas urnas ou desacreditar completamente um resultado que desse como vencedor um candidato que os nativos não queriam. O papel dos observadores foi fulcral, algo que não teria acontecido no dia 20.

Uma dúvida paira no ar: É possível ganhar eleições sem o apoio dos jovens ou o caso de Nampula é extraordinário por causa das clivagens internas no próprio partido? Penso que é possível e Nampula provou isso. Não houve um tiro porque a ausência de jovens não deu o motivo necessário para os agentes premissem o gatilho. A ausência de cidadãos nas redondezas dos locais de votação aliada à vingança dos nativos e à forte presença de observadores e uma estrutura forte do MDM ofereceram, numa bandeja, um município que Frelimo não devia e nem queria perder.

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