Faixa publicitária
Edmilsa Governo: a menina de ouro do atletismo paralímpico
PDF
Versão para impressão
Enviar por E-mail
Destaques - Desporto
Escrito por Duarte Sitoe  em 30 Outubro 2014
Share/Save/Bookmark

O @Verdade apresenta ao leitor, nesta edição, uma parte da história de vida da atleta moçambicana Edmilsa Governo, considerada a nova menina do ouro do atletismo nacional, e especialista nas provas de velocidade (100, 200 e 400 metros) na classe T13. Na última edição dos Jogos da CPLP, a velocista do Matchedje conquistou três medalhas de ouro nas provas de 100, 200 e 400 metros, o que fez dela a mais premiada da comitiva moçambicana que participou naquele certame.

É impossível falar do atletismo paralímpico em Moçambique sem tocar no nome da Edmilsa Governo tida como uma das melhores atletas nacionais nesta categoria. Nasceu na cidade de Maputo a 28 de Fevereiro de 1998. Ainda criança entrou para o atletismo, quando tinha apenas sete anos, na altura estudante numa das instituições de ensino da capital do país. Diferentemente de muitas meninas da sua idade, Edmilsa não teve uma infância considerada normal. Sofre de problemas de visão desde a nascença, o que faz com que só consiga ver imagens até uma distância de 50 metros. Foi vítima de discriminação nos seus primeiros anos de escolaridade, o que hoje é um assunto do passado.

“Na escola era discriminada por culpa do meio defeito. Uma vez que tinha problemas de visão fui obrigada a usar óculos e os colegas chamavam-me “quatro-olhos”, mas não me deixei levar e continuei a estudar mesmo com a discriminação porque o meu objectivo era aprender apesar do meu estado oftalmológico”. Desde criança é apaixonada pelo atletismo, mas por causa da sua deficiência visual foi impedida de participar nos Jogos Desportivos Escolares. Apesar dessa adversidade, o seu amor pelas provas de velocidade não esmoreceu.

“Os meus professores, por causa da minha deficiência, não aceitavam que eu fizesse parte das selecções que competiam nos Jogos Desportivos Escolares; sentia-me discriminada, mas isso não me fez abandonar a modalidade, até que um certo dia um professor reconheceu que, apesar da deficiência, tinha um futuro promissor na modalidade e, graças a ele, hoje continuo no atletismo” Conheceu a primeira pista em 2011 e, graças aos treinos, adaptou-se rapidamente ao piso de tartan, sendo que antes treinava em terra batida. No ano seguinte, Edmilsa Governo transferiu-se para o Clube de Desportos Matchedje de Maputo.

Neste emblema, a velocista declara que ganhou maturidade como atleta, mas não competia porque era impedida de fazer parte das corridas por causa da sua deficiência, uma vez que o clube ainda não tinha introduzido o atletismo paraolímpico. No mesmo ano foi transferida do emblema militar para a Federação Moçambicana de Pessoas Portadoras de Deficiência (FMPPD), onde começou a competir com atletas com o mesmo defeito dela, ou seja, desportistas da classe T13, também designada provas para pessoas portadoras de deficiência visual.

Na “FMPPD” Edmilsa teve a sorte de vestir a camisola de Moçambique, como atleta, em 2012 na nona edição dos Jogos dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) realizados em Mafra, Portugal Ela conta que no Matchedje corria os 800 metros em 2:45 minutos e já na federação, graças ao seu esforço e dos treinadores que encontrou, começou a percorrer aquela distância em cerca de 2:29 minutos. Mais tarde passou a correr em pistas de 100, 200 e 400 metros. Foi campeã nacional dos 400 e 200 metros. Actualmente frequenta o primeiro ano do curso de Contabilidade Geral no Instituto Comercial de Maputo.

“Sabia que ia ficar em primeiro lugar em Angola”

A velocista declara que as medalhas conquistadas nos Jogos da CPLP para ela não têm nenhum significado porque não conseguiu melhorar as suas marcas por culpa das suas adversárias que não eram do seu nível. “Quando parti para Angola, local onde ia decorrer a competição, sabia que ia conquistar estas três medalhas, por isso fui apenas para confirmar as medalhas”

O seu pior momento da carreira

Edmilsa confessa que o pior momento da carreira foram os seus primeiros anos nesta modalidade em que foi discriminada por alguns professores por causa da sua deficiência visual, o que, de certa forma, contribuiu para a sua entrada tardia nas pistas, sem descurar as dificuldades enfrentadas pelos atletas da seleção nacional que durante o Meeting da Tunísia foram obrigados a dormir nos bancos dos aeroportos e sem nenhuma refeição, enquanto os dirigentes faziam compras e passavam refeições em grandes restaurantes.

O seu melhor momento

Conquistar três medalhas numa competição internacional não é tarefa para qualquer um. A atleta declara que a conquista das três medalhas de ouro nos Jogos da CPLP, incluindo as três, também de ouro, conquistadas no Meeting Internacional da Tunísia marcou pela positiva a sua, curta, carreira.

Os planos de Edmilsa Governo

O sonho de Edmilsa Governo, como qualquer atleta, é ser campeã do mundo, independentemente das especialidades em que compete, sejam elas dos 200 metros, 100, ou 400. Por outro lado, aquela atleta deseja formar-se em Contabilidade Geral, curso que frequenta no presente no Instituto Comercial de Maputo. Edmilsa quer criar o seu próprio lar e cuidar da sua família.


O apelo de Edmilsa

Para os governantes moçambicanos, Edmilsa Governo lança um forte apelo: “Apoiem mais o atletismo paraolímpico. Hoje ganhei três medalhas sem condições nenhumas e com uma preparação, diga-se, selvagem. Mas se houver mais atenção, como acontece no futebol e no basquetebol, por exemplo, podemos ser campeões mundiais, como alguma vez foi Maria de Lurdes de Mutola.

Comentar


Código de segurança
Atualizar

 
Avaliação: / 1
FracoBom