A Marcha Mundial:Uma Ponte para o Futuro
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CAMPUS - Cor de Laranja
Escrito por Danúbio Mondlane  em 16 Agosto 2010
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É chegado o momento de fazer ouvir a voz dos sem-voz! Milhões de seres humanos pedem por necessidade que se acabe com as guerras e a violência. A Marcha Mundial (MM) é um fenómeno humano multiplicativo e simultâneo em todo o mundo.

Temos claros indicadores de que vamos na direcção de converter esta Marcha na maior marcha que se realizou e se manifestou na história humana. O percurso da Marcha Mundial inicia no dia 2 de Outubro de 2009 (declarado pelas Nações Unidas Dia Internacional da Não-violência) na Nova Zelândia e termina no dia 2 de Janeiro de 2010 aos pés do Monte Aconcágua na Argentina, passando por Moçambique entre os dias 3 e 14 de Dezembro de 2009.

Quando faltam ainda 4 meses para o início da Marcha, as adesões chegaram já às 630.000 pessoas de todas latitudes do planeta. Aderiram Chefes de Estado de 8 países, personalidades notáveis dos mais diversos âmbitos sociais e mais de 2000 instituições co-organizadoras. São pessoas que apesar das diferenças no “background” cultural par- tilham o ideal da Paz e da Não-violência.

As Propostas da Marcha Mundial Para evitar a catástrofe atómica futura, devemos superar a violência hoje, exigindo:

• o desarmamento nuclear a nível mundial;

• a retirada imediata das tropas invasoras dos territórios ocupados;

• a redução progressiva e proporcional do armamento convencional;

• a assinatura de tratados de não-agressão entre países; e

• a renúncia dos governos de utilizarem as guerras como meio para resolver conflitos. Reivindicamos o nosso direito de viver em paz e liberdade. Não se vive em liberdade quando se vive ameaçado. A Marcha Mundial é um chamamento para que todas as pessoas unam os seus esforços e tomem nas suas mãos a responsabilidade de mudar o nosso mundo, superando a sua violência pessoal, apoiando-se no seu âmbito mais próximo e até onde chegue a sua influência.

MM EM MOÇAMBIQUE: Moçambique também adere à Marcha Mundial!

Adere porque e necessário plantar a consciência entre os moçambicanos de que a violência não é normal nem aceitável, e que é justa toda a reivindicação pelo cumprimento dos Direitos Humanos desde que se faça pela metodologia da Não-Violência Activa. Não só é justa essa reivindicação como também é um imperativo moral. O percurso da Marcha Mundial em Moçambique começará no dia 29 de Novembro em Pemba.

Rumará para Sul passando por todas as cidades capitais de província (com a excepção de Lichinga onde não houve iniciativa local). Escalará alguns pontos de grande referência do território nacional tais como a praia do Wimbe, a Ilha de Moçambique e a Ponte sobre o Rio Zambeze. No dia 02 de Dezembro o percurso internacional entra em Tete depois de ter passado por Etiópia, Quénia, Uganda e Zâmbia.

O percurso internacional junta-se ao nosso percurso “Rovuma ao Maputo” na cidade da Beira a 4 de Dezembro para um grande evento na 2ª capital do país. Daí segue para Sul passando por cidades e realizando festivais, shows, palestras, marchas, etc. que culminam em grande na cidade de Maputo entre os dias 11 e 13 de Dezembro. No dia 14 os participantes seguem rumo à África do Sul e daí para o Brasil, Uruguay e o “grand finale” na Argentina. O mais importante não será o trajecto simbólico, mas sim os eventos pela Paz e Não-violência que acontecem em cada ponto à sua passagem. “A Marcha Mundial são as iniciativas locais” disse o mentor da iniciativa, o espanhol Rafael de la Rubia.

Iniciativas locais em Moçambique

CARAVANA DOS LIVROS

A iniciativa da Caravana do Livro consiste numa feira de livros e educação ambiental que passa semanalmente pelos bairros de Maputo. Nela é feita a divulgação sobre a Marcha através da distribuição de panfletos, sensibilização e recolha de adesões. O que se pretende neste momento é criar mecanismos para que nos bairros onde se passa, os residentes ganhem interesse e queiram dar continuidade por eles próprios.

