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O Dia da Língua Portuguesa em Moçambique
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Vida e Lazer - Cultura
Escrito por Hélder Xavier  em 05 Maio 2011 (Actualizado em 06 Maio 2011)
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A comemoração do Dia da Língua Portuguesa foi marcada por um debate em torno do Acordo Ortográfico. A comissão encarregue do processo para a ratificação revelou que o mesmo poderá custar ao Estado moçambicano cerca de 111 milhões de dólares norte-americanos. Algumas pessoas comentaram que o português falado em Moçambique tem influência das línguas nacionais e inglesa.

O dia 5 de Maio foi fixado como a data em que é anualmente comemorada a “Língua Portuguesa e a Cultura da CPLP”, uma decisão saída do XIV Conselho de Ministros da CPLP, realizado em Junho de 2009, em Cabo Verde. Moçambique não ficou alheio a efeméride. Pouco mais de uma centena de pessoas lotaram, nesta quinta-feira, o espaço do Centro Cultural Brasil-Moçambique para comemorar a data.

Numa mesa redonda constituída por Lourenço do Rosário, presidente Fundo Bibliográfico da Língua Portuguesa, Gregório Firmino, docente da Faculdade de Letras e Ciências Sociais, e Albertina Moreno, Membro da Comissão Nacional do IILP, o debate centrou-se na questão do processo do Acordo Ortográfico. O processo para a ratificação do Acordo Ortográfico, segundo Lourenço do Rosário, o presidente da comissão encarregue da preparação do instrumento, vai custar a Moçambique aproximadamente 111 milhões de dólares. Este montante será canalizado para a produção de manuais para ensino geral, brochuras, capacitação dos professores, jornalista da imprensa escrita, funcionários públicos de expediente, entre outros aspectos.

A comissão nacional, constituída por nove personalidades, vai organizar três seminários onde recolherá alguns subsídios de modo a produzir o documento final que será apresentado ao Governo e este, por sua vez, irá submeter à Assembleia da República para a aprovação. Português falado em Moçambique Em Moçambique, apenas 40 porcento da população total fala Português. E cada vez mais os moçambicanos apropriam-se da língua portuguesa através de um processo de interacção, entre esta e as línguas nacionais.

Fátima Ribeiro, professora de Português, afirma que hoje em dia há cada vez mais pessoas em Moçambique falando Português. “E o Português falado em Moçambique é diferente do falado noutros países lusófonos. Nós estamos a construir o nosso Português que tem várias influências das nossas várias línguas maternas e também do inglês. É um Português que, em termo de vocabulário, gramática e estrutura, é diferente naturalmente”, comenta.

No que respeita à ratificação do Acordo Ortográfico, Fátima critica o facto de o mesmo não contemplar alguns aspectos das nossas línguas nacionais como, por exemplo, no caso dos topónimos. “Temos que resolver esta questão. Devemos tentar que as palavras ou nomes como Chokwé, Mulembwe e provavelmente também termos comuns entre no nosso Português falado e escrito. O acordo não contempla alguns aspectos específicos do nosso português e, por outro lado, não se conseguiu uniformizar totalmente a escrita da língua e subsistem diferenças e no nosso caso o acordo vai trazer desafios muito grandes”.

A escritora Lília Momple defende que Português falado em Moçambique é próprio de um povo que adaptou a língua como a sua. “’É reflexo da realidade dos moçambicanos. Surgiram novos vocábulos que no tempo em que estudei não havia”. E quanto ao Acordo Ortográfico, Lília comenta que “acho que não devemos ficar amedrontados, pois, trata-se de um processo normal que visa uniformizar a língua a nível da CPLP”.

Graça Gonçalves, cônsul de Portugal em Maputo, diz que, comparativamente a outros países dos PALOP’s, em Moçambique falasse um “bom Português com uma dicção muito boa e superior a média de algumas pessoas em Portugal”. Sobre a questão da ratificação do Acordo, a cônsul disse tratar-se de um assunto que diz respeito exclusivamente aos moçambicanos. Mas comenta que, do ponto de vista económico, fica mais barato apostar na uniformização da língua. “Cabe aos moçambicanos ditarem o que é mais importante. Será mais simples a publicação de livros a escala global com uma norma e permitirá a internacionalização da língua, tornando-a um factor de caracterização da comunidade”.

O ministro da Cultura, Armando Artur, diz que “no contexto nacional, a língua portuguesa se enriquece das línguas nacionais e, estas, também da língua portuguesa, numa dinâmica em permanente reciprocidade”.

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