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Será que os moçambicanos (já) aprenderam a valorizar a sua música?
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Vida e Lazer - Cultura
Escrito por Redação  em 25 Outubro 2012
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No pretérito fim-de-semana, 20 de Outubro, o palco do Cine Teatro África, em Maputo, “experimentou” um movimento incomum. A noite prometia muita chuva – como mais adiante aconteceu. No entanto, os moçambicanos desejosos de assistir (e, em certo sentido, apoiar a concorrente nacional aos prémios da estação televisiva Channel O Music Awards) não se deixaram intimidar pelos 500 meticais que tiveram de pagar pelo acesso ao show.

Fazendo jus à adrenalina que se produziu no local, pularam, cantaram, gritaram, aconselharam-se, concorrendo dessa fora para que o concerto fosse um sucesso. Na verdade, os artistas foram vários e quase todos – com excepção de apenas dois, Anselmo Ralph e Laverna que são, respectivamente angolano e sul- -africana – são da nossa terra.

Nos dias anteriores, tinha sido realizado um concerto – nas cidades de Maputo e da Matola cujos ingressos custavam entre mil e mil e quinhentos meticais. A cantora era a conceituada jovem sul-africana Lira. O primeiro espectáculo, que foi realizado na quinta-feira, aconteceu na capital do país e tinha tido uma participação razoável do público.

Em resultado disso, a opinião de alguns jornalistas – em relação à adesão do público no concerto-campanha de Lizha James – era de receio. E não faltavam argumentos. O dinheiro – para comprar os ingressos – havia sido gasto nos dois primeiros eventos.

Entretanto, o que sucedeu naquela noite chuvosa de sábado último é que nenhum desses argumentos serviu para limitar a boa vontade dos espectadores. Eles lotaram o Cine Teatro África, como antes acontecia em Maputo, sobretudo nos espectáculos populares realizados em locais desportivos, como alguns campos de futebol. Quase que o Cine África não “respirou”. Ficou abafado.

Além de Lizha James e Anselmo Ralph, os outros argumentos que cativaram o público foram a participação de artistas como G2, Ace Nells, Sweet Boys, Richard Suleimane e Laverna.

Naquele dia, alguns moçambicanos que se deslocaram ao “África” decidiram não entrar na sala do evento. Talvez, acredita- -se, em reconhecimento da falta de espaço. Mas do lado de fora, onde se encontravam, manifestavam o seu interesse em apoiar a promoção, divulgação e valorização da música moçambicana. Como se viu – para quem assistiu ao espectáculo – eles, os moçambicanos, vibram com a música alheia, mas, decididamente (já) apoiam os cantores nacionais.

Tratou-se de uma manifestação perante a qual se pode deduzir que, os nossos cidadãos se comportaram, como se tivessem a consciência de que – diante da dura derrota que a nossa selecção nacional de futebol sofreu, recentemente, a qual lhe valeu a eliminação do apuramento ao Campeonato Africano das Nações – nada mais lhes resta do que apoiar a cultura.

Temos de trazer os troféus da Channel O Music Awards a Moçambique, o que só é possível se os nossos compatriotas – como o fizeram no sábado – votarem na sua concorrente.

Músicas acompanhadas de mensagens sadias – como, por exemplo, a sublimação de sentimentos como amor, amizade, solidariedade, faculdade de saber perdoar – foram expostas do princípio até ao fim do evento. Os artistas, cada um à sua maneira, empenharam-se para cativar o público que em nenhum momento adormeceu.

Por fim, reconhecendo que é um dos artistas que está a ser bem-sucedido em Moçambique, Anselmo Ralph apelou aos presentes para a necessidade de valorizarem cada vez mais a música e a cultura moçambicanas. “Quero congratular a Lizha pelo belíssimo concerto. Mas é preciso que os moçambicanos a apoiem para que possa ganhar no concurso em que participa”.

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