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O significado da Paz e da Não-Violência no momento actual
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CAMPUS - Cor de Laranja
Escrito por Danúbio Mondlane  em 17 Agosto 2010
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Lê na íntegra o discurso de Mario Rodríguez Cobos, Silo – pacifista e nobel da paz, fundador do Humanismo Universalista e inspirador da Marcha Mundial pela Paz e a Não-Violência – na Décima Cúpula dos Prémios Nobel da Paz realizada em 11 de novembro de 2009 em Berlim, Alemanha.

Uma marcha percorre o mundo. É a Marcha pela Paz e Não-Violência. Sobre isso falarei brevemente diante deste fórum, com caráter de fundador do Humanismo Universalista e inspirador da mencionada Marcha. Esta, por sua vez, vai dinamizando diversas iniciativas e actividades, como o percurso simbólico de uma equipa de entusiastas que se deslocará durante três meses, através de vários países, tendo começado neste último 2 de Outubro, em Wellington, Nova Zelândia, para terminar em 2 de Janeiro de 2010, aos pés do monte Aconcágua, em Punta de Vacas, entre a Argentina e o Chile.

A Marcha foi lançada durante o Simpósio do Centro Mundial de Estudos Humanistas, no Parque de Estudo e Reflexão de Punta de Vacas, em 15 de Novembro de 2008, ou seja, há um ano, com a clara intenção de criar consciência diante da perigosa situação mundial que atravessamos, marcada pela elevada probabilidade de conflito nuclear, pelo armamentismo e pela violenta ocupação militar de territórios.

Essa proposta de mobilização social é impulsionada pelo Movimento Humanista e os seus organismos. Em poucos meses, a Marcha Mundial suscitou a adesão de milhares de pessoas, de grupos pacifistas e não-violentos, de diversas instituições que trabalham a favor dos Direitos Humanos, de personalidades do mundo da ciência, da cultura e da política, sensíveis à urgência do momento.

Também inspirou grande quantidade de iniciativas em mais de cem países, configurando um fenómeno de diversidade cultural em veloz crescimento. Nessa ordem de ideias, devo comunicar que à equipa base inicial somou-se outra que está a percorrer vários países do Médio Oriente e uma terceira equipa que está a percorrer a América Central... Bem sabemos que a situação actual é crítica em todas as latitudes e está caracterizada pela pobreza de vastas regiões, pelo enfrentamento entre culturas e pela violência e discriminação que poluem a vida cotidiana de amplos sectores da população.

Atualmente, existem conflitos armados em numerosos pontos e, simultaneamente, uma profunda crise do sistema financeiro internacional. A tudo isso soma-se a crescente ameaça nuclear que é, em suma, a máxima urgência do momento atual. Essa é uma situação de grande complexidade. Aos interesses irresponsáveis das potências nucleares e à loucura de grupos violentos com possível acesso a material nuclear de reduzidas dimensões devemos adicionar o risco de acidente, que poderia detonar um conflito devastador.

Todo o anterior não é uma soma de crises particulares, e sim o quadro que evidencia o fracasso global de um sistema cuja metodologia de acção é a violência e cujo valor central é o dinheiro. Para evitar a catástrofe atómica que parece ameaçar o mundo num futuro mais ou menos imediato, devemos trabalhar hoje mesmo, superando a violência social e pessoal, ao mesmo tempo em que exigimos:

1. o desarmamento nuclear mundial;

2. a retirada imediata das tropas invasoras dos territórios ocupados;

3. a redução progressiva e proporcional dos armamentos de destruição massiva;

4. a assinatura de tratados de não-agressão entre países; e

5. a renúncia dos governos de utilizar as guerras como meio para resolver conflitos. O urgente é criar consciência sobre a paz e o desarmamento. Mas também é necessário despertar a consciência da Não-Violência Activa que nos permita rechaçar não só a violência física, mas também toda forma de violência económica, racial, psicológica, religiosa e de género.

Certamente, aspiramos a que essa nova sensibilidade possa instalar-se e comover as estruturas sociais, abrindo caminho para a futura Nação Humana Universal. A Marcha Mundial faz uma chamada a todas as pessoas para que somem esforços e tomem nas suas mãos a responsabilidade de mudar o nosso mundo, superando a violência pessoal e apoiando no seu âmbito mais próximo o crescimento dessa influência positiva. Em todo esse tempo, em muitas cidades e povoados, estão a ser realizadas marchas, festivais, fóruns, conferências e outros eventos para criar consciência sobre a urgência da paz e da Não-Violência.

E, em todo o mundo, as campanhas de adesão à Marcha multiplicam esse sinal além do até agora imaginado. Pela primeira vez na História, um evento dessa magnitude é colocado em marcha por iniciativa dos seus próprios participantes. A verdadeira força desse impulso nasce do acto singelo de quem, por

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