DEBATE E EXPRESSÃO ARTÍSTICA NO BAGAMOYO

Os jovens do Bairro do Bagamoyo em Maputo tomaram a iniciativa de divulgar a Marcha a nível local organizando um evento com rap, teatro e desfile de moda. As formas artísticas expressaram a Paz e a Não-violência. Houve também uma palestra guiada pelo padre da igreja local sobre o tema “a paz é muito mais do que a ausência de guerra”.

APRESENTAÇÃO PÚBLICA DA MARCHA

Cerca de 400 pessoas estiveram presentes na apresentação da Marcha Mundial que decorreu no dia 20 de Junho, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo. Durante o evento havia exposições de iniciativas nacionais e internacionais pela Marcha Mundial. Houve também depoimentos de cidadãos que aderiam à Marcha e decidiram levá-la a outros lugares com diferentes iniciativas e projectos. No final do evento, os participantes esboçaram um símbolo Humano da Paz, na Praça da Independência.

“PINTURA PELA PAZ” DE MALANGATANA

A tela do Mestre Malangatana para a Marcha está terminada. Contou com a valiosa colaboração dos estudantes da Escola Nacional de Artes Visuais, que disponibilizaram os tempos livres para produzir a peça. A tela tem as características próprias do Mestre Nguenha, acrescida de alguns detalhes artísticos que sugerem Paz e também pessoas em movimento. Esta tela será reproduzida por uma serigrafia e o dinheiro da venda reverterterá a favor das actividades da Marcha Mundial.

ANIVERSÁRIO DO BOMBARDEAMENTO DE HIROSHIMA

Foi organizado em Maputo, no dia 6 de Agosto, no Instituto Camões, um evento de comemoração do 64º aniversário do Bombardeamento da cidade de Hiroshima. O evento contou com a participação de cerca de 120 pessoas, desde estudantes universitários a representantes de diferentes organizações que têm apoiado a Marcha. Estiveram presentes o arquitecto José Forjaz, Ivan Andrade como coordenador da MM em Moçambique. Na ocasião apresentou-se a tela que o mestre Malangatana pintou como iniciativa pela Marcha e o evento foi encerrado pelo ambientalista Carlos Serra, grande apoiante da Marcha Mundial.

ACTIVIDADES DE RUA

Um grupo de jovens do Movimento Humanista tem organizado semanalmente actividades de rua para difundir a Marcha Mundial. Nestas actividades incluem-se as culturais como música, poesia, rap, teatro, vídeos e dança que despertem interesse e curiosidade nas pessoas que passam e vai-se explicando sobre a importancia da Marcha. As actividades têm tido bastante adesão e colaboração das pessoas.

Quem são os humanistas?

Os humanistas são mulheres e homens deste século, desta época. Reconhecem os antecedentes do Humanismo histórico e inspiram-se nos contributos das diferentes culturas, não só daquelas que neste momento ocupam um lugar central. São, além disso, homens e mulheres que deixam para trás este século e este milénio e se projectam para um novo mundo. Os humanistas sentem que a sua história é muito longa e que o seu futuro é ainda mais extenso. Pensam no porvir, lutando por superar a crise geral do presente.

São optimistas, crêem na liberdade e no progresso social. Os humanistas são internacionalistas, aspiram a uma nação humana universal. Compreendem globalmente o mundo em que vivem e actuam no seu meio imediato. Não desejam um mundo uniforme mas sim múltiplo: múltiplo nas etnias, línguas e costumes; múltiplo nas localidades, nas regiões e nas autonomias; múltiplo nas ideias e nas aspirações; múltiplo nas crenças, no ateísmo e na religiosidade; múltiplo no trabalho; múltiplo na criatividade.

Os humanistas não querem amos; não querem dirigentes nem chefes, nem se sentem representantes nem chefes de ninguém. Os humanistas não querem um Estado centralizado, nem um Para-Estado que o substitua. Os humanistas não querem exércitos policiais, nem bandos armados que os substituam. Porém, entre as aspirações humanistas e as realidades do mundo de hoje, levantou-se um muro. Chegou, pois, o momento de derrubá-lo. Para isso é necessária a união de todos os humanistas do mundo.

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