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Autárquicas 2013: “A ambição do homem é ver as suas ideias concretizadas” Jorge Tinga, Edil da Namaacha
Escrito por Rui Lamarques  em 09 Maio 2013
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Jorge Tinga afirma que o seu manifesto foi cumprido na ordem dos 92 porcento, mas não assume abertamente o desejo de continuar à frente dos destinos do município da Vila de Namaacha. Em conversa com @Verdade, remete a decisão ao partido. Contudo, revela que “a ambição do homem é ver as suas ideias concretizadas”. Quando chegou ao cargo a edilidade não tinha sede própria e as ruas andavam sujas. Venceu o lixo, mas não foi capaz de impulsionar a actividade económica.

(@Verdade) - Qual é o balanço que faz do seu mandato?

(Jorge Tinga) – O balanço que faço é positivo, na medida em que até ao momento, passados quatro anos e três meses, realizámos o nosso manifesto eleitoral em 93 porcento. Em termos práticos temos a nossa vila limpa, com a maior parte das rodovias reparadas. A circulação de viaturas já não é um problema como antigamente. Falando concretamente da reparação das vias de acesso, o município fez 11900 metros de terraplanagem com saibro. Colocámos pavet numa estrada com uma extensão de 1500 metros.

No que diz respeito ao abastecimento de água, a situação não é a que gostaríamos de ter. Contudo, está bem melhor do que a de 2008. Nessa altura era frequente encontrar mulheres e crianças com bidões e baldes nas cabeças à procura de água. Isso deixou de acontecer porque o sistema de abastecimento melhorou. Nós fornecemos água às residências dos munícipes de uma forma alternada. Das 6 às 19 uma zona e no dia seguinte, nas mesmas horas, outro espaço da urbe beneficia do abastecimento de água.

Os bairros que não estão ligados à rede beneficiaram da abertura de furos nos quais montámos bombas manuais. Com o apoio da Electricidade de Moçambique a situação da corrente eléctrica melhorou bastante. Houve substituição de transformadores para outros de maior potência. Também montámos quatro em bairros que não tinham. Estou a falar de 25 de Junho, Matianine B e A. Isso permitiu que houvesse mais ligações à rede de corrente eléctrica.

(@V) - No que diz respeito às infra-estruturas o que aconteceu?

(JT) - Terminámos a construção da terminal de passageiros. Isso permitiu uma maior organização da Vila, uma vez que os veículos de transporte de passageiros deixaram de parar em qualquer lugar. Também construímos uma morgue. Reabilitámos o mercado central e colocámos uma cobertura. Delembrar que antes os vendedores não tinham condições para trabalhar.

Nestas instalações na qual trabalhamos actualmente tínhamos de pagar renda. Não eram nossas, mas acabámos por comprar. Contudo, para além de adquirir este recinto construímos um outro edifício de raiz que dignifica o município e onde irão funcionar os dois órgãos: o Conselho e a Assembleia Municipal.

Também estamos a construira futura residência do presidente do Conselho Municipal. Isso acontece porque o nosso município começou do zero. Ou seja, sem infra-estruturas. Construímos sete salas de aulas. Essas salas permitiram que elevássemos uma escola do primeiro para o segundo grau. Isso fez com que reduzisse a distância que as crianças percorriam até aos estabelecimentos de ensino.

(@V) - Qual é a relação entre a abertura da fronteira de Goba e a subida dos preços de bens de primeira necessidade?

(JT) - De facto o nosso comércio não cresceu, sobretudo no que diz respeito aos bens de consumo. Há dois factores para explicar o fenómeno. A redução de movimento na fronteira é um deles o que inibe a abertura de novas lojas. Ou seja, há quem chega e quer abrir um negócio, mas quando percebe que os munícipes fazem cálculos sobre o melhor local para compraracabam por optar por ir ao país vizinho.

Endereçámos uma carta à direcção da Shoprite para construção de uma unidade na Vila, para o efeito temos uma área para albergar infra-estruturas para comércio e serviços, mas não tivemos uma resposta positiva. Do estudo de viabilidade feito por eles disseram-nos que era mais rentável investir em Boane. Foi o que fizeram. Isso cria constrangimentos aos munícipes, uma vez que alguns produtos têm de vir de Maputo.

