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Mais uma vez..., InstiDoc em Maputo!
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Vida e Lazer - Cultura
Escrito por Reinaldo Luís Nhalivilo  em 24 Abril 2015
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Nos dias que correm, em Moçambique, “caiu por terra” a ideia segundo a qual “não se valoriza a sétima arte devido à falta de sessões de exibição de filmes gratuitos ou a um preço `justo´ em Maputo”. Pois é. Embora não haja salas suficientes para a exposição das obras cinematográficas em todo o território nacional, alguns voluntários apaixonados pelo cinema remam contra a maré a fim de quebrarem essas barreiras. Por exemplo, na tentativa de proporcionar melhores momentos aos maputenses, no ano passado criou-se o Ciclo do Documentário Institucional (InstiDoc) e, neste 2015, as sessões estão de volta.

A história de InstiDoc não difere de Kuxa Kanema, literalmente conhecida como o nascimento do cinema. De todas as formas, o Kuxa Kanema tinha o objectivo de filmar a imagem do povo e devolvê-la ao povo. E, não obstante o longo período que separa as duas gerações, InstiDoc não foge a regra: capta a imagem do povo, as suas batalhas, as conquistas e as exibe para o mesmo, como forma de incentivar as demais pessoas.

Todavia, organizou-se cerca de 24 filmes, dentre os quais metade moçambicanos e os demais internacionais, para comporem o programa da 2ª edição do Ciclo do Documentário Institucional (InstiDOC) que divulga iniciativas institucionais de vários países, incluindo Moçambique. O evento decorre desde a última quarta-feira (22) e deverá encerrar no dia 25 de Abril corrente, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo.

Ao longo de quatro dias, a mostra de cinema vai apresentar duas sessões diárias – a primeira com início às 17h00 e a segunda às 19h00 –, com três dezenas de organizações institucionais, que versam sobre diversos temas como Ambiente e Conservação, Agricultura e Agro-indústrias, Cultura, Direitos Humanos, Educação, Empreendedorismo e Saúde.

Com documentários de 12 países, a mostra dedica metade da sua programação a Moçambique – 12 filmes no total –, exibindo ainda produções do Brasil, E.U.A, Guiné-Bissau, Indonésia, Itália, Madagáscar, Portugal, Quénia, Uganda, Saara Ocidental e Timor Leste.

Entre as estreias de filmes estrangeiros, exibidos na noite de quarta-feira, destacam-se as longas-metragens “As Forças das Favelas”, de Rebecca Sweetman, com histórias inspiradoras de programas comunitários de uma favela do Rio de Janeiro, no Brasil. No documentário, com mais de 30 minutos, a cineasta revela o lado alternativo de uma zona informal de Rio de Janeiro, de esperança e de inspiração, que motiva cada indivíduo a tomar medidas para fortalecer as comunidades e as organizações.

Com enfoque em soluções para um futuro urbano sustentável, o filme documenta o trabalho de mais de 20 organizações não governamentais (ONG) que actuam no Brasil e histórias de vida que testemunham os impactos destes programas.

Outra exibição que marcou a noite de estreia do InstiDoc foi “Life is Waiting – Referendum and Resistance in Western Sahara”, de Iara Lee. Quarenta anos depois de ter sido prometido liberdade à população, pelo Governo espanhol, o Saara Ocidental permanece a última colónia de África.

O filme narra a violência do quotidiano dos sarauís, que vivem sob ocupação marroquina, e expressa as aspirações de um povo do deserto, para quem a era do colonialismo ainda não terminou.

Até o dia 25 de Abril corrente, serão ainda vistas as obras “The Cut”, de Beryl Magoko, que aborda a tradição da mutilação genital no Quénia e na Tanzânia; “A Energia está a chegar a Bambadinca”, de Marco Vivela, sobre energias renováveis e a construção de um parque solar fotovoltaico que garante energia a uma vila; “Bambaram di Mindjer”, de José Cunha e Álvaro Campos, com um projecto sobre ensino básico.

De Moçambique, por outro lado, serão lançadas as curtas-metragens “Catarina e Halima”, de Licínio de Azevedo, sobre intervenções de agentes comunitários de saúde, em Inhambane; “A Fala da Terra”, de Gabriel Mondlane, que documenta a difícil relação de algumas comunidades da região do Chókwè, em Gaza, com um projecto agro-industrial; e ainda “Marrabenta, Som de Moçambique”, de Victor Lopes, um filme que recolhe testemunhos de renomados artistas moçambicanos sobre a origem, o desenvolvimento e o futuro deste estilo musical, tido como uma bandeira cultural de Moçambique.

A exibição dessa longa-metragem, uma das grandes apostas de 2015, marcará o encerramento da mostra de cinema, a 25 de Abril.

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