(@V) – Existe um outro plano para impulsionar a actividade comercial na autarquia?

(JT) – O que temos dito aos munícipes é que se devem dedicar à produção agrícola, sobretudo no que diz respeito aos produtos que têm grandes hipóteses de vingar neste solo. Namaacha é uma zona com características próprias para a produção de certas fruteiras como morango, abacate e ananás. Felizmente, temos uma fábrica pequena de processamento de fruta de uma associação que produz sumo, através da manga, da laranja e do ananás. O município continua aberto aos investidores que queiram investir na área comercial. Temos um espaço reservado à entrada da Vila.

(@V) – Os dados indicam que apenas cinco porcento da população da Namaacha está numa situação de insegurança alimentar. A fome não é um problema neste município apesar da residual actividade comercial?

(JT) – Para quem cultiva a terra não há problemas de comida. Há quintais cujos proprietários produzem hortícolas. O Conselho Municipal tomou a iniciativa de distribuir sementes aos munícipes que queiram produzir. Com um parceiro vamos construir uma represa para reter água e apoiar uma associação de produtores.

(@V) - Qual é a fonte de receitas de município?

(JT) - As nossas receitas vêm das taxas de uso de solo urbano, taxas pela utilização de mercados, taxa que pagam os transportadores ( 25 meticais) e o imposto sobre veículos, embora a frota de viaturas seja insignificante. A que devia ser a maior contribuição seria a taxa pelo exercício de actividades económicas, mas assim não é porque a actividade comercial é fraca.

(@V) - As receitas cobrem o os gastos inerentes ao plano de actividades do Conselho Municipal?

(JT) - Este ano temos um orçamento, o qual foi elaborado no ano passado prevendo algum crescimento da receita na ordem dos 10 porcento. Ou seja, planificámos de acordo com os limites prováveis...

(@V) - ... Mas a receita consegue cobrir a execução dos planos?

(JT) – Contamos com apoio de parceiros. Construímos o edifício do Conselho Municipal com o apoio do Governo espanhol. Os nossos parceiros têm contribuído para a realização das nossas actividades.

(@V) - O Município de Maputo cobra a taxa de lixo. Na Namaacha acontece o mesmo?

(JT) - Temos de cobrar. No entanto, o processo é bastante complexo porque temos duas formas de gestão do lixo. A primeira circunscreve-se ao centro da Vila onde o tractor faz a recolha. A segunda incide sobre os bairros e abrange os munícipes que recorrem aos aterros sanitários construídos por eles mesmos.

Contudo, quando há um foco o tractor passa e recolhe. Portanto, nós estipulamos uma taxa aqui no centro da Vila. Essa taxa é paga de forma deficiente. Não podemos, no nosso entender, recorrer à Electricidade de Moçambique porque penalizaríamos aqueles que não dispõem dos meios municipais. Seria, nessa perspectiva, complicado fazer essa cobrança.

(@V) - Um dos desafios que apontou quando se candidatou foi o ordenamento do território. Venceu esse desafio?

(JT) - Temos estado a abrir ruas. Temos dois bairros: A e B. Quando queremos abrir a rua pedimos aos próprios munícipes para se organizarem e deixarem- nos abrir as vias de acesso. No ano passado, por exemplo, tínhamos de abrir uma rua, mas os munícipes tinham feito machambas. A solução foi pedir que este ano não fizessem o mesmo e assim aconteceu.

(@V) - Vai recandidatar-se?

(JT) - Essa decisão pertence ao partido. O nosso partido tem pautado pela dinâmica. Se o candidato perde popularidade é afastado.

(@V) - Mas com um cumprimento de 92 porcento do manifesto não pode falar, de forma alguma, de perca de dinâmica.

(JT) - O partido definiu que os candidatos sairão das células e essa é a forma mais justa que poderia existir. O candidato tem de ter a aceitação plena dos membros do partido. No entanto, a ambição do homem é ver as suas ideias concretizadas. Portanto, havendo a oportunidade de concretizar estes – construção da represa e distribuição de água para todos os munícipes – e outros projectos ficaria bastante satisfeito.

Comentários   

 